Numa Assembleia muito pouco concorrida, as “despesas  desequilibradas” e “falta de respostas” do presidente da Junta de Freguesia foram alguns dos comentários da oposição na última Assembleia de S. Martinho de Bougado.

  Assembleia de Freguesia de S. Martinho de Bougado pouco concorrida

Manuel Pontes, eleito nas listas do PSD afirmou que o presidente “continua a tornear as dificuldades com subtileza” e que os 148 mil euros de despesas correntes e os 52 mil de investimentos traduzem um “desequilíbrio nos números” numa freguesia que “representa um terço do concelho, mas pouco faz”. Por seu lado, Maria Emília Cardoso, eleita do CDS à Assembleia, reivindicava “esclarecimentos claros às questões levantadas”.

Sobre as contas da freguesia abordadas pelo PSD, o tesoureiro da Junta José Luís Moreira acusou Manuel Pontes de fazer “show-off” ao “insinuar que a Junta gasta muito dinheiro e esquecendo-se de dizer que em receitas correntes conseguimos poupar. Representamos um terço do concelho, mas não somos olhados como tal, já que recebemos zero”, retaliou.

O assunto sobre os subsídios “não concedidos pela Câmara” mereceu a intervenção do social-democrata Filipe Azevedo que desafiou o presidente José Sá a “enviar um ofício” à autarquia para a doação de um subsídio. “Apresente publicamente um documento que a Junta enviou à Câmara a solicitar um subsídio, que eu sou o primeiro a reivindicar”, afirmou.

José Sá respondeu que “não é preciso provar com ofícios, já que as obras estão à vista”. O edil referiu ainda que não é “pessoa de ameaçar” e que tem “apelado ao senhor presidente, mas este não tem atendido aos pedidos”.

O socialista Botelho da Costa afirmou estar “perplexo” com “algumas intervenções” e criticou a “demagogia barata” da oposição, acrescentando que “criticar é a coisa mais fácil de fazer”.

O elemento do PS felicitou o executivo pelo “desenvolvimento da freguesia”, mas solicitou ao presidente da Junta a “adopção de um sistema audiovisual, já utilizado por outras Juntas” na apresentação da informação sobre a actividade do executivo e no melhoramento do sistema de som, que por vezes dificultou a audição em boas condições das intervenções na assembleia.

Na informação da actividade da Junta, José Sá destacou o “acompanhamento das carências sociais e culturais”, como o “arranjo das salas da Escola EB 1 do Paranho, o restauro da Azenha da Abelheira, que envolveu milhares de euros, a conclusão da pavimentação da travessa Ramalho Ortigão, a intervenção do lago do Parque Nossa Senhora das Dores e o estudo da criação de uma escola de música a funcionar no edifício sede da Junta”.

José Augusto Gomes eleito nas listas do PSD, alertou o presidente para “os graves problemas sociais” que despoletaram com a crise, solicitando o “apoio à população, especialmente aos idosos e crianças”, através da reavaliação de alguns investimentos “menos prioritários” e não “estar à espera de extras”.

Sobre a possível nova escola de música, Maria Emília Cardoso reconheceu a “boa medida cultural”, mas afirmou que “seria preferível apoiar a Banda de Música da Trofa para lhe dar condições para fazer desta uma excelente escola de música”.

A Assembleia aprovou ainda, por unanimidade, uma moção sobre a ligação do Metro até à Trofa, que deverá ser entregue ao ministro das Obras Públicas, Mário Lino.

 

Período da intervenção do público

O cemitério voltou a ser um dos assuntos abordados pelo público. Jorge Campos voltou a questionar a pretensão do presidente quanto a essa situação, o que José Sá respondeu que o primeiro passo a dar é “o alargamento do cemitério”.

Já Manuel Sequeira acusou o edil de “mentir” durante a Assembleia e de “não ter capacidade de responder”. Mostrou-se “magoado” com a “falta de respostas” de José Sá às suas questões. Em resposta, o presidente referiu que Manuel Sequeira “é das pessoas que só sabe provocar” e que “gasta cinco minutos a utilizar as mesmas frases”.

Sobre a requalificação do Parque Nossa Senhora das Dores, Luís Pinheiro questionou a posição do parque de estacionamento”, mas José Sá remeteu a resposta para a questão da construção dos Paços do Concelho, afirmando que “o assunto de mantém no tribunal”.

Alertando para a mistura de assuntos, o presidente da Asssembleia, Pedro Costa solicitou à Junta de Freguesia que “esqueça os desentendimentos com a autarquia para o bem da freguesia” e a questione sobre o projecto de requalificação que prevê para o Parque Nossa Senhora das Dores.