O Largo do Cruzeiro, para quem não se esteja a situar, é aquela espécie de cruzamento de várias estradas, com um cruzeiro bem no centro, que fica ali a meio do caminho entre a Igreja Matriz e o cemitério de São Martinho de Bougado.

Cada vez mais central, principalmente desde a construção da Alameda da Estação, o Largo do Cruzeiro é uma zona bastante movimentada, à volta do qual se concentram vários serviços de elevada procura, como o Cartório do Registo Civil, a Estação dos CTT e as Finanças.

O movimento desta zona, contudo, não se esgota nos serviços ali situados. Não só se encontra numa situação paralela ao corredor central da cidade, como é passagem obrigatória para cortejos fúnebres e para fiéis católicos que optam por ir à missa na Igreja Matriz. Existem ali vários cafés e lojas, a sede da Cruz Vermelha da Trofa, a Casa Paroquial, o quartel dos Bombeiros mais abaixo, e, mais recentemente, a sede do Grupo Vigent, casa-mãe de empresas como a Metalogalva ou a Brasmar.

Esclarecidos que estamos sobre a centralidade e importância do Largo do Cruzeiro, onde, durante a semana, vale tudo para estacionar viaturas, seja em cima dos passeios, seja literalmente no meio da ambígua faixa de rodagem, apesar da abundância de estacionamento nas imediações e sem que as autoridades e gestão local levantem um dedo para alterar tal situação, a questão que se impõe: para quando uma intervenção camarária naquela zona?

O piso, de um paralelo irregular com falhas que mais parecem buracos, é absolutamente impróprio para peões. A falta de civismo de alguns, que os leva a estacionar em qualquer sítio, torna a vida desses mesmos peões ainda mais difícil. A ausência de marcações naquela massa imensa de estrada, que ninguém percebe muito bem, leva a situações confusas e ao ocasional acidente rodoviário. Atravessar a estrada, para quem está, por exemplo, na Cruz Vermelha, e pretende passar para a Conservatória, é um exercício arriscado. Não existe uma passadeira nas imediações. Não há visibilidade. Quase não existe sinalização.

Recentemente, foram efectuadas obras naquela zona. Foi derrubado o muro ao longo da Rua Monge Pedro, rua que viu o seu pavimento parcialmente requalificado, e criados vários lugares de estacionamento, que ainda assim parecem não ser suficientes para aqueles que continuam a estacionar no meio da estrada, mesmo à volta do cruzeiro, como se nada fosse. O Largo do Cruzeiro, contudo, manteve-se disfuncional e perigoso. Em suma, a vergonha que é há décadas, ilustrativa da inércia que caracteriza 20 anos de gestão autárquica medíocre.

Estranhamente (ou talvez não), 20 anos após a criação do concelho da Trofa, não houve um único autarca que tenha tido a preocupação de requalificar aquela zona, onde de resto quase todos fizeram campanha eleitoral. O actual executivo, que não se cansa de falar nas contas que colocou em ordem, sem nunca fazer referência a quem negociou e quem beneficiou do PAEL, ou fazendo de conta que a elevadíssima carga fiscal que pende sobre todos os trofenses não é, única e exclusivamente, uma opção política muito clara do executivo Sérgio Humberto, não mexeu, em 6 anos, uma palha que fosse para alterar aquele estado de coisas. Talvez mais perto das próximas Autárquicas, ou até como trunfo eleitoral para as Legislativas deste ano, tenhamos alguma novidade sobre este tema. Até lá, o futuro continuará a não passar pelo Largo do Cruzeiro. Só a vergonha e o perigo constante para todos os que ali passam diariamente.