Os políticos e os partidos de centro-direita falam da maior proximidade entre eleitor e eleito, mas normalmente nada fazem para manterem essa imediação. No fundo o que pretendem são processos de engenharia eleitoral para garantirem os mesmos ou mais deputados com menos votos e, por outro lado, diminuir a representação dos partidos de esquerda, sobretudo do PCP, pela incomodidade que representa. É um partido chato, está sempre a falar nos direitos dos trabalhadores, em melhores salários e melhores pensões, a vociferar contra o desemprego, a ameaçar com a luta. Enfim, não é como os outros. Europa para cima, Europa para baixo, blá…blá…, acusações pessoais daqui, jantares e mais jantares dali, propaganda, blá…blá…, promessas e mais promessas…Nós europeus…somos os maiores, exclamam. Apesar de sermos europeus, lá vem a cassete, não deixa de ser Portugal o país com o maior fosso entre ricos e pobres, que já são mais de 2 milhões abaixo do limiar da pobreza, a caminho dos 10% de desempregados e com atanagildoloboum aparelho produtivo destruído. Tudo graças à politica que vem sendo seguida por PS e PSD, ao longo destes 30 anos. Contra esta politica se levantaram recentemente muitos trabalhadores e suas organizações de classe que no passado primeiro de Maio realizaram grandes manifestações por todo o Portugal. Compreendendo a necessidade da luta reivindicativa dos trabalhadores, sobretudo contra esta politica de direita do PS, vai daí, Vital Moreira, seu cabeça de lista às europeias, em cooperação com esses trabalhadores e suas associações sindicais, meteu-se a caminho num gesto revolucionário de autêntica solidariedade. Que mais poderia Vital Moreira estar ali a fazer em plena manifestação? Que não fosse berrar contra o governo? Contra a política do governo?…Ali, mesmo no meio. « O custo de vida aumenta, o povo não aguente». «Sócrates escuta, os trabalhadores estão em luta». Não o compreenderam alguns manifestantes e, pelos vistos, chamaram-lhe “nomes feios”… quando o deveriam ter recebido com abraços. “- Então sempre reconheceu a realidade e veio protestar connosco. Ainda bem. Pena o ter feito apenas agora! Não o vimos cá no ano passado, nem no outro anterior…Mais vale tarde do que nunca”. Não acreditamos pois que VM se incorporasse na manifestação do 1.º de Maio com outro qualquer objectivo. VM não é ingénuo. Acertou aquele único que, a sorrir, lhe disse:- mudasti. Eu, provavelmente por ingenuidade, é que não entendo porque motivo VM estava na manifestação do 1.º de Maio da CGTP e se encontra simultaneamente, como candidato, na vanguarda desta mesma politica neo-liberal, castradora da liberdade, porque não efectiva uma verdadeira Europa social, de cidadãos com direitos. É certo que, de vez em quando o PS dá uma de progressista. Pretensamente a favor da igualdade, o PS criou as quotas na composição das listas eleitorais, de forma a obrigar as mulheres a participarem. Mas afinal a única lista que apresenta uma mulher à cabeça é a CDU : Ilda Figueiredo – 60 anos, economista, membro do CC do PCP, vereadora na Câmara Municipal de Gaia, deputada no Parlamento Europeu desde 1999. O capital financeiro, que tem ao seu serviço jornais, rádios, universidades, centros comerciais vai-se encarregando do resto. «É necessário desmoralizar o PCP e seus aliados». Então, quando as coisas começam a aquecer, aparecem as primeiras sondagens negativas. Há bem pouco davam mais de 10 % à CDU. De repente, e sem qualquer justificação, já dizem não passar dos 7 %. Mas os “comentadores”, os “fazedores de opinião” lá vêm a criticar o aumento para o dobro dos limites de dinheiro que os partidos podem receber em angariações de fundos, como se a lei do financiamento dos partidos fosse obra do PCP. Em 20 artigos e cerca de 75 números e alíneas alteradas, só um artigo e parte de outro, ou seja 5 números destes artigos tiveram origem, com alterações, em propostas do PCP. De facto os partidos do centro-direita, o PS, e todos esses comentaristas fazem vista grossa à promiscuidade dos governos com o poder económico nos grandes negócios, mas acham que não há transparência na possibilidade de um militante pagar a sua quota de 1, 2 ou 5 euros em dinheiro. Sim, porque é que eu não posso oferecer 5 euros ao PCP? Ora, digam-me lá… que mal há nisso!? O mal está em financiar os partidos com subvenções que saiam dos nossos impostos, do Orçamento de Estado, e cujos grandes beneficiários são precisamente, ora adivinhem lá quem?… O PS e o PSD, naturalmente. São os que querem transformar os partidos em repartições públicas vivendo às custas do Orçamento de Estado. E contra isto está e estará o PCP. Não poderá o PCP promover uma festa com a do Avante e depois, a diferença que resultar das despesas e receitas, entrar como um fundo para o partido? Porque não ? Que mal há nisso? Afinal não foi o PCP mas sim o PS que utilizou imagens de crianças da escola de Castelo de Vide, se a memória não me falha, sem autorização dos pais e numa iniciativa do governo. E como o PS tem acesso a imagens de um acto do governo? Alguém me pode explicar…Que grande confusão!

Atanagildo Lobo