No final de conflitos armados, já tem acontecido que os vencedores procedam a julgamentos(??) dos líderes dos vencidos.

Acontece em quase todos os finais das guerras e foi assim na guerra do Iraque.

Saddam Hussein, conhecido ditador e sanguinário, cujo poder se sustentou em grande parte pela eliminação física dos seus adversários, foi, no final do ano, executado pela forca.

Assim dito, parece que se fez justiça.

Mas, será assim?

Na minha opinião, Saddam Hussein foi assassinado. Foi tão assassinado como afonsopaixao.jpgaqueles que assassinou ou mandou assassinar.

O que dizer dum julgamento em que dois advogados de defesa foram assassinados.

Foi um julgamento em que um Juiz se demitiu por não ter condições para fazer um julgamento justo e imparcial.

Por que razão não foi feito um julgamento com pessoas imparciais e com os direitos de defesa que qualquer arguido deve ter em qualquer parte do mundo?

Depois da palhaçada que se verificou nesse pseudo julgamento, adivinhava-se qual seria a decisão, tanto mais que as pressões sobre os magistrados eram descaradas.

É assim, muitas vezes, a lógica dos vencedores.

Tal como Saddam foi condenado, alegadamente por centenas ou milhares de mortes, o que aconteceria se o desfecho desta guerra fosse outro. Se as forças de Saddam vencessem e Bush ou Blair fossem capturados?

Seria justo que tivessem um tribunal assim? Que os condenasse, sumariamente, sem direito a uma verdadeira defesa, pela morte de muitos milhares de inocentes, que morreram debaixo das bombas que lhes caíam em cima?

O Iraque vivia sob uma ditadura feroz, como muitas ditaduras e, em certo momento, a linha dura de Bush,, que alegando, despudoradamente, a existência de armas de destruição maciça, no Iraque, sabendo que não era verdade, invadiu este país soberano, com o apoio duns tantos líderes europeus que se lembraram que lhes era útil serem amigos da superpotência.

Esse tipo de pragmatismo, tão presente na natureza humana, faz dos fortes mais fortes e enfraquece os mais fracos.

Foi assim nesta guerra. Um país sem exército digno desse nome, sem um único avião, foi invadido por centenas de milhar de militares, armados até aos dentes, com as mais recentes tecnologias, depois de terem bombardeado até à destruição quase total do país.

Foram todos muito corajosos numa guerra desigual e em que nunca se soube realmente quais eram os objectivos, para além duma vingança pessoal de Bush dos tempos em que Hussein festejou a vitória de Clinton sobre Bush (pai).

O objectivo não era acabar com qualquer ameaça porque um país sem exército e sem armas não pode ser uma ameaça.

Não eram para terminar com a ditadura porque esta era apenas mais uma ditadura muito menos sanguinária do que muitas ditaduras apoiadas pelos Estados Unidos e seus apoiantes. Basta olhar à volta do Iraque.

Invadiram o país, mataram dezenas de milhar de inocentes (ou centenas de milhar) e deixaram uma guerra civil instalada onde continuarão a morrer dezenas ou centenas de inocentes todos os dias.

Haverá pior ditadura?

George W. Bush e seus apoiantes podem sentir-se orgulhosos pela sua obra.

E o terrorismo? Alguém pensa que diminuiu?

Como disse Mário Mesquita, em artigo de opinião publicado no último fim de semana: “prometeram aos norte americanos, após o 11 de Setembro, o corpo, vivo ou morto, de Osama Bin Laden. Ofereceram, em troca, o cadáver de Saddam Hussein. Não é a mesma coisa”.

Os próprios eleitores norte americanos já começaram a entender e os resultados eleitorais recentes, com uma derrota inequívoca do partido de Bush, não deixa dúvidas.

Afonso Paixão