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Edição 675

O preço da apatia

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No passado dia 3 de Julho, na sequência de uma publicação no blogue …e a Trofa é minha, que visava partilhar informação da autarquia sobre o programa Casa Segura, uma parceria entre a Polícia Municipal (PM) e a CM da Trofa, antigos operacionais da PM da Trofa surgiram na caixa de comentários, manifestando fortes dúvidas sobre o programa e revelando que a força havia sido reduzida de mais de 10 para dois agentes, número manifestamente insuficiente para executar qualquer programa de policiamento de proximidade, num concelho com 72km2 e cerca de 40 mil habitantes.

Confesso que tenho muita dificuldade em perceber como é que uma força de segurança com tão poucas unidades, que segundo pude apurar são 3 e não 2, comandante incluído, consegue desenvolver as suas actividades quotidianas, quanto mais levar a cabo um programa de policiamento de proximidade minimamente estruturado. Três pessoas (uma para cada 13,3 mil cidadãos trofenses) não fazem milagres, por muito bons que sejam a fazer o seu trabalho.

A minha dificuldade de compreensão aumenta substancialmente quando me deparo com os vários estágios remunerados, avenças e ajustes directos, que parecem desenhados à medida de militantes dos partidos no poder na Trofa, militantes esses que tiveram um papel particularmente activo na campanha eleitoral de 2017. Porque não tenho dúvidas que o concelho da Trofa precisa mais de polícias municipais do que de boys partidários. E se há dinheiro para tachos e favores, porque não optar antes por reforçar a Polícia Municipal? Não haverá outra forma de pagar lealdades políticas, que seja menos custosa para o endividado erário público trofense?

São as prioridades que temos, num concelho onde a criminalidade parece aumentar, onde os assaltos a carros no centro da Trofa são constantes e onde os actos de delinquência se multiplicam. Num concelho onde há dinheiro para avenças chorudas, para financiar folhetins partidários travestidos de órgãos de comunicação social e manobras de propaganda pré-eleitoral, como o almoço sem precedentes que há um ano foi oferecido a centenas de idosos do concelho na Quinta da Malafaia, a um mês das eleições autárquicas, e que contou com a presença da elite política local em peso.

Faz falta, é minha forte convicção, um movimento organizado de cidadãos trofenses, capazes de monitorizar a forma como o nosso dinheiro é gasto, pressionando, desta forma, a actividade dos responsáveis políticos locais.

Um movimento imune aos polvos partidários, que assuma um compromisso, sem reservas, com o superior interesse da Trofa e dos trofenses. Um movimento acima dos partidos e das batalhas eleitorais, construído a pensar no futuro e não nas próximas eleições, que escrutine qualquer responsável político e não apenas os que não professam os seus ideais. Porque só uma sociedade organizada e consciente da sua condição será capaz de lutar contra a má despesa pública, contra os arranjos partidários e contra as obras públicas inflacionadas.

Até lá, continuaremos a pagar o elevado preço da nossa apatia.

Continuaremos a assistir ao mesmo despesismo, ao mesmo festim de cargos e favores, à mesma negligência, sabendo, lá no fundo, que nada disso é necessariamente inevitável. Continuaremos a dizer que são todos iguais, que os que virão a seguir serão iguais ou piores e que nada podemos fazer contra tão poderosas individualidades. E continuaremos a saber, bem lá no fundo, que nada disso é verdade. Porque somos muito mais do que julgamos. Muito mais e muitos mais.

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Edição 675

Memórias e Histórias da Trofa: “A Gripe Espanhola no Vale do Ave”

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O Rio Ave fez nascer em seu torno o “Vale do Ave” que se destacaram pelo seu enorme dinamismo económico, uma das zonas mais industrializadas do país.

As fracas condições de vida da classe operária com os operários a viverem miseravelmente em habitações sem condições e a fraca alimentação contribuiu de forma decisiva para o desenvolvimento da epidemia.

No município famalicenses nas freguesias de maior desenvolvimento industrial (Delães, Bairro, etc. etc.) na fase mais elevada da propagação ultrapassava os oitocentos infetados. Um número nefasto, próximo do cataclismo em muito superior à população de muitas das freguesias.

No meio rural deverá ser destacada a mentalidade, nos meios rurais havia uma tendência de pertença a uma família mais intensa e muitos dos enfermos preferiam ficar em casa em vez de rumarem ao hospital e estando a viver no mesmo espaço da sua família facilmente a doença encontrava um terreno favorável para a sua propagação.

Na perspetiva de compreender as lacunas no Vale do Ave, na área do município de Vila Nova de Famalicão com perto de quarenta mil habitantes havia apenas seis médicos para prestar assistência a toda a população.

A vida da maioria dos operários era miserável e ocorria com elevada facilidade o surgimento de cadáveres em casas de operários. Uma das situações passou-se na cidade de Guimarães com uma das vítimas mortais da doença a ser encontrada com vários filhos em seu torno, inclusivamente com dois filhos de pouco tempo de vida no seu regaço.

O impacto da epidemia nos meios industriais era enorme, provocava por vezes situações surrealistas com o jornal, A Semana Tirsense, a anunciar nas suas páginas a 6 de outubro de 1918 que o jornal ao invés de ter as habituais quatro páginas tinha apenas duas, porque a maioria dos funcionários da sua gráfica estavam doentes e não foi possível manter o nível de trabalho das edições anteriores.

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O número de mortos era elevado e na tentativa de diminuir as ondas de pânico na população, optou-se por não tocar os sinos no momento das cerimónias fúnebres para que a própria população não se apercebesse do real número de mortos e a real dimensão da tragédia que os rodeava.

Havia situações inusitadas, enormes fogueiras nas cidades com ramos de eucalipto para tentar erradicar a doença, na realidade acabariam os casos de doença nas zonas onde se realizava essa prática por diminuírem os novos casos. Comum ver em Famalicão essa prática a decorrer por várias semanas.

Na tentativa de bloquear o avanço da doença eram por vezes tomadas medidas drásticas, no concelho de Guimarães foram proibidas em 1918 as celebrações religiosas para evitar a propagação de doenças.

Na ausência de respostas por parte da ciência no momento critico de propagação da epidemia, conduziu a que muitos habitantes de várias localidades optassem por realizarem procissões em honra do Mártir D. Sebastião pelas ruas da sua localidade para com ajuda do divino ser possível extinguir a doença. Momentos de enorme desespero das populações que procuravam uma solução divina.

José Pedro Maia Reis

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NO PÓ DOS ARQUIVOS… Rev. Hilário António de Faria

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Rev. Hilário António de Faria
11/10/1717 (S. M. Covelas) – 13/05/1794 (S. M. Bougado)

Calaram-se as bandas e os foguetes. Desceram-se os mastros e os arcos. Desligaram-se as luzes. Guardaram-se as bandeiras e as opas. Desfizeram-se os andores. Terminaram as Festas de Nossa Senhora das Dores. Continuará – porque se manterá por anos e séculos! – a «especial devoção que os moradores da freguesia de S. Martinho de Bougado têm a Nossa Senhora das Dores». Continuará a Capela. Também a memória do Abade Inácio Pimentel e do Conde de São Bento, promotores da sua construção e ampliação.

Seria estulta a pretensão de restringir a um lugar secundário o contributo do Abade Inácio Pimentel. Longe de mim! Tendo ele ingressado, em 1723, na Congregação do Oratório do Porto, e tendo sido «o culto de Nossa Senhora das Dores difundido pelos Oratorianos, durante o século XVIII», são factos que sustentam o seu inquestionável desvelo pela construção da capela de Nossa Senhora das Dores. Mais do que o procedimento normal, que é o de relacionar o facto com o nome do superior hierárquico, ainda que, apenas à data, ocupe o cargo. Bem conheço o que escreveram, a propósito, Pereira da Silva e António Cruz, a cuja memória me curvo, pelos seus conhecimentos. E também outros, em recente publicação evocativa dos 250 anos da construção da Capela de Nossa Senhora das Dores: Napoleão Ribeiro e Laura Silva, do Gabinete do Património Cultural, e Graciete Teixeira, do Arquivo Municipal.

Isto não invalida, porém, que admita que o «padre coadjutor P.e Hilário António de Faria» tenha abraçado, de todo o coração, o «desejo de erigir uma capela de Nossa Senhora das Dores, no lugar chamado Monte da Carriça». Pendo a crer que o Rev. Hilário António de Faria tenha sido o redactor da petição «dos moradores da freguesia». Também ele o era e foi durante quase meio século, de 1746 a 1794. Petição que, em Junho de 1766, entrara na Diocese do Porto. Diocese sem bispo, à data, acrescente-se.

Depois do falecimento do Bispo D. Fr. José Maria da Fonseca e Évora (16 de Junho de 1752), só em 31 de Agosto de 1756, após se conservar a sé vaga durante quatro anos, foi nomeado o Bispo D. Fr. António de Sousa.

Para o Rev. Hilário António de Faria foi a paróquia de São Martinho, não de Covelas, onde nasceu, mas de Bougado, a paróquia da sua vida. Aqui permaneceu 48 anos, igualando a soma da duração da paroquialidade do Abade Francisco Pimentel (24 ) mais a do Abade Inácio Pimentel (24). A sua actividade pastoral em São Martinho de Bougado ter-se-á iniciado dois anos antes da data que lhe tem sido atribuída, 1748. Os assentos paroquiais comprovam-no. Em 31 de Janeiro de 1746 se receberam os nubentes André de Azevedo, da Aldeia de Real, e Maria Domingues, da freguesia de Ribeirão. No dia 7 de Agosto de 1746 foi baptizado Manuel, filho de Manuel de Azevedo e de sua mulher Ana Domingues, da Aldeia de Paradela. Nos dois assentos, assinou, como testemunha, o P.e Hilário António de Faria, Coadjutor. O Reverendo Padre Hilário António de Faria, natural de Covelas e morador em São Martinho de Bougado, faleceu no dia 13 de Maio de 1794.
(Paróquia de São Martinho de Bougado. Assentos de Óbitos, 4 – 1029)
Tempo que bonda para que sinta, como seus, os desejos dos moradores da freguesia. Como eles, «o desejo de erigir uma capela de Nossa Senhora das Dores»!

Assento do baptismo de Hilário:
Hilário, filho de Domingos António e de sua mulher Margarida Duarte, da aldeia de Lemende, desta freguesia de São Martinho de Covelas, nasceu aos onze dias do mês de Outubro de mil setecentos e dezassete e foi baptizado aos dezassete dias do mesmo mês. Foram padrinhos, eu, Abade, por nomeação de seus pais, e Maria, filha de Francisco da Silva, do lugar de Outeirô, desta freguesia, e testemunhas João Domingues e João António, do lugar de Lemende, e a maior parte da freguesia. Eu, Abade que o baptizei, dia, mês, e era ut supra. O Abade Hilário Luís da Silva.
(Paróquia de São Martinho de Covelas. Assentos de Baptismos, 2 – 618)

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