quant
Fique ligado

Edição 722

No concelho da Trofa: Parar para respirar

Publicado

em

As preocupações ambientais têm ganho importância à medida que sentimos que a sustentabilidade do planeta é afetada pelos nossos hábitos de vida.
O período de confinamento e a diminuição de circulação de pessoas, com vista ao controlo da pandemia, deram uma pequena amostra do impacto que o ser humano realmente tem no meio ambiente. O planeta foi dando vários exemplos da sua rápida regeneração, que nos trouxeram sensações que há muito andavam afastadas da nossa memória!

Temos vivido um período difícil e diferente nas nossas vidas: pela incerteza, pelo medo, porque nos afastou de pessoas e do convívio a que estávamos habituados, porque alterou drasticamente as nossas rotinas e nos deu tempo, muito tempo, para refletir e dar valor ao que realmente tem importância. Um momento de oportunidade para alterarmos hábitos e viver, no presente, pensando no legado que queremos deixar para os nossos filhos.

Um bom exemplo do que pode ser a mudança para hábitos melhores foi a procura do “velhinho” meio de transporte: a bicicleta. Com registos de vendas recordes que levaram a uma rotura generalizada de stocks, um pouco por todo o lado.

O impedimento para as outras atividades de recreio desportivas, nomeadamente as coletivas, como o futebol, entre outras, mas também pelo encerramento de ginásios, poderão ter sido as sementes determinantes na alteração do estilo de vida de muitos portugueses.

A bicicleta tem tudo para dar certo. É sabido que a bicicleta leva a gigantescos ganhos ambientais, traduzidos na não emissão de poluentes e nos baixos índices de ruído. Tem um impacto enorme na melhoria da saúde dos utilizadores ao combater o sedentarismo e ao proporcionar exercício físico regular. Com um baixo custo de aquisição e de manutenção, facilidade de arrumação, torna-se assim, um excelente veículo para o descongestionamento das cidades, com vantagens diretas na qualidade de vida.

Portugal demonstra um enorme atraso nesta matéria comparativamente a outros países, como por exemplo a Holanda, país que há muitos anos, procura incentivar e proporcionar a utilização deste meio de transporte. Para combater este atraso, Portugal, lançou há precisamente um ano, em julho de 2019, a meta da Estratégia Nacional para a Mobilidade Ativa Ciclável (ENMAC). Este programa prevê que Portugal tenha 10 mil quilómetros de ciclovia até 2030, construídos através de várias iniciativas de investimento, que ascendem a 300 milhões de euros do Portugal Ciclável.

Assim, está em marcha a passagem dos atuais dois mil quilómetros de ciclovias existentes para o quíntuplo, estando abertas as “vias” para as autarquias se candidatarem a fundos de modo a convergirem para os objetivos desta medida. Esta iniciativa procura aumentar a percentagem de deslocações em bicicleta no território nacional de 1% para 7,5%, valor este que corresponde à atual média europeia, assim como reduzir para metade os acidentes na estrada com peões e ciclistas.

Publicidade

Nesta estratégia destaca-se, ainda, a inclusão do ciclismo como matéria extracurricular do 1.º ciclo ao secundário, a avaliação do alargamento da cobertura do seguro escolar nas deslocações, o fomento de sistemas públicos de bicicletas partilhadas e a introdução de matéria específica nas escolas de condução, para consciencializar os alunos dos cuidados a ter na estrada com ciclistas e peões, elementos mais vulneráveis na rodovia.

O Município da Trofa entrou no “pelotão de corrida” aos fundos disponibilizados pelo Governo Central, de modo a atenuar o atraso que tem neste tipo de políticas. Atualmente, as ciclovias no município da Trofa são quase inexistentes e numa escala muito reduzida apenas vemos aplicada no Parque das Azenhas (embora não exclusiva) e uma amostra na Alameda da Estação para as crianças brincarem.

Foi, por isso, com total desilusão que vi publicamente apresentado, pelo executivo municipal, uma “amostra” do que deveria ser uma verdadeira extensão para a Trofa, com meros dois quilómetros e meio e uma cifra que ascende a 4 milhões de euros! A obra a executar apenas nos grandes centros urbanos de Bougado e do Coronado.

Fica de fora das prioridades nesta politica local de construção de ciclovias, imagine-se, a requalificação das antigas linhas do comboio, há muito abandonadas, bem como as freguesias de Covelas, Muro, Alvarelhos e Guidões com territórios e zonas com maior apetência para uma efetiva expansão deste meio de transporte, a que acresceria custos de construção infinitamente mais reduzidos… Terão estas localidades periféricas de esperar por outras oportunidades pois, o número de munícipes eleitores é “pouco representativo” para este executivo, já que, de outra forma, não se compreende que, nem aqui, sejam uma prioridade. Estranha forma de coesão do território…!

Continuar a ler...
Publicidade
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado.

Edição 722

Desistir da Vida

Publicado

em

Por

“Saber envelhecer!”. Esta frase, que esconde um conceito ou um estilo de vida, que supõe, penso eu, saber passar pelo tempo sem desistirmos de nós próprios, aplica-se como uma luva na minha pessoa.

Quando fiz trinta anos, da minha mãe ouvi, de forma desprendida e objectiva, “Parece que ainda estás nos vintes, meu filho”, quando cheguei aos quarenta, disse-me que parecia que ainda estava nos trintas.

Na semana passada, eu, com quarenta e seis anos, encontrei um amigo da minha geração, que já não via há muito tempo. Quando ele chamou por mim, não o reconheci de imediato, parecia-me um estranho com cinquenta e seis. Para me lembrar quem ele era, de forma discreta, fiz-lhe uma pergunta-chave, “Então tudo bem? Quem são os teus pais?”. E respondeu-me, “São o Tone e a Nela.”

Identificado o João, trocámos uma palavras e como tudo o que se pensa não se deve dizer, para o animar, sem que ele me tivesse pedido, digo-lhe, “Se não estivesses careca, gordo e cara envelhecida, parecias ter a minha idade!”. De forma fraterna nos despedimos, ele virou-me as costas e eu respondi-lhe, “Até breve!”.

Mas este “saber envelhecer”, não tem a ver apenas com um belo aspecto físico, há que aparentar maturidade. Po exemplo, continuo a abrir a porta às senhoras, a dar-lhes prioridade,…, e nunca ninguém me viu a estender roupa (aparentemente).

Esta actividade exerço-a durante a madrugada, entre as três e as cinco horas, inicialmente de segunda a domingo, começando a fazê-lo desde há sete meses atrás apenas de segunda a quinta, porque num sábado de madrugada ia sendo apanhado a estender toalhas pelo meu vizinho, ainda jovem e que sai ao fim de semana!

E como tenho a ideia que exercer qualquer actividade que termine em “er”, dá muito estilo, tornei-me, primeiro, “Blogger”, depois “Youtuber” e desde há dois anos sou “Crossfiter”, demonstrando nesta última actividade algum amadorismo, visto que ainda não sou depilado nem tatuado!
Em suma, a vida corria-me bem, sem eu compreender como há gente com depressões e que reagem ao bom e ao mau, sem expressão… até ontem.
Sábado, 18 de Agosto de 2020, Box “Crossfit Vale de Ave”, 12h55m. No intervalo de um exercício vejo um amigo (com cinquenta e seis anos, mesmo) na recepção e aproximo-me dele, momentos a seguir aproxima-se uma jovem, que estava a fazer a aula comigo, e virada para o meu amigo e apontando para mim, diz:

Publicidade

– Olá pai! Eu não te disse que aqui no ginásio andava um senhor da tua idade.

Deste amigo, que já não via há meses, a última vez que outros amigos me falaram dele foi para dizerem o quanto ele estava acabado!

A aula para mim acabou, tomei banho, vesti-me, almocei sem sentir o sabor da comida, nem prazer na bebida, fui estender duas máquinas de roupa em plena luz do dia, desobedeci duas vezes à minha esposa, sem querer saber das consequências, e este texto foi “postado” como saiu, sem fazer nenhuma revisão,…

Continuar a ler...

Edição 722

Memórias e Histórias da Trofa: Requalificação do Santuário de Santa Eufémia

Publicado

em

Por

Decorria o ano de 1900 e os meses iam correndo a sabor do tempo, aproximava-se setembro que era um importante mês para a cultura popular, atendendo que se iria realizar mais uma edição das festividades em honra a Santa Eufémia.

A romaria de Santa Eufémia era aguardada com grande ansiedade pelos populares, não só da Trofa, como também, de outras localidades aqui da zona que desforravam o seu ano, na última grande romaria.

No ano de 1900, havia uma mudança profunda nestas festividades, porque segundo o cronista do Jornal de Santo Tirso, não era a velha capela que o próprio descreve como arruinada que aguardava pelos romeiros, mas sim, um novo e modesto tempo, com a novidade também da imagem da mártir ser completamente novo e em tamanho natural.

Uma obra profunda que é apontado como principal impulsionador das mesas, o padre que prestava serviço na Paróquia, concretamente o Padre Manuel da Sila Moreira que era considerado um dos párocos mais dignos do concelho.

A melhoria das instalações, não era só na capela, conforme foi referido no parágrafo anterior, mas, as melhorias ocorriam também na área envolvente do templo religioso, gastando 2 contos, um valor fastigioso para aquele período da história, para trazer mais dignidade e qualidade para o desenrolar das atividades festivas.

As festividades duravam três dias, sendo o tradicional fim de semana, com o último dia de festa a ser na segunda feira, com a realização de um mercado em que se esperava, contudo, que as atividades comerciais fossem fracas, escrevendo que havia mais feirantes que romeiros como era tradicional.

Uma importante festividade na história do concelho que conhecia uma nova alavanca para o seu desenvolvimento, uma nova capela, uma nova imagem e arranjos da área envolvente ao santuário para dar mais dignidade as festividades que eram um marco da região.

Publicidade
Continuar a ler...

Edição Papel

Comer sem sair de casa?

Facebook

Farmácia de serviço

 

arquivo

Neste dia foi notícia...

Ver mais...

Covid-19

Pode ler também