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Ano 2014

Opinião: Recuso-me a ter medo e a estiolar / Na concha dos poetas sem mensagem / Que me levem o corpo e a coragem / Mas que me fique esta voz para canta*

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Nem seleção, nem Ronaldo, nem Fátima. Nada nos valeu. Andamos sempre com o credo na boca, profanamente benzemo-nos por tudo e por nada. Por tudo e por nada fazemos promessas…sempre em troca de qualquer coisa, o que configura mais um negócio. Banalizamos em demasia as coisas da vida e da morte. Já deveríamos ter aprendido não viverem os deuses tão preocupados com a mesquinhez das nossas necessidades, com as nossas terrenas angústias e com as futilidades dos nossos anseios.

Não querendo acreditar no maior poder dos deuses americanos e alemães sobre os deuses portugueses, aprendamos a relativizar as coisas e a não endeusarmos simples mortais. Ronaldo apenas joga a bola. Não inventou uma cura contra o cancro. E mais fez no desporto o Rui Costa, ciclista. É campeão do mundo e venceu a volta à Suíça três vezes. Feitos que resultam objetivamente do seu exercício e não de um critério subjetivo de comuns mortais. Talvez seja tempo de pensarmos mais no nosso destino coletivo, no rumo que queremos para o país, para o nosso concelho, para a nossa freguesia, para a nossa vida. Vivemos um tempo perigoso.

O Poder atrai. O Poder corrompe. E usa da argúcia, da mentira, da astúcia, da subtileza, da arrogância, da falsidade, da confusão, do medo, mas também da promessa, do negócio, da miragem, características destes novos deuses que nos levam neste dogma da inevitabilidade do percurso que trilhamos, recusando e negando qualquer outro. São falsos deuses que ao inferno nos estão a conduzir. De alguma forma conseguem adormecer-nos e sedar-nos. Ficamos sem ou com pouca reação à vontade destes novos deuses. Quase certos da invencibilidade do seu poder financeiro. Eles exigirão o juro que bem entenderem, nós pagaremos…até ficarmos…sem nada. É necessário um levantamento contra os falsos deuses, a expulsão dos vendilhões do «templo». É necessário a recuperação do espirito fraterno e solidário. É imperioso um «basta», um «fim» a esta política que alguns dos novos deuses, nem sequer escondem, nos leva por 30 anos de sacrifícios.

Foi O BPN, O Banif e agora o BES. Enquanto não tivermos um estado com um governo democrático e de esquerda, que coloque os sectores estratégicos da economia ao serviço do país e do povo, nomeadamente a banca, mas também os sectores energéticos, será muito difícil «fazermos o céu na terra». Se é objetivo nosso uma sociedade melhor, com equidade e justiça, porque não trilhar o sentido inverso ao que vem sendo seguido. Porque não colocamos ao serviço do povo português a eletricidade, os combustíveis e os bancos, só para falar dos principais, em vez de os entregarmos, e de «mão beijada», aos grandes interesses económicos nacionais e estrangeiros. Só por esse caminho, penso eu, conseguiremos aniquilar os novos deuses que falaciosamente e argutamente nos colocam a invocar o nome de Deus…em vão. Com aqueles que resistem, que não se resignam e de uma ou outra forma, vão lutando contra o muro da inevitabilidade construído de austeridade sobre austeridade e vai alargando o território da pobreza, «recuso-me a ter medo e a estiolar/Na concha dos poetas sem mensagem/Que me levem o corpo e a coragem/Mas que me fique esta voz para cantar». 

Guidões, 30 de Junho de 2014,
Atanagildo Lobo
*Extrato de poema de José Saramago

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Ano 2014

Pais angariam fundos para alunos da Passos de Dança

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São dezoito os pais que se uniram com um objetivo bem definido: angariar verbas que permitam ajudar a financiar a participação dos bailarinos em provas nacionais e internacionais. A primeira iniciativa, a 23 de outubro, consistiu num convívio entre crianças e adolescentes “com a realização de atividades na escola, que terminaram com um jantar”. A atividade juntou “mais de 80 crianças”, proporcionando-lhes momentos de “alegria e boa disposição”. No domingo, teve lugar na Praceta Monge Pedro uma “mega” aula de Zumba com a professora Sara Mota, da Escola Passos de Dança. A aula contou com a participação de cerca de 60 pessoas. Pedro Silva, representante do grupo de pais, garantiu que as duas iniciativas promovidas “foram um sucesso”, acrescentando que as pessoas entenderam “os objetivos”. “Sabemos o caminho que temos de percorrer para atingir os nossos objetivos e iremos continuar a trabalhar com afinco para isso se concretizar”, afiançou o representante.

O grupo de pais já tem “em cima da mesa” outras iniciativas com o mesmo propósito, como uma “Feira da Sopas/Magusto, o cantar das janeiras, o sorteio de um cabaz de natal, a realização de caminhadas”, entre muitas outras. “Engrandece-nos o facto de nós, pais, podermos estar a trabalhar em prol dos sonhos dos nossos filhos e, desta forma, poder contribuir para que os mesmos se possam sentir mais realizados e felizes”, explicou Pedro Silva. O representante, em conversa com NT, aproveitou para agradecer e felicitar o trabalho desenvolvido por todos os pais e alunos “que cativaram irmãos, primos, amigos ou familiares para estarem com eles nas atividades que decorreram na escola” e à Escola Passos de Dança e respetivas professoras pelo trabalho que desempenham.

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Edição 504

Crónica: 2014 em revista

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Dois mil e catorze chegou ao fim. Um ano que, para não variar, foi de crise para a maioria e da habitual festa para os suspeitos do costume. Entre as prescrições da criminalidade bancária e o crescimento e multiplicação dos boys governamentais, o número de milionários aumentou 30% face a 2013, o governo garantiu o aumento das despesas intermédias dos ministérios num Orçamento de Estado cada vez mais magro e as mordomias das elites governantes mantêm-se praticamente intocáveis. Pelo caminho, os índices de corrupção continuam preocupantes, a pobreza alastrou e a mentira da descida do desemprego foi exposta pelo Banco de Portugal que revelou um golpe de propaganda que mais não foi do que uma feliz conjugação entre uma emigração galopante e um plano para usar estágios profissionais criados pelo governo para aldrabar estatísticas e dar conteúdo a vídeos de propaganda.

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