Embora o Governo Socialista do Eng. José Sócrates, se esforce para passar uma imagem de sucesso junto da opinião pública, e o crescimento da economia portuguesa ter sido de 1,3%, mesmo assim uma décima abaixo das previsões oficiais do Governo e metade dos 2,6% de crescimento médio registado na zona euro, o ano de 2006 continuou na senda do afastamento face aos nossos parceiros europeus, infelizmente para Portugal e para os Portugueses.

     A aceleração das exportações no ano passado, não evitou o agravamento do défice de Portugal com o exterior. No ano de 2006 a saída de produtos portugueses para o exterior aumentou 12,4%, comparativamente ao ano anterior, enquanto as entradas cresceram 8%, permitindo assim, a taxa de cobertura atingisse os 62,5%, em vez de 65%. Mesmo com valores positivos, esta melhoria não evitou no entanto que o défice aumentasse 0,7% face a 2005, agravando-se em mais de 125 milhões de euros.

 jose moreira da silva.jpg    Com um valor acumulado de perto de 20 mil milhões de euros de défice com o exterior, cerca de 13,5 mil milhões (72,5% do total), devem-se ao desequilíbrio das trocas comerciais com os nossos parceiros da União Europeia.

     A melhoria relativa do nosso comércio externo, deveu-se sobretudo, às trocas comerciais com países exteriores à União Europeia, com os quais se registou um subida de perto de 27% nas exportações, mais que duplicando o aumento de quase 12% das importações, apesar da variação do preço do petróleo que em meados do ano passado atingiu os 80 dólares por barril, com um fortíssimo impacto na nossa balança de pagamentos.

     As entradas de combustíveis e lubrificantes aumentaram mais de 13%, liderando a lista das maiores subidas. Do lado das importações, de salientar os fortes aumentos na venda ao exterior de combustíveis e lubrificantes que aumentaram quase 50%, as máquinas e equipamentos, viram os seus números aumentar em 22% e os fornecimentos industriais em 15%, embora nos três meses finais do ano passado, registaram-se sinais de abrandamento do nosso comércio externo com os mercados fora da zona euro.

      Para além de falhar a meta oficial em que o Governo apostava, o ano de 2006 marca assim o ano de maior divergência face aos nossos parceiros do euro desde a última recessão que foi registada no ano de 2003.

     Pelo sexto ano consecutivo de afastamento, face à média europeia, mas o segundo em termos de amplitude, a economia portuguesa continuou a perder terreno pois enquanto os nossos parceiros da zona euro progrediam 0,8%, Portugal "afundou-se" com 1,1% negativo e o ano de 2006, foi em termos de divergência face à Europa, o pior ano desde a referida recessão, com a economia portuguesa a perder 1,3% em termos de crescimento.

     O ritmo lento da nossa economia é justificado pelo forte abrandamento da procura interna, que no ano de 2006 cresceu 0,2% contra 0,9% em 2005. O consumo privado subiu 1,1%, metade do ritmo registado um ano antes, e o consumo público baixou 0,3%, contra o ganho de 2,3% do ano anterior. Quanto ao investimento privado, registou-se em 2006 uma descida de 1,7% depois do forte recua de 3,8% de 2005.

     A política económica e financeira que o actual governo está a levar a cabo, só pode levar o País a uma situação de mais desemprego, à redução de actividade ou mesmo ao fecho de mais empresas. O crescimento económico de qualquer país, depende do crescimento do mercado, da existência de pessoas com capacidade de compra e que estejam interessadas em adquirir serviços e bens produzidos no nosso País. E isto porque as empresas produzem para vender, e se não encontram quem adquira a sua produção, reduzem a sua actividade ou mesmo fecham. A base para a sustentação da actividade económica, e mesmo para o seu crescimento, em momentos de redução, deveria ser precisamente, a animação do mercado interno.

     A animação da economia faz-se pelo investimento e pelo aumento do poder de compra da população, que o contrário do que faz a governação Socialista.

         José Maria Moreira da Silva

     moreira.da.silva@sapo.pt