O vocábulo «imperialismo» nasceu em meados do século XIX e desde o seu início teve uma conotação pejorativa, em virtude de ter sido associado ao regime de Napoleão III, um regime que era quase sinónimo de «despotismo». Mais tarde, o termo «imperialismo» foi relacionado com a política externa do Império Britânico, antes de ser difundido para descrever o «colonialismo» das potências mundiais. A palavra «imperialismo» é recente e pode definir-se como «a tendência, mais ou menos organizada, para criar, constituir e manter um império».

A consolidação do termo «imperialismo» fez-se em finais do século XIX, como consequência do Tratado de Berlim, em 1878, em que certas zonas da Ásia e da África foram atribuídas às várias potências europeias. A tendência fundada no instinto de conservação dos impérios levou a que os seus povos tivessem um instinto coletivo de vontade de poder e de agressividade para com outros povos de outros países ou de outros Estados.

O império implica a ideia de um domínio por conquista, anexação ou associação e pode revestir-se de várias formas, entre outras: territorial; política; económica ou cultural. Um império territorial pode construir-se num espaço geográfico descontínuo, como o império britânico, ou contínuo como é o império russo ou o antigo império soviético, que se estendeu por mais de 22 milhões de quilómetros quadrados.

No final do século XIX, um grande defensor da ideia do imperialismo, o britânico Cecil Rhodes (1853-1902), homem de negócios e político, afirmava que o império era uma questão de «estômago» e que se deveriam conquistar novas terras que pudessem dar desafogo à população britânica.

Os países imperialistas dominaram, exploraram e agrediram os povos de quase todo o planeta. A política imperialista provocou muitos conflitos ao longo dos tempos, como as Guerras do Ópio na China (conflitos armados ocorridos entre a Grã-Bretanha e a China, provocados pelo controlo do comércio do porto de Cantão, nos anos 1839-1842 e 1856-1860), a Revolução dos Cipaios na Índia (rebeliões armadas contra a ocupação britânica, em 1857 e 1858), a Guerra entre o Japão e a China (uma guerra que tinha como fundamento o controlo da Coreia, nos anos 1894-1895), a Guerra Hispano-Americana (1898), uma guerra entre os Estados Unidos da América e a Espanha, relacionada com a Guerra de Independência de Cuba, que popularizou o termo «imperialismo americano».

No final do século XIX e início do século XX, os países imperialistas lançaram-se numa corrida fervorosa pela conquista global, desencadeando uma rivalidade entre os mesmos. Essa rivalidade tornou-se o principal motivo da Primeira e Segunda Guerra Mundial. No pós-Guerra Mundial, veio a «Guerra Fria» e com ela, o termo «Império Soviético» começou a referir-se à influência da União Soviética ao longo de um número significativo de nações espalhadas pelo mundo, que só se desmembrou, já no final do século XX, com a «Queda do Muro de Berlim» (1989), que representava a separação do mundo em dois blocos, um mundo bipolar.

O início do século XXI, que parecia ser uma época muito inóspita tanto para os impérios exteriores formais como para os Estados imperiais contíguos, fez renascer das cinzas uma Rússia cada vez mais forte, que paulatinamente começou a ampliar o seu Império (Federação Russa), com a Bielorrússia, Chechénia, Ossétia do Sul, Abecásia e depois com a anexação da Crimeia, desestabilizando países independentes e autónomos. O imperialismo expansionista russo é déspota. Foi assim no passado recente, está a sê-lo no presente e será assim no futuro. Um comportamento que não devia ter lugar no século XXI.

José Maria Moreira da Silva

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