O ex-Bastonário da Ordem dos Advogados e eurodeputado eleito pelo MPT – Partido da Terra, Marinho e Pinto, anunciou que vai criar, nas próximas semanas, um novo partido político, embora tivesse um compromisso, com o partido pelo qual foi eleito deputado europeu, para concorrer nas eleições legislativas, que vão decorrer no próximo ano. Seria o candidato natural do MPT, de quem é militante e chefe da delegação junto do Parlamento Europeu, mas tal não vai acontecer.

António Marinho e Pinto é advogado, conhecido pela controvérsia do seu discurso acutilante, nasceu em 1950 em Vila Chã do Marão, Amarante e foi Bastonário da Ordem dos Advogados de 2008 a 2013. Com apenas 6 meses, emigrou com os seus pais para o Brasil, tendo regressado com a sua mãe aos 14 anos. Aos 20 anos, já estudante em Coimbra, foi preso pela PIDE, por pertencer ao MDE – Movimento Democrático Estudantil. Em 1973 foi membro da Associação Académica de Coimbra, tendo aderido nesse tempo à Juventude Comunista.

Depois de se ter licenciado em Direito, Marinho e Pinto, iniciou a carreira de jornalista, tendo exercido funções de direção em agências noticiosas, primeiro na ANOP – Agência Noticiosa Portuguesa, entre 1979 e 1986, e depois na LUSA, entre 1984 e 1987. Nos dois anos seguintes, foi assessor do Governo de Macau, para voltar ao jornalismo, como redator do Expresso, entre 1989 e 2006. Desde 1994 até 2008, abraçou a carreira de Docente em diversas instituições (Instituto Politécnico de Coimbra, Universidade de Aveiro, Universidade Lusófona e Universidade de Coimbra).

Depois do 25 de abril de 1974, Marinho e Pinto, foi membro de diversas organizações socioprofissionais, entre as quais a Comissão Nacional para a Liberdade de Informação, o Sindicato dos Jornalistas e a Ordem dos Advogados, onde foi membro do Conselho Geral e Presidente da Comissão de Direitos Humanos. Em 2007 foi eleito o 24º Bastonário da Ordem e depois reeleito em 2010. Nas eleições europeias de 2014 é eleito eurodeputado pelo MPT. Há poucos dias, revelou pretender criar um novo partido político.

O resultado da votação (7,15%), que o Partido da Terra, encabeçado por Marinho e Pinto, teve nas eleições europeias de 2014, surpreendeu tudo e todos, criando um pequeno “terramoto” no sistema partidário português. Marinho e Pinto soube cativar os eleitores do PSD e do CDS, que estavam descontentes com a ação governativa, mas que não queriam votar nos partidos de esquerda, cativou também os eleitores do PS, que estavam descontentes com a governação socialista anterior, mas que não queriam votar nos partidos que apoiam o governo, e também conseguiu cativar os eleitores do BE, descontentes com o tipo de oposição, inconsequente e por vezes irresponsável, dos bloquistas. Não conseguiu entrar no eleitorado comunista.

Marinho e Pinto: bombardeiro ou trauliteiro? Na sua forma de fazer política pode ser muitas vezes confundido e apelidado de bombardeiro ou trauliteiro, tal é a mossa que deixa nos seus alvos de eleição. No passado recente, eram os juízes portugueses o seu alvo preferencial, mas na atualidade são os partidos políticos. Todos sem exceção! É uma forma peculiar de fazer política e uma estratégia pessoal, que vai retirar muitos votos à oposição, principalmente ao Partido Socialista e ao Bloco de Esquerda. Os partidos da governação ficarão agradecidos. Obviamente!

José Maria Moreira da Silva
moreira.da.silva@sapo.pt
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