O presidente da Junta do Muro pretende renunciar ao lugar na Assembleia Municipal como protesto. Elemento do PSD sugere “cortar a estrada com o Dumper da Junta para tapar o buraco” na Estrada Nacional 318.

Carlos Martins, presidente da Junta do Muro, informou os elementos da Assembleia de Freguesia que pondera renunciar ao lugar que tem na Assembleia Municipal. Em causa está o facto de a Estrada Nacional 318 ainda não ter sido requalificada. “Sinto que estou a mais na Assembleia Municipal. Estou na Junta há seis anos e nunca conseguimos um cêntimo da Câmara”, afirmou.

Para Carlos Martins, “S. Martinho (de Bougado) consegue ter sempre aquilo que quer” e que o orçamento camarário é “canalizado para meia dúzia e para o Muro não há nada”. O autarca foi muito crítico relativamente à situação financeira da autarquia, considerando que “ao longo de 11 anos”, os dinheiros públicos “foram muito mal gastos, por falta de credibilidade de gestão e ignorância”.

Por não ver a obra a avançar, Carlos Martins sente que está “a defraudar o povo murense”. “Se até o próximo orçamento a obra não estiver pronta, não arrancar ou não houver sinais disso, eu não apareço na Assembleia Municipal”, assegurou o autarca que considera que esta é a “arma” para reivindicar a obra.

António Correia, elemento do CDS, compreende “o estado de alma do presidente”, defendendo que a autarquia deveria fazer a obra, já que também se fazem “corridas de cavalos e corridas de carros”. No entanto, solicitou a Carlos Martins que “reconsidere” e “não abandone a Assembleia Municipal”.

Por seu lado, José Martins, do PSD, considera que a freguesia “tem que chamar a atenção de alguma forma”, sugerindo: “Se não for mais, cortamos a rua com o Dumper da Junta a tentar tapar o buraco”.

Carlos Martins informou ainda a Assembleia que a garagem da Junta de Freguesia “foi assaltada e foram roubados mil euros em material e máquinas”. Questionado por José Martins, o autarca confirmou que a Junta “não tem seguro para material roubado, só tem contra terceiros”.

Relativamente ao tema do metro até à Trofa, o presidente da Junta decidiu, “depois das eleições”, não tomar “mais nenhuma iniciativa própria” para reivindicar o meio de transporte. “Vejo que é mais forte a bandeira partidária que as próprias causas locais”, lamentou.

Na visita de campanha que fizeram ao Muro antes das legislativas, os até então candidatos a deputados do CDS pelo círculo do Porto informaram Carlos Martins que “a melhor solução era canalizar verbas do TGV para o metro”.

Por seu lado, José Martins considera que agora com um Governo formado pelo PSD e CDS, estão “reunidas as condições para, eventualmente, se poder avançar para o metro”. “Esperar por esta presidente de Câmara não é novidade para mim”, afirmou.

Enquanto Inês Neves, do PS, elogiou a forma como as atas das assembleias estão redigidas, Carlos Martins congratulou a Associação de Pais da Escola Básica da Estação “pelo excelente trabalho que fez em prol da associação e das crianças”.

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