O ano presente promete ser um ano animado, do ponto de vista político: vamos ter eleições para o Parlamento Europeu, para as Autarquias e para a Assembleia da República.

É, por isso, previsível que os ânimos aqueçam, como é habitual, nestas alturas e, até, por vezes, mais exaltados do que o desejável.

Esperemos que não apareçam resvalamentos na linguagem nem calúnias sobre pessoas que se disponibilizam para trabalhar para a causa pública.

O que tem ocupado mais espaço, nos órgãos da comunicação social, tem sido o poder central e, por isso, é natural que, nos tempos mais próximos, continue a ser com as legislativas que as conversas sejam mais frequentes.

A julgar pelas sondagens que têm sido publicadas, o Partido Socialista parte em vantagem.

Essa vantagem não se resume à intenção de voto dos cidadãos eleitores mas também ao facto de o Eng.º José Sócrates ter o Partido unido à sua volta, como ficou amplamente demonstrado no recente Congresso realizado em Espinho. Apesar dalgumas vozes discordantes, a maioria não presente no congresso, foi possível verificar-se que a esmagadora maioria dos presentes apoia o líder do partido.

A esta vantagem há a acrescentar uma certa tradição do eleitor português: os portugueses raramente votam na oposição: votam no Poder ou contra o Poder. Daí que seja habitual dizer-se que o Poder não se conquista: perde-se.

A alternância depende muito mais do sucesso ou insucesso do Poder do que propriamente do mérito da oposição, como se verificou em 2002.

Obviamente, muitas coisas vão acontecer até ao próximo Outono e está por avaliar qual será o impacto da crise económica, com o consequente aumento do desemprego, que estamos a atravessar.

Aparentemente, e até ao momento, não creio que o governo socialista esteja a ser penalizado pela actual crise. Pelo contrário, o modo como tem enfrentado essa crise, a determinação mostrada até ao momento, parece ser do agrado dos portugueses.

Não creio, por isso, que os méritos ou deméritos da Dra. Manuela Ferreira Leite tenham grande impacto nos eleitores. A Dra. Manuela Ferreira Leite, como qualquer outro líder da oposição, está dependente do sucesso ou insucesso do Eng.º Sócrates.

O próximo acto eleitoral, cuja data ainda não foi definida, dar-nos-á algumas pistas de como está a sensibilidade dos eleitores e, por comparação com 2005, não me parece que, percentualmente, os resultados sejam muito diferentes.

Até lá, esperemos que o Primeiro-Ministro, e todos os restantes políticos, sejam julgados pelo seu trabalho e não por campanhas escondidas para denegrirem a sua imagem.

 

 

Afonso Paixão