As preocupações ambientais têm ganho importância à medida que sentimos que a sustentabilidade do planeta é afetada pelos nossos hábitos de vida.
O período de confinamento e a diminuição de circulação de pessoas, com vista ao controlo da pandemia, deram uma pequena amostra do impacto que o ser humano realmente tem no meio ambiente. O planeta foi dando vários exemplos da sua rápida regeneração, que nos trouxeram sensações que há muito andavam afastadas da nossa memória!

Temos vivido um período difícil e diferente nas nossas vidas: pela incerteza, pelo medo, porque nos afastou de pessoas e do convívio a que estávamos habituados, porque alterou drasticamente as nossas rotinas e nos deu tempo, muito tempo, para refletir e dar valor ao que realmente tem importância. Um momento de oportunidade para alterarmos hábitos e viver, no presente, pensando no legado que queremos deixar para os nossos filhos.

Um bom exemplo do que pode ser a mudança para hábitos melhores foi a procura do “velhinho” meio de transporte: a bicicleta. Com registos de vendas recordes que levaram a uma rotura generalizada de stocks, um pouco por todo o lado.

O impedimento para as outras atividades de recreio desportivas, nomeadamente as coletivas, como o futebol, entre outras, mas também pelo encerramento de ginásios, poderão ter sido as sementes determinantes na alteração do estilo de vida de muitos portugueses.

A bicicleta tem tudo para dar certo. É sabido que a bicicleta leva a gigantescos ganhos ambientais, traduzidos na não emissão de poluentes e nos baixos índices de ruído. Tem um impacto enorme na melhoria da saúde dos utilizadores ao combater o sedentarismo e ao proporcionar exercício físico regular. Com um baixo custo de aquisição e de manutenção, facilidade de arrumação, torna-se assim, um excelente veículo para o descongestionamento das cidades, com vantagens diretas na qualidade de vida.

Portugal demonstra um enorme atraso nesta matéria comparativamente a outros países, como por exemplo a Holanda, país que há muitos anos, procura incentivar e proporcionar a utilização deste meio de transporte. Para combater este atraso, Portugal, lançou há precisamente um ano, em julho de 2019, a meta da Estratégia Nacional para a Mobilidade Ativa Ciclável (ENMAC). Este programa prevê que Portugal tenha 10 mil quilómetros de ciclovia até 2030, construídos através de várias iniciativas de investimento, que ascendem a 300 milhões de euros do Portugal Ciclável.

Assim, está em marcha a passagem dos atuais dois mil quilómetros de ciclovias existentes para o quíntuplo, estando abertas as “vias” para as autarquias se candidatarem a fundos de modo a convergirem para os objetivos desta medida. Esta iniciativa procura aumentar a percentagem de deslocações em bicicleta no território nacional de 1% para 7,5%, valor este que corresponde à atual média europeia, assim como reduzir para metade os acidentes na estrada com peões e ciclistas.

Nesta estratégia destaca-se, ainda, a inclusão do ciclismo como matéria extracurricular do 1.º ciclo ao secundário, a avaliação do alargamento da cobertura do seguro escolar nas deslocações, o fomento de sistemas públicos de bicicletas partilhadas e a introdução de matéria específica nas escolas de condução, para consciencializar os alunos dos cuidados a ter na estrada com ciclistas e peões, elementos mais vulneráveis na rodovia.

O Município da Trofa entrou no “pelotão de corrida” aos fundos disponibilizados pelo Governo Central, de modo a atenuar o atraso que tem neste tipo de políticas. Atualmente, as ciclovias no município da Trofa são quase inexistentes e numa escala muito reduzida apenas vemos aplicada no Parque das Azenhas (embora não exclusiva) e uma amostra na Alameda da Estação para as crianças brincarem.

Foi, por isso, com total desilusão que vi publicamente apresentado, pelo executivo municipal, uma “amostra” do que deveria ser uma verdadeira extensão para a Trofa, com meros dois quilómetros e meio e uma cifra que ascende a 4 milhões de euros! A obra a executar apenas nos grandes centros urbanos de Bougado e do Coronado.

Fica de fora das prioridades nesta politica local de construção de ciclovias, imagine-se, a requalificação das antigas linhas do comboio, há muito abandonadas, bem como as freguesias de Covelas, Muro, Alvarelhos e Guidões com territórios e zonas com maior apetência para uma efetiva expansão deste meio de transporte, a que acresceria custos de construção infinitamente mais reduzidos… Terão estas localidades periféricas de esperar por outras oportunidades pois, o número de munícipes eleitores é “pouco representativo” para este executivo, já que, de outra forma, não se compreende que, nem aqui, sejam uma prioridade. Estranha forma de coesão do território…!