Os graves problemas do país, só serão resolvidos quando tivermos uma economia saudável, uma economia que cresça sustentadamente. Enquanto tivermos uma economia com taxas de crescimento muito baixas, não é crescimento, aliás como tem acontecido desde o início do século, em que a economia portuguesa não tem crescido. O que tem existido há quase duas décadas é desilusões e puros enganos!
Foi há bem pouco tempo anunciado pelo INE (Instituto Nacional de Estatísticas), que a economia portuguesa tinha crescido, no terceiro trimestre deste ano 1,6%, em termos homólogos (face ao mesmo período do ano anterior), quando estava previsto apenas 1,1% e cresceu 0,8% em cadeia (comparativamente ao trimestre anterior), o maior crescimento desde o quarto trimestre de 2013 e uma aceleração significativa face aos seis primeiros meses do ano, quando cresceu apenas 0,3% em cada um desses dois trimestres.
Incontestavelmente, esta é a maior variação do PIB (Produto Interno Bruto), desde o primeiro trimestre do ano passado, que foi quando começou a desaceleração da economia nacional, que se estendeu até meados deste ano. Estes dados até surpreenderam o próprio governo, pois previa um crescimento de 1,8% para este ano de 2016, tendo revisto esse valor fortemente em baixa, para 1,2%, quando apresentou o OE (Orçamento do Estado), para 2017.
Este crescimento da economia até é uma boa notícia, mas não vou entrar na festa, pá! Parece-me um pouco prematuro a esquerda ter encomendado tanto «foguetório geringonçado», pois estes dados positivos precisam de ser consolidados, e isso só com o tempo. Primeiro é preciso analisar o próximo trimestre e depois que se deitem os «foguetes», comedidamente. Mas é com alguma tristeza que antevejo um anular da festa e terem de guardar o «foguetório», antes que rebente sem controlo, pois todos os indicadores apontam para um crescimento da economia em 2016, igual ou inferior ao ano passado. Portanto, não haverá um crescimento sustentado, não haverá festa, pá!
Esta recuperação, que tem dado um «foguetório» excessivo, não passa de uma recuperação anémica, pois tecnicamente o que existe é uma estagnação da economia, um excesso de endividamento, uma falta de capital (nacional e estrangeiro), para termos um forte investimento que continua a não existir. Aliás, o investimento, em concreto, apresentou alguns dos piores números dos últimos anos, com duas contrações consecutivas nos dois primeiros trimestres deste ano, e o mesmo tem acontecido com as exportações. O Turismo é que continua a ajudar as exportações a atingir valores interessantes. Bem precisávamos de um forte crescimento nas exportações de produtos fabricados internamente. Que bom seria!
Mas existe outra realidade, que me convida a não alinhar na festa da «geringonça», como por exemplo: continua a haver uma total ausência de verdadeiras reformas profundas de que o país carece; uma despesa pública cada vez maior e com tendências a continuar a aumentar; uma procura interna que não está a evoluir ao ritmo que o governo tinha em perspectiva; um aumento dos prazos dos pagamentos das dívidas do Estado aos fornecedores (a maior subida que há registo); uma poupança quase nula dos portugueses; uma mentira constante sobre o que se passa na CGD (Caixa Geral de Depósitos), que é um problema político sério; uma não recapitalização da CGD, para que as contas deste ano do Governo não sejam inflacionadas com alguns milhares de milhões de euros (é o tradicional empurrar com a barriga para a frente); um aumento da dívida pública, que o BCE (Banco Central Europeu) vai comprando; uma pobreza a manter-se, com números escandalosos; a miséria a aumentar continuamente, com homens excluídos pelos próprios homens; um agravamento das desigualdades cada vez mais acentuadas; uma desertificação do interior, cada vez mais triste; um problema demográfico sem propostas de solução; uma continuação da «praga» dos falsos recibos verdes; um contínuo abuso, em termos de tempo, dos contratos temporários de trabalho, que parecem as pilhas “Duracell”, pois duram, duram, duram mesmo muitos anos, sem que a lei o permita, chegando a existir trabalhadores, nessas condições há dez anos e mais, sem terem qualquer perspectiva de vida futura. Para além disto tudo, que já não é pouco, ainda continuamos a ser um país cheio de ausências, de partidas de muitos portugueses, fronteiras fora, Estrangeiro dentro, acossados pela escassez de trabalho.
Estes e outros fatores são motivos mais que suficientes, para não ir em euforias, não alinhar no «foguetório», não entrar na festa, pá! Mas que bom seria que houvesse crescimento significativo da nossa economia nos próximos trimestres e que a ética individual estivesse no cerne de todas as questões! Vai ser muito difícil, e não quero ser catastrofista, pois continuo a afirmar que se a economia crescer, com taxas significativas, bastante superiores às atuais, muitos dos problemas que o país padece serão resolvidos. Desde a pobreza e a miséria, até à felicidade dos portugueses!

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