Mesmo em tempo de grave crise económica, que tem devastado a confiança no futuro, o primeiro-ministro continua com uma postura "sobranceira" perante os problemas dos portugueses.

      Não é só a constante subida dos combustíveis e de outros produtos de primeira necessidade como o arroz, mas é a grave discrepância que se tem acentuado cada vez mais entre os mais ricos e os pobres, que estão cada vez mais pobres. Nunca se viu tamanha desigualdade!

     Quando este primeiro-ministro entrou, pagava-se cerca de 68 cêntimos de imposto por litro de gasolina. Actualmente, paga-se mais de 83 cêntimos de imposto pelo mesmo litro de gasolina e o Eng.º. José Sócrates continua a assobiar para o ar, como se nada de grave se passasse em Portugal! A situação absolutamente anómala nos preços dos combustíveis prejudica gravemente as empresas e o poder de compra da classe média.

     Neste momento de crise e de dificuldade, é preciso repartir os sacrifícios, o que não está a acontecer, já que recai tudo sobre o contribuinte, sobre as empresas e sobre os consumidores. Inclusive a classe média que tem sido fustigada de tal maneira com a sobrecarga de impostos, que está a desaparecer. Isto não pode continuar, pois não há uma correcta repartição do sacrifício que uma sociedade justa deveria promover.

     O primeiro-ministro, José Sócrates, não tem os pés na realidade. Como é que as empresas vão suportar os preços dos combustíveis? Das duas uma: ou despedem pessoas ou aumentam os preços, repercutindo no consumidores. E isso significa uma situação a todos os títulos indesejável: Portugal não tem crescimento económico e tem inflação. O Governo socialista deve preocupe-se mais com estes assuntos e deixar de usar o tom sobranceiro e arrogante que usa com quem não pensa como ele. Os socialistas que governam o país, têm desprezado questões muito importantes, como o poder de compra e a competitividade da economia portuguesa.

     A classe média portuguesa e as pequenas e médias empresas estão a passar um momento muito difícil e as pessoas estão cercadas pelas altas taxas de juro, pela subida dos preços e pela enorme carga fiscal.

     As questões económicas e sociais, aliadas à falta de autoridade do Estado e à segurança de pessoas e bens, estão na base da moção de censura ao Governo que o CDS-PP vai apresentar. Nunca é demais lembrar que em matéria de segurança o Governo socialista cometeu três erros em outras tantas leis orgânicas. A lei orgânica da GNR terminou com um veto do Presidente da República. A lei orgânica da PSP foi um desastre, que conduziu ao erro na política de efectivos, ficámos com menos polícias do que o país tinha. A lei orgânica da Polícia Judiciária morre pelo Tribunal Constitucional. Foram três graves erros a somar a muitos outros cometidos ao longo desta legislatura.

     Este governo deve ser censurado porque o país não está bem, o ciclo económico mudou e as contas que José Sócrates fez, saíram trocadas. O primeiro-ministro tem poucas esperanças para dar e está cego no que toca à politica económica que interfere na vidas das empresas e no poder de compra dos portugueses, pois as famílias estão cada vez mais endividadas, a classe média está a ficar pobre e os pobres estão cada vez mais pobres. Por tudo isto, a moção de censura ao governo deve merecer o apoio maioritário da Assembleia da Republica.

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                 José Maria Moreira da Silva

           moreira.da.silva@sapo.pt