jaime toga 

Em 2006, a vereadora Joana Lima votou favoravelmente a localização dos futuros Paços do Concelho na zona do Catulo/Parque Sra das Dores.

Tal como ela, também os restantes vereadores do PS e dos PSD, que era maioria na altura.

Joana Lima e Bernardino Vasconcelos estavam tão de acordo com a localização da futura Câmara Municipal naquela zona, que se despacharam a estar de acordo também quanto à escolha do parceiro privado que iria ficar responsável pela construção.

Em 13 de Novembro de 2006, eu era eleito da CDU na Assembleia Municipal e fui chamado a pronunciar-me sobre a matéria. Por considerar precipitada qualquer discussão sem envolvimento da população, propus a realização de uma discussão pública da proposta em discussão. Contudo, PSD e CDS uniram-se para rejeitar tal proposta e impor aquela decisão que tinha já o acordo dos vereadores do PS.

O Presidente de Junta de Santiago e Bougado e outras figuras do PSD apresentaram algumas reservas em relação à escolha, mas na hora da votação… estiveram de acordo com a opção Catulo/Parque Sra das Dores. Só a CDU votou contra e manifestou o seu desacordo com um processo que caracterizou de imposição de uma vontade sem envolver a população.

Após a denúncia pública do que estava a acontecer, de imediato começou a contestação popular. Com grande populismo, o PS (que tinha estado de acordo) colocou cartazes a dizer “no parque não” e o próprio PSD acabou por recuar na decisão e foi forçado a fazer uma discussão pública.

Agora, com Câmara de maioria PS, a escolha recaiu sobre a zona da Estação. Se Joana Lima e o PS estão convictos que esta é a melhor solução, deveriam ter dado uma justificação mais capaz.

Não acho que deva haver referendo, como alguns. Nem acho que o que interessa é decidir, mesmo que errado, como outros.

Acho que esta não é a melhor solução, que acentuará o estrangulamento urbano da cidade e não favorecerá a coesão do concelho.

Na minha opinião, é lógico que toda a rede de transportes públicos seja repensada tendo em conta a localização da Câmara. Será que queremos congestionar ainda mais aquela zona (próxima da EB2+3 da Trofa) levando para lá centenas de pessoas todos os dias para tratar dos seus assuntos na Câmara? E o estacionamento? E a circulação de carros? E a segurança dos alunos da Escola?

 Esta é a primeira grande decisão da actual maioria. Mas é também o primeiro grande recuo de Joana Lima enquanto presidente de Câmara. Que razões estiveram na origem deste recuo? Porque votou favoravelmente outra localização há cerca de 3 anos? De que forma teve em consideração a opinião dos trofenses durante a consulta pública? Quem são os grande beneficiados com esta opção? De que forma pretende acautelar a coesão do concelho? Não vai esta opção aproximar ainda mais as populações de S. Mamede, do Muro, de S. Romão e de Alvarelhos do concelho da Maia?

Enquanto estas interrogações não estiveram esclarecidas – e para mim não estão – considerarei que esta é uma opção que serve interesses diferentes do interesse da população da Trofa.

Jaime Toga

http://jaimetoga.blogspot.com/