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Com uma eucaristia cantada e doze pratos de peixe que compõem a Ceia de Natal, os ortodoxos na Trofa celebram o nascimento de Jesus em Dia de Reis.

São cristãos e fiéis ao mesmo Deus, mas distinguem-se pelas cerimónias e os ritos litúrgicos desiguais. Seguem um calendário diferente, em que o Natal chega 13 dias depois da data que vigora para os católicos. Em Dia de Reis, enquanto uns desfazem a árvore de Natal e guardam os enfeites da quadra, outros reúnem-se para, nesse dia, celebrar o nascimento de Jesus. Esta é a tradição dos cristãos ortodoxos, que não foi excepção na Trofa. Num ambiente festivo e solene, meia centena de fiéis assinalaram o Natal numa eucaristia celebrada na noite do dia 6 de Janeiro, na Igreja Matriz de S. Martinho de Bougado, cedida pelo pároco da freguesia, à semelhança do que acontece há já vários meses.

Depois de uma missa preenchida com muitos cânticos, na mesa da Ceia de Natal dos ortodoxos o tradicional bacalhau dá lugar a doze pratos de peixe, representando cada um deles um apóstolo. Esta é uma entre várias diferenças e, para além das eucaristias inteiramente cantadas, os ortodoxos demarcam-se pelo incenso utilizado em todas as cerimónias e de um ritual cerimonial no momento em que o sacerdote traz o cálice para o altar.

Foi a pedido de várias centenas de fiéis ucranianos residentes na Trofa que se avançou com a formação de uma paróquia no concelho. “Todos os domingos, por volta das 10 horas, um padre desloca-se à Igreja Matriz de S. Martinho de Bougado” para celebrar as eucaristias, adiantou ao NT Serhiy Yehisyeyev. Os ortodoxos afirmam gostar da Trofa e até pretendem aumentar o número de fiéis. “Nós queremos ter mais gente ortodoxa, mas com calma, quando as pessoas quiserem podem vir”, referiu. Na Páscoa de 2009 conseguiram reunir duas centenas de fiéis, mas este ano o Dia de Páscoa ortodoxo coincide com o dos católicos e, desta forma, está prevista uma grande celebração na Vigília Pascal.

Na Trofa a paróquia ortodoxa está subordinada a uma vigararia-geral, sob a responsabilidade do padre Philip que superintende Portugal e Galiza. No topo da hierarquia está o Patriarca Bartolomeu I de Constantinopla, actual Istambul, na Turquia.