Comemoramos, em Novembro passado, o 7º aniversário da criação do nosso concelho. Depois de uma luta de décadas, protagonizada por muitos trofenses, em 1998 alcançamos, finalmente, a autonomia política e administrativa.

Este desiderato gerou largas expectativas em todos nós. Após décadas de atraso no nosso desenvolvimento motivado, essencialmente, por uma descriminação negativa de que fomos alvo, permanentemente, por parte do poder municipal de Santo Tirso, a capacidade de, finalmente, gerirmos os nossos destinos criou enormes ilusões. Finalmente, seríamos nós a assumir as opções estratégicas, a definir um rumo, a marcar um caminho.

Era a oportunidade para podermos disfrutar de melhor qualidade de vida; a possibilidade para os nossos filhos e os nossos netos acederem a um conjunto de equipamentos que jamais tivemos; o momento para prepararmos o nosso futuro colectivo, assumindo, com o bairrismo de sempre e com os meios nunca antes ao dispor, a construção de um concelho forte, pujante e desenvolvido. Uma terra que, todos desejávamos, pudesse dar cartas no contexto da região, preparando-se para competir neste mundo globalizado, proporcionando mais bem-estar aos seus habitantes. Foi esta a Trofa com que todos sonhamos.

Sete anos volvidos, qual o balanço que podemos fazer? Confirmaram-se ou não as nossas expectativas mais optimistas?

A sensação que nos invade é que ficamos aquém do esperado. A ideia que perspassa é a do desconforto face ao pouco que conseguimos alcançar.

É obvio que a difícil situação económica do nosso país, nos últimos anos, não ajudou. Tal facto contribuiu para que sucessivos governos não realizassem alguns investimentos estruturantes, fundamentais para o nosso Concelho. As variantes à EN14 e à EN104, o projecto da REFER que depois de protocolado não houve capacidade para concretizar são, porventura, os exemplos mais significativos. Não obstante isto, a Trofa beneficiou de significativos apoios financeiros por parte do governo liderado pelo Dr. Durão Barroso em áreas tão dispares como o saneamento, a habitação social, a melhoria das vias de comunicação e requalificação urbana, a área da saúde, para citar apenas os exemplos mais significativos.

A acrescer às dificuldades do Estado para realizar alguns investimentos fundamentais, atrás referidas, importa que se assuma inúmeros erros nas opções estratégicas que, do ponto de vista autárquico, foram definidas.

A procura de realização de iniciativas/acções com impacto imediato e mediático, de curto prazo, que não criam valor acrescentado, que não induzem investimento, em detrimento de investimentos de médio e longo prazo tem sido um lapso cometido sistematicamente.

É por isso, do meu ponto de vista, muito importante “parar para pensar”, avançando em seguida com um conjunto de projectos estruturantes, de cariz municipal que não mais poderão ser adiados.

A nossa localização única do ponto de vista geográfico e o carácter empreendedor das nossas gentes tem que ser potenciado. O arranque da Área de Localização Empresarial, a construção da Zona Desportiva, o avanço do projecto dos Paços do Concelho, o Plano Director Municipal, a construção de espaços de lazer, o desenvolvimento de um urbanismo de qualidade são aspectos prioritários para que a Trofa trilhe os caminhos do desenvolvimento.

Para que isto seja possível, necessitamos de uma gestão rigorosa, eficiente, que enfrente poderes muitas vezes indesejados, que tenha a coragem de dizer não ao desperdício de fundos em projectos irrelevantes.

É esta atitude que se exige aos nossos autarcas no início de mais um mandato. A construção de um grande concelho é uma tarefa de todos, haja quem, com uma liderança eficaz, nos impulsione a fazê-lo.

Joao Moura de Sá

(economista)