Com as suas gentes afastadas do poder em Lisboa, arredadas pelo normal funcionamento da democracia representativa que muitos destes autoproclamados sociais-democratas hoje desprezam e rejeitam, as concelhias da Trofa e da Maia do PSD emitiram um comunicado conjunto onde demonstram toda a sua revolta pelo facto do actual governo manter a mesma linha que o anterior no que diz respeito à extensão do metro até ao nosso concelho.
É importante que todos os trofenses percebam, e isto é factual, que os avanços decorridos durante a vigência do governo de Passos Coelho e Paulo Portas, no que ao dossier do metro dizem respeito, foram nada mais nada menos que absolutamente nenhuns. Zero. Rigorosamente nada.
Mas algo mudou e o PSD já não manda no Terreiro do Paço. Vai daí, aqueles que se mantiveram em silêncio durante os quatro anos de vigência do governo da coligação PSD/CDS-PP, período durante o qual nada aconteceu que tivesse potenciado o projecto do metro, põem-se agora em bicos de pés e insurgem-se contra as declarações infelizes do ministro do Ambiente que considerou que a extensão da linha do metro à Trofa está em paridade com outras obras de fases posteriores. Como se isso fosse alguma novidade ou algo tivesse mudado. O interessante é que, a poucos dias das Legislativas, Pedro Passos Coelho foi questionado pela TrofaTv sobre o avanço da obra do metro. A resposta, clara e objectiva, não deixou margem para dúvidas: “não está em cima da mesa”. E onde estavam os indignados de ocasião do PSD? No mesmo lugar que os avanços deste dossier que decorreram durante o governo Passos/Portas: em lado nenhum.
A luta pela reposição da justiça que simboliza a chegada do metro até à Trofa é uma luta que envolve dois tipos distintos de trofenses: aqueles que querem a obra concretizada por amor à sua terra, por ser uma questão de justiça e porque a Trofa a merece, independentemente de serem laranjas, vermelhos, cor-de-rosa ou de cor nenhuma, e hipócritas calculistas que querem, antes de mais, colher os proveitos políticos que resultam da sua postura ziguezagueante, despida de coluna vertebral, que coloca o partido sempre em primeiro lugar e para quem o metro não passa de uma questão instrumentalizável. Um meio para atingir um fim: poder.
É triste, muito triste, assistir ao despudor e à hipocrisia destes moralistas que se remetem ao silêncio e às críticas tímidas quando o metro é ignorado pelos seus em Lisboa para, assim que o poder lhes escapa para os seus adversários, se transformarem em autênticos revolucionários indignados como se algo tivesse verdadeiramente mudado. Mas a única coisa que mudou foram as instruções que lhes foram dadas e o superior interesse do partido. São os falsos bairristas e de si querem apenas uma coisa: o seu voto.