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Edição 693

Movimento Por Santiago foi a Lisboa “buscar a freguesia”

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A chamada casa da democracia recebeu os 11 elementos do Movimento por Santiago de Bougado que reuniram, a 8 de maio, com os deputados dos grupos parlamentares com assento na Assembleia da República. Foi com sentimento de esperança e dever cumprido que saíram de Lisboa, depois de terem visto como “bem acolhida por todos os grupos parlamentares com quem reunimos e a quem apresentamos as nossas reivindicações” adiantou António Pontes, porta-voz do Movimento.

As respostas aos pedidos de audiência endereçados pelo Movimento Por Santiago de Bougado, criado em 2018, para lutar pela desagregação da Freguesia, não tardaram em chegar. Os grupos parlamentares do PSD, Bloco de Esquerda, CDS-PP, PCP, PEV e PS receberam, em audiência, na tarde de 8 de maio, os 11 elementos que compõem o Movimento Por Santiago de Bougado que luta pela desagregação da sua freguesia.

Os representantes dos grupos parlamentares receberam os representantes do movimento logo ao início da tarde de quarta-feira, com a deputada Germana Rocha, do Partido Social Democrata, a ser a primeira a abrir as portas e a mostrar-se “sensível” aos argumentos e à causa da desagregação de Santiago de Bougado. A representante do PSD garantiu que há consciência de que algumas das agregações não resultaram” e que “é legítimo que estas aspirações de desagregação sejam atendidas nos casos em que, após se conhecer a legislação proposta pelo Governo, e que o PSD não conhece, senão pelas notícias vindas a público pela comunicação social, se possa corrigir algumas das situações”, referindo-se ao caso de Santiago de Bougado.

Germana Rocha ouviu com atenção os argumentos invocados e garantiu que o PSD vai estar ao lado das populações, empenhado para que a vontade popular seja respeitada tendo em contra a legislação que for aprovada.

Depois do PSD seguiu-se o PCP, com a deputada Diana Ferreira a reiterar o apoio do Partido Comunista à desagregação de todas as freguesias que o pretenderem”, reiterando que “esta foi sempre a posição do PCP, que sempre se manifestou contra esta imposição, contra a vontade das populações”. Diana Ferreira lembrou as posições públicas tomadas pelo partido sobre esta matéria e disponibilizou o apoio dos comunistas para votarem pela desagregação de Santiago, mostrando-se sensível aos argumentos apresentados.

A tarde prometia ser longa na Assembleia da República no dia em que se discutia de forma acesa no plenário, mas nem isso impediu que o Bloco de Esquerda (BE) através do deputado Pedro Soares, ouvisse as reivindicações do Movimento, confirmando assim estar “ao lado das pretensões de desagregação, defendendo a reversão total das freguesias agregadas em 2013 pela Lei que ficou conhecida como Lei Relvas”.

Já do grupo parlamentar do CDS-PP Álvaro Castello Branco recebeu parte dos elementos do Movimento, que teve de se dividir entre esta e a reunião com o BE, mostrou que o seu partido está “sensível” aos argumentos de Santiago de Bougado para justificar a desagregação e reiterou a disponibilidade do CDS em apoiar a vontade popular” deixando algumas recomendações.

Os socialistas fizeram-se representar na reunião com os Bougadenses pela deputada trofense Joana Lima e por Renato Sampaio, ambos eleitos pelo círculo eleitoral do Porto que anunciaram aos elementos do movimento que “a proposta de lei do Governo está já em análise na ANAFRE

No documento estão vertidos critérios que devem ser cumpridos pelas freguesias que se queiram desagregar”. Os socialistas reiteraram o compromisso assumido pelo PS em corrigir “os erros do passado” e a prova disso é a proposta enviada à ANAFRE. Já Joana Lima lembrou que é “legítima esta pretensão e que tal como a agregação de Santiago de Bougado não foi aprovada pela população, também a de Guidões foi reprovada pelos Guidoenses, que lutam desde 2012 pela sua freguesia”, garantindo: “Estou ao lado dos Bougadenses e dos Guidoenses”.

A terminar a ronda, os elementos do serviço de apoio do Partido Ecologista Os Verdes, através da candidata a euro-deputada Mariana Silva e Joaquim Correia, ouviram atentamente os argumentos pela boca de António Pontes, que fez questão de elencar, lembrando a identidade, a história, o cariz de ruralidade e diferenciador de Santiago de Bougado em relação à freguesia de S. Martinho de Bougado, assim como a diversidade latente entre a população das duas freguesias que foram obrigadas a unir-se em 2013”.

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António Pontes e Manuel Rodrigues, que desempenharam as funções de porta-voz nas reuniões com os grupos parlamentares, lembraram aos deputados que “a agregação fez acentuar a tendência de declínio e desertificação que está a fazer com que os jovens de Santiago “fujam” do concelho da Trofa, fixando-se nas freguesias de Ribeirão e Fradelos, no concelho de Vila Nova de Famalicão”. Outro dos argumentos elencados é que, com a agregação “foi criada uma unidade político-administrativa macrocéfala que afeta a coesão e desenvolvimento territorial do próprio concelho da Trofa e que estiveram subjacentes à luta pela autonomia administrativa da Trofa e que culminou, em 1998 com a criação do Município da Trofa”.

No final da viagem os elementos que compõe o Movimento Por Santiago de Bougado regressaram à sua freguesia com o “sentimento de dever cumprido “ e reiteraram a convicção de que está ultrapassado mais um degrau que vai levar Santiago de Bougado à independência político-administrativa para que em 2021, nas próximas eleições autárquicas possam voltar a eleger um presidente de Junta de Santiago de Bougado e não da união de freguesias”.

Os elementos do Movimento voltaram a deixar claro que se trata não “de uma crítica ao executivo que neste momento está no poder ou ao trabalho que têm vindo a desenvolver mas realçando a necessidade de terem “um presidente de junta preocupado em resolver os problemas da população de Santiago, que são muito diferentes dos problemas da população de S. Martinho de Bougado”.

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António da Costa Ferreira (1879-1937): Um dos primeiros empreendedores trofenses do Século XX

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António da Costa Ferreira nasceu a 14 de maio de 1879, no Paranho, freguesia de São Martinho de Bougado. Era filho de António da Costa Ferreira e de Maria da Costa Dias. Descendente de pais humildes – o pai foi emigrante no Brasil -, nasceu para o progresso e prosperidade da sua terra.

Fez-se comerciante. O pai tinha-lhe deixado uma loja de mercearia que ele alargou a fazendas e miudezas. Entretanto, como as fazendas não se vendiam, resolveu contratar um alfaiate. Estabelecido o alfaiate, começou a vender. Como havia nesta região apenas uma fábrica e era de serração, resolveu arriscar. Primeiro fundou a empresa com dois sócios- Manuel Campos e Alfredo da Costa Peniche- e deu-lhe a designação de Costa, Campos & Ferreira e destinava-se a fabrico de chapéus de feltro. Esta fábrica situava-se na zona do atual Largo Costa Ferreira e foi inaugurada em 1 de setembro de 1913.

A seguir, ajudou (em 1922) a fundar a Moagem- a terceira fábrica em São Martinho de Bougado -, na Avenida de Paradela. E finalmente, esteve ligado, nesta região, a uma fábrica de Tecidos e Serração, situada junto à Avenida de Paradela, cujo nome se designava por Monteiro, Carvalho & Portela.

Casou com Francelina da Silva e Sá, também natural de São Martinho de Bougado.

António da Costa Ferreira era um homem justo e extremamente sensível à necessidade do próximo. Foi um dos fundadores do Clube Trofense. Chegou a vereador e até a vice-presidente da Câmara de Santo Tirso.

Quando ainda não havia movimentos ambientalistas, ele foi um dos que se opôs ao abate de centenárias árvores (plátanos), junto à ponte do Rio Ave (Santo Tirso), erguendo a sua voz, determinada e persuasiva, nestes termos: “-O quê?… Destruir aquilo que demorou tantos anos a criar? Não. Não pensem nisso. Cuidem de plantar mais, isso é que é necessário.”

E os plátanos ainda hoje lá estão… velhinhos. Foi também um dos grandes impulsionadores e defensores da abertura da agora chamada Avenida de Paradela.

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Costa Ferreira era um político republicano convicto, mas punha a amizade entre as pessoas à frente do credo político. Como grande visionário que era, e crente num futuro promissor para a Trofa, era voz corrente(vox populi) ao longo dos anos setenta, oitenta e até noventa do século passado, de que a sua casa , construída no largo que agora tem o seu nome, fora concebida e predestinada para os futuros Paços do Concelho… da Trofa.

Este bairrista trofense faleceu a 17 de março de 1937, antes de completar a sua obra: deixou por acabar a obra planificada e projetada de alindamento, leia-se, arborização do Parque de Nossa Senhora das Dores, assim como já não teve tempo de construir o hotel que chegou a elaborar em projeto.

António Costa

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Casa cheia na apresentação do “Voluntariado pelo mundo”

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Foi num ambiente intimista e de partilha de vivências que Silvano Lopes apresentou o livro “Voluntariado pelo Mundo”, a 3 de maio, na sede do Clube Slotcar da Trofa.

Foi com a casa cheia e entre dois amigos de longa data, João Mendes e Francisco Barros, que Silvano emocionou a plateia com as histórias que viveu nos países onde fez voluntariado, Camboja, Guiné-Bissau e Quénia, terras longínquas, onde a água potável e a eletricidade são considerados bens de luxo.

A pobreza extrema esteve sempre presente em todas as missões realizadas pelo trofense, que partiu com o principal objetivo de fotografar as disparidades que existem entre o os países em vias de desenvolvimento e a Europa, para que essas imagens pudessem ajudar a divulgar o trabalho das associações que apoiam as comunidades dessas nações e, quem sabe, despertar mentalidades.

Ao longo da apresentação, Silvano contou que, em todas as missões que abraçou, vivia da mesma forma e comia exatamente o mesmo que os habitantes locais, documentando que quando chegavam, os voluntários eram recebidos como “reis” e imediatamente a comunidade lhes oferecia a comida, que, em sinal de respeito, aceitavam. “Experimentei larvas e gafanhotos. Eu gostava muito das larvas. São parecidas com as tripas”, referiu, causando alguma agitação e muitos sorrisos na plateia.

Entre risos de nervosismo e alegria pelo momento que estava a viver a apresentar o livro, o trofense confessou que foi uma enorme dificuldade compor o livro, visto que nunca teve esse propósito e uma vez que sua memória e sentido cronológico “falham bastante”. No entanto, adotou o conceito de “registo fotográfico”, que acabou “ilustrado com palavras” do amigo e escritor João Mendes, que aceitou de imediato esse desafio.

No meio da plateia a assistir, estava outro amigo de Silvano, Miguel, que também partilhou algumas das suas experiências de voluntariado com o público.

No final, foram várias as pessoas que compraram o livro e se deixaram contagiar pelas histórias de quem ajuda os outros.

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O livro, editado pela Chiado, é a primeira aventura de Silvano no mundo da escrita.

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