A comunicação social tem voltado a falar do Metro do Porto, embora não pelos motivos que interessariam à Trofa. Contudo, parece-me oportuno lembrar algumas coisas sobre este processo.

Começo por lembrar que há responsáveis políticos pela não conclusão da ligação do Metro até à Trofa. Os responsáveis políticos são, evidentemente, os governantes do PS e do PSD/CDS que prometeram nas eleições uma coisa diferente do que fizeram após acederem ao poder.

O centro da Trofa está, como todos já constatamos, a mudar de cara com obras que estão associadas ao processo da ligação do Metro do Porto até à Trofa. Há cerca de 3 anos, tive oportunidade de escrever neste jornal que estas obras seriam aproveitadas pelo governo para nunca mais trazer o Metro até à Trofa, argumentando que estas obras compensariam pela retirada da ligação ferroviária (antiga “via estreita”). Escrevi nesse mesmo artigo que, desesperado por não ter obra para mostrar, o anterior executivo municipal se preparava para morder o isco aceitar as obras “amolecendo” na reivindicação da construção do troço de ligação entre a Trofa e o ISMAI.

Mas, o mediatismo que voltou a assumir o Metro do Porto nas últimas semanas deveu-se ao anúncio do lançamento, pelo governo, do processo de concessão dos transportes da Área Metropolitana do Porto (Metro do Porto e STCP). Anúncio que é feito a par do elogio do modelo de concessão já em vigor na empresa Metro do Porto.

No entanto, o elogio do modelo de concessão é feito sem explicar, em concreto, no que consiste. Não explicam os governantes, nem explicam os autarcas da Área Metropolitana do Porto que, “por consenso”, optaram por não se opor a esta medida do governo.

Por isso, importa que todos saibam o que é o modelo de concessão da Metro do Porto, que pretendem alargar à STCP. Era bom que se soubesse que, de forma resumida, este modelo consiste no pagamento pelo Estado de toda a infraestrutura, das composições e da dívida acumulada pela empresa, ficando para o privado a exploração do serviço com as inerentes receitas a que se juntam as indemnizações compensatórias pagas pelo Estado ao concessionário.

É, sem dúvida, um negócio claramente vantajoso para os privados, mas ruinoso para os cofres públicos, para o interesse nacional e para a própria região que se vê privada de novos investimentos e novas linhas pois os privados não têm interesse em fazê-la e o governo demite-se de assumir as suas responsabilidades.

Quando o Conselho Metropolitano (órgão onde todos os presidentes de Câmara estão representados) decidiu por consenso não se opor a este processo de concessão dos transportes públicos da Área Metropolitana do Porto, decidiu igualmente abdicar de lutar pelo Metro até à Trofa. Por ignorância, ou por desrespeito ao concelho a que preside, foi esta a posição de Sérgio Humberto.

 

Jaime Toga