Murense assinalaram os 11 anos sem comboio da via estreita, através da colocação de uma tarja, com a palavra “Metro”, na estação abandonada do Muro.

Vinte e três de fevereiro de 2002. Esta data está gravada na memória dos moradores da freguesia do Muro, pois ficou marcada pela última viagem do comboio entre Guimarães e a Estação da Trindade, no Porto, na antiga via estreita, desativada com a promessa governamental de que ali, não muito tempo depois, passaria o metro.

Manuel Pinto, residente do Muro, com a colaboração de “algumas pessoas”, assinalou o 11º aniversário da “morte” do comboio, colocando uma tarja na estação abandonada com letras garrafais, na qual se lia “METRO”.

Segundo o murense, este foi um ato “espontâneo”, que surgiu com “o grande objetivo” de “nunca deixar passar este dia para o esquecimento”. “Eu tinha a tarja guardada em casa e, pela dimensão que tem, entendi que seria uma boa ocasião para mostrar o nosso estado de espírito. Passados 11 anos, acho que já é tempo demais. Sei que é difícil chegarmos junto das pessoas com responsabilidades, mas pelo menos é bom ir fazendo algumas lembranças de forma espontânea para que não se esqueçam”, afirmou.

Apesar de saber que a colocação da tarja não tem “grandes reflexos”, Manuel Pinto declarou que esta era a forma de “continuar na luta”, tendo ainda “muita esperança” que um dia o metro chegue à Trofa. “Espero bem que, no próximo ano, como está prometido, seja posto nos carris”, acrescentou.

Para o mentor da comemoração, esta foi também uma forma de recordar a última vez que utilizou o comboio: “No sábado fez 11 anos que viajei pela última vez de comboio do Muro à Trofa, que era o meu transporte diário para o meu trabalho”.

Manuel Pinto contou que não existe nenhuma “comissão” oficializada, tratando-se apenas de “atos espontâneos que cada um vai adquirindo na altura própria”, contando com a colaboração de “alguns elementos que estão desagradados com a falta de transporte”. “Gostaria imenso que se realizasse alguma atividade deste género ao longo do ano, mas isso depende se há ou não colaboração de pessoas que ajudem para que isso seja uma realidade”, declarou.

Uma das últimas iniciativas foi no dia 20 de abril de 2012, com a ida à Assembleia da República, em Lisboa, onde foi debatida a petição “Metro para a Trofa”. “Fomos os principais obreiros para que muito mais gente sem ser do Muro fosse, pois fizemos deslocar da freguesia três autocarros. Isso demonstra que não estamos nem estaremos parados”, apontou.

Sendo um “trofense de gema”, Manuel Pinto, que nasceu em S. Martinho de Bougado e reside no Muro, aproveitou para deixar uma mensagem à comunidade: “Tenho muita pena que a população de S. Martinho e de Santiago de Bougado não tenha também aderido a alguns momentos parecidos, para que isto não caísse no esquecimento”. “Não é só ao Muro que interessa, interessa também a Santiago e a S. Martinho de Bougado. Estando a viver no Muro, luto para o Muro, mas o objetivo é que o metro chegue à Trofa. Essas duas freguesias também deveriam ter elementos um bocadinho ativos, mas parece que estão um bocado acomodados quando não deveriam estar”, concluiu.