Há quem considere que os políticos deveriam falar menos do que o que falam, pois consideram que falam demais. É verdade que alguns políticos falam muito, mas é bom, que assim seja, pois quanto mais falam mais sabemos aquilo que pensam. É assim que podermos avaliar melhor as suas ideias, para definirmos o nosso sentido de voto e podermos votar em consciência! Recentemente, António Costa, secretário-geral do PS, opositor do atual Governo de Portugal e candidato socialista a primeiro-ministro, que tem falado muito, mas apresentado poucas propostas para a solução de alguns problemas graves que afetam o país, como o desemprego e a pobreza, fez afirmações altamente positivas, nas comemorações do novo ano chinês, que decorreram no Casino da Póvoa de Varzim. É sempre de louvar as afirmações que puxam o nosso sentido patriótico bem para cima.

António Costa agradeceu à comunidade chinesa em Portugal e afirmou: «Como nós dizemos em Portugal, os amigos são para as ocasiões. E numa situação difícil para o país, em que muitos não acreditaram que o país tinha condições para enfrentar e vencer a crise, a verdade é que os chineses, os investidores disseram presente, vieram e deram um grande contributo, para que Portugal pudesse estar hoje na situação em que está, bastante diferente daquela que estava há quatro anos atrás».
Esta afirmação, embora possa parecer, não foi dita por Paulo Portas, nem por Passos Coelho, mas foi proferida pelo secretário-geral do PS, opositor do atual Governo de Portugal e candidato socialista a primeiro-ministro, contrariando aquilo que sempre disse o PS ao longo dos últimos quatro anos, que havia muito pessimismo em muitos setores da sociedade portuguesa, relativamente a podermos enfrentar e vencer a crise. Felizmente, não foi isso que sucedeu, não foi o pessimismo que venceu e foi isso que António Costa disse, para os portugueses ouvirem.
A declaração deste dirigente socialista, merece um destaque especial, e também um forte aplauso, pois vem mostrar aos portugueses que é um político que sabe colocar-se ao lado do país, mesmo que isso signifique um elogio ao governo e que sabe elogiar o que deve ser elogiado, como é o caso dos «Vistos Gold» e das privatizações da EDP, REN e Caixa Seguros. Afinal foram decisões para o bem de Portugal e dos portugueses!
É sempre bom ouvir as verdades, mesmo sabendo que é uma estratégia inteligente de António Costa, para que o PS não venha a ser «syryzado», como foram os seus camaradas socialistas gregos, cujo partido, o «PASOK», nem sequer atingiu os 5% nas últimas eleições. Não pode ser esquecido o facto de que também foram os socialistas gregos que pediram a intervenção da «troika». Lá como cá!
António Costa não é Tsipras nem Varoufakis. Felizmente! Os atuais governantes gregos, que fizeram um casamento de conveniência entre os «bloquistas» gregos e os extremistas de direita, já estão em maus lençóis, principalmente o primeiro-ministro Alexis Tsipras e o ministro das finanças Yanis Varoufakis, que prometeram ao povo grego, em campanha eleitoral, acabar com a austeridade, mas já tiveram de recuar num conjunto de propostas e promessas eleitorais, para garantir o financiamento ao seu país, nos próximos meses. Obviamente, influenciados pela «troika», que acusam de ter provocado uma crise humanitária no país. Devem ter ouvido com muita atenção, Passos Coelho, Paulo Portas e António Costa. Para que a Grécia tenha um futuro feliz!

José Maria Moreira da Silva

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