A táctica da vitimização, não sendo nova, é usada com frequência quando começam a faltar argumentos mais válidos.

É o que parece estar a acontecer na Trofa.

Sendo inaceitável o conjunto de acusações a autarcas e seus familiares que são feitas de forma anónima, não deixa de ser questionável a forma como o(s) visado(s) age(m).

jaime togaPode-se dizer que “saiu o tiro pela culatra” ao(s) anónimo(s) responsável(is) por tais acusações. Mas importa também questionar o comportamento dos acusados.

É questionável, mas provavelmente aceitável, que a Câmara Municipal pague anúncios nos jornais locais para repor a verdade e defender o presidente da Câmara.

Não chega?

Há quem pense que não. Está em preparação um jantar dito de “desagravo”, por cinco euros.

Sobre este jantar, importa questionar duas coisas: primeiro a sua necessidade, depois o custo – cinco euros por pessoa. Será que ainda é possível conseguir estes preços? Ou há alguém que quer evidenciar a sua solidariedade e o seu apoio que vai ao ponto de pagar uns milhares de euros?

Além disto, é natural a interrogação porquê de um jantar de desagravo só em relação ao presidente da Câmara? E os outros (muitos) visados nas denuncias anónimas? Terão direito a mais jantares? Serão ignorados? Não merecem solidariedade dos promotores?

 

Depois da trapalhada sobre os paços do concelho, que ainda não terminou, parece não haver nada mais importante para a Trofa para mobilizar a população e as colectividades. Parece que estão cumpridos os compromissos eleitorais que Bernardino Vasconcelos assumiu com a Trofa na sua primeira eleição, em 2001. Parece que a promessa da Esquadra da PSP está cumprida. Parece que o Parque das Azenhas já é uma realidade. Parece que existe uma rede pública de creches e centros de dia no concelho. Parece que o desemprego na Trofa não é superior a 16%. Parece que ao fim de mais de 10 anos de concelho já temos os limites definidos. Parece que falta assunto mais importante às oito freguesias.

Mas não. O que falta é obra para mostrar, por isso interessa agarrar este panfleto cobarde e tentar fazê-lo reverter a favor de quem não conseguiu cumprir com o que prometeu há já longo tempo.

 

Para mim, é inegável o aproveitamento eleitoral deste panfleto.

Cada um assume os actos da forma que lhe parecem mais correctos. Porventura há quem ache que esta é a atitude correcta. Certamente muitos acharão que a justiça tem o seu espaço próprio e que aos políticos cabe o papel da excussão da obra que falta à Trofa, e falta muita!

 

Jaime Toga