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Depois de século e meio na dependência tirsense, os trofenses deram “asas” ao sonho de erguer as paredes de um novo concelho. Foi no histórico dia 19 de Novembro de 1998, hoje feriado municipal, que cerca de 123 autocarros e mais de 10 mil trofenses rumaram a Lisboa para ir buscar o concelho da Trofa.

A euforia começou logo cedo pela manhã com os altifalantes nos carros a anunciar a hora da partida. Uma verdadeira massa de trofenses a reivindicar o que é seu, um cortejo de ranchos e estandartes de diversas colectividades e associações da terra e enormes cartazes a proclamar o “Concelho da Trofa”. Este era o cenário que invadia a capital, enfeitada pelas milhares de bandeiras brancas com o desenho do novo município. Os trofenses deram corpo à marcha que os levaria a S. Bento, acompanhados pela orientação da PSP e animados pelo hino da Trofa que cantavam. Já em frente ao Palácio de S. Bento, a Banda de Música da Trofa, a Fanfarra de Escuteiros da Trofa e os ranchos folclóricos davam música aos lisboetas, enquanto a ansiedade começava a dominar as emoções, que duraram cerca de duas horas. Às 17.57 horas a Trofa já era concelho. O “fumo branco” anunciava a criação de um dos concelhos mais jovens do país e, em Lisboa, uma onda de euforia com lágrimas, beijos e abraços à mistura se debruçou pelo mar de gente, que nunca se separou das bandeiras agitadas e dos gritos “Viva a Trofa!”.

Numa das últimas reuniões da Comissão Promotora, ficou decidido que era necessário imprimir, com urgência, cartazes para serem colocados nas montras dos estabelecimentos comerciais com o recado: “No dia 19 estamos encerrados. Vamos a Lisboa buscar o Concelho”. Antecipando as implicações da manifestação que iria levar os trofenses a buscar o concelho a Lisboa, foi nomeado um grupo para a angariação de fundos. As despesas ultrapassaram as expectativas e feitas as contas depois da festa, concluiu-se que só nos 123 autocarros mobilizados foram gastos “12 mil e 500 contos”.