A Confraria do Cavalo preparou a vertente equestre da Feira Anual da Trofa e considera que evento “é um dos três melhores” do País. Puro-Sangue Lusitano da Coudelaria Santa Margarida foi, pela segunda vez, o Campeão dos Campeões.

 “Em termos nacionais, há três feiras de topo no que diz respeito ao mundo do cavalo lusitano e a da Trofa é uma delas”. Esta foi a garantia deixada por Hélder Santos, grão-mestre da Confraria do Cavalo, no rescaldo de mais uma cerimónia de entronização, que já é marca da Feira Anual da Trofa.

Na noite de sábado, foram entronizados mais cinco novos confrades: Piedade Pidwell (Coudelaria Santa Margarida), Celeste Correia (Coudelaria Manuel Maia Correia), Jorge Oliveira (Coudelaria Quinta de Santo Isidro), Nuno Costa (Coudelaria Vale do Ave) e João Ralão (Secretário Geral da Associação Portuguesa de Criadores de Cavalos Puro Sangue Lusitano).

Os confrades são escolhidos em sede de assembleia, na qual “os nomes são discutidos” e os requisitos passam por ter “um reconhecido mérito no mundo dos cavalos ou uma relação estreita com a Feira da Trofa”. “Com os confrades honorários procuramos trazer figuras de reconhecido mérito internacional e muito relacionadas com o cavalo lusitano, ou tenham uma longa história de trabalho em prol do Puro Sangue Lusitano ou que por outros motivos, mas que sendo ainda mais jovens, têm reconhecimento por feitos desenvolvidos em torno da promoção do cavalo lusitano”, explicou Hélder Santos.

“Filho da terra”, Jorge Oliveira estava “muito orgulhoso” de ter sido convidado para fazer parte do quadro de honra da Confraria. Ligado ao setor leiteiro, através da Quinta de Santo Isidro, situada em Santiago de Bougado, Jorge Oliveira aventurou-se no hipismo e o objetivo é “atingir um nível de qualidade igual ou maior” como tem com a exploração de gado Holstein Frísia.

“Na Trofa, o hipismo é uma atividade que tem crescido muito em relação a outras. O cavalo é hoje uma referência e prova disso é a Feira”, afirmou em jeito de argumento que sustente a existência da Confraria do Cavalo na Trofa. “Ter nascido na Trofa é uma mais-valia para a nossa terra. O facto de o cavalo não ter origem no Norte não será desculpa para que não fosse assim”, acrescentou.

Hélder Santos complementa, referindo que “no concurso de modelo e andamentos, que é a prova rainha, houve 108 efetivos de elevada qualidade, reconhecida pelo júri e confirmada pela quantidade de medalhas de ouro atribuídas”. “A medalha é um título de mérito que se dá a partir de determinado valor que se atribui ao cavalo, por isso quer dizer que a qualidade do evento é muita. E não só em termos de seleção, também se nota o esforço que os criadores fazem para trazer os melhores da sua coudelaria à Trofa”.

A Confraria do Cavalo espera “atrair outras coudelarias” para participarem na próxima edição, mas já garantiu que em 2014 “haverá surpresas muito agradáveis”.

 

Coudelaria Santa Margarida faz pleno

E pelo segundo ano consecutivo, El Rei da Sernadinha arrasou a concorrência e arrecadou o título de Campeão dos Campeões da Trofa. O Puro-Sangue Lusitano castanho, pertencente à Coudelaria Santa Margarida, de Luís Pidwell, conquistou o júri e venceu a prova rainha da vertente equina da Feira Anual da Trofa: o concurso de modelo e andamentos. “Para quem cria cavalos, este é o prémio máximo”, sublinhou Luís Pidwell, que acrescentou que este cavalo é “um vencedor”, já que, para além de dois títulos na Trofa, já conquistou “vários prémios na sua classe”, inclusive “na Golegã e Lisboa”.

“Há três anos que vimos aqui e gostamos muito, pois somos bem recebidos. Tem um ambiente muito agradável”, afiançou.

A Coudelaria Santa Margarida fez o pleno, ao ser consagrada como melhor coudelaria e ao ver distinguido um dos seus apresentadores: Fábio Ventura.

“Não esperava a distinção porque, como é óbvio, quando vimos, sabemos que há sempre vários apresentadores e nunca sabemos com o que podemos contar. Depende muito dos animais, da forma como eles nos deixam trabalhar. Para ser o melhor apresentador é preciso muito trabalho, ver e procurar saber quais são os critérios do júri, saber como eles querem que o cavalo seja apresentado e, acima de tudo, estar muito atento às outras apresentações para sabermos o que podemos melhorar nas nossas”, referiu o jovem, em declarações ao NT e à TrofaTv.

Para Joana Matos, Chanceler da Confraria do Cavalo, este ano ficará marcado como “uma das melhores edições” da Feira, pelo “feedback dos criadores, convidados e público”. “Tentamos melhorar ao nível da organização na chegada dos animais, da sua instalação e tentamos preencher o programa para que não houvesse momentos mortos no picadeiro e, assim, conseguirmos ter público sempre presente”, explicou.

Um dos momentos altos foi “a tarde de domingo, altura que contou com mais público”, a par “da gala de sábado à noite”, que foi “um espetáculo bonito”, adiantou.

No recinto da Feira estiveram “entre 350 a 380 cavalos”, que participaram em atividades como modelo e andamentos, horse paper, cavalhadas, equitação de trabalho (maneabilidade, ensino e velocidade), horse ball e atrelagem.

Na sexta-feira à noite, o picadeiro foi palco da já tradicional garraiada, que atraiu várias centenas de pessoas.