Luca Rosseti, como já havia feito em Istambul, impôs-se de forma categórica na edição de 2008 do Rali de Portugal, que este ano devido à rotatividade imposta pela FIA contava para o IRC (Intercontinental Rally Challenge). Num rali extremamente disputado (a liderança mudou sete vezes de mão) o único senão foi a ausência do público que inexplicavelmente não marcou presença no Algarve.

   A prova rainha do desporto automóvel português organizada pelo ACP e que se realizou nos dias 8, 9 e 10 de Maio, apresentava um aspecto desolador. Desde do parque de assistência ao Fun Park e até nas próprias especiais a ausência de publico era mais que notória. Já houve provas do Regional de Ralis com mais público, mas quem perdeu foram aqueles que ficaram em casa, porque assistiu-se a uma prova excepcional, emotiva como à muito não se via, com constantes alterações na liderança e com os pilotos a aproveitarem todos os centímetros dos troços para ganharem mais umas décimas de segundo.

Foi assim durante toda a 1ª etapa, mas nos ralis não conta apenas a máquina e o piloto, o factor sorte também ganha relevo quando se fala de furos e problemas mecânicos e neste campo Luca Rosseti (Peugeot 207 S2000) foi superior a todos, já que conseguiu a levar o seu Peugeot sem qualquer mácula até final e assim garantiu a 2ª vitória consecutiva no IRC.

Já Jan Kopecky e Nicolas Vouilloz, ambos em Peugeot 207 S2000 e segundo e terceiro lugares, respectivamente, no final do rali, passaram toda o prova a morder os calcanhares a Rosseti, mas na 2ª etapa inúmeros furos e alguns problemas com a mecânica traíram as aspirações destes pilotos quanto à vitoria final. Mas não foram os únicos a terem problemas, senão vejamos: Armindo Araújo (Mitsubishi Lancer) nem aqueceu ao ter problemas no turbo logo na 2ª especial, Anton Allen (Fiat Punto S2000) filho do grande campeão Marku Allen também se quedou pela 2ª especial ao ter problemas de transmissão, Francois Duval (Peugeot S2000) que estava a apenas 9 segundos do líder, desistiu com problemas num rolamento de uma roda e o "velhinho" Didier Auriol que até então estava a deliciar o público com grandes escorregadelas e travagens nos limites desistiu já perto do final com problemas no seu Fiat Punto S2000.

Quanto aos portugueses, Bruno Magalhães ainda chegou a sonhar com a vitória na geral, mas uma saída de estrada quando era primeiro no rali fez com que perdesse cerca de 3 minutos e assim deitou por terra todas as possibilidades de lutar pela vitória, mas mesmo assim ainda deu para terminar em 6º da geral e de ser o melhor português em prova. Em segundo terminou Fernando Peres (Mitsubushi Lancer) que com um "forcing" final, conseguiu ultrapassar Adruzilo Lopes (Subaru Impreza) que foi 3º e Vítor Pascoal (Peugeot 207 S2000) que foi 4º. O trofense Jorge Carvalho filho teve uma semana de sonho, "trocou" o Citroen C2 de Isaac Portela por um bem mais competitivo Mitsubishi Lancer e ainda vai fazer o resto da época do Mundial de Produção (PWRC) e do Campeonato de Portugal de Ralis ao lado do madeirense Bernardo Sousa. Pena foi que as coisas na estrada não corressem pela melhor, na 1ª etapa quando eram os melhores portugueses e já na ligação para o parque fechado um problema no radiador obrigou esta jovem dupla à desistência.

Na 2ª etapa e ao abrigo do sistema Super Rally voltaram à competição, mas por pouco tempo, já que uma saída de estrada acabou de vez com as hipóteses de alcançar um resultado positivo.

Jorge Carvalho pai, que se senta ao lado de Valter Gomes (Mitsubishi Lancer) teve uma prova para esquecer, sofreram um despiste na 1ª etapa para depois na 2ª terem problemas com o diferencial e assim não marcaram qualquer ponto para o Nacional de Ralis.

No Troféu C2 Paulo Antunes levou mais uma vez a melhor sobre a concorrência. De referir que a organização do rali voltou a dificultar o acesso dos espectadores às especiais. Nalguns casos, em locais perfeitamente seguros os espectadores eram colocados a mais de 10 metros de distância.

Miguel Mascarenhas

Marco Monteiro