“Não há nenhuma questão de saúde pública”. Foi desta forma que o ministro do Ambiente reagiu à descoberta de quatro estirpes de bactérias multirresistentes a bactérias no Rio Ave. O governante considera “normal que estudos universitários feitos com grande rigor e detalhe vão além do que são as análises comuns feitas nas águas”.

João Matos Fernandes quis afastar “alarmismos”, mas não escondeu a “preocupação” do Governo sobre a descoberta de quatro tipos de bactérias multirresistentes nas águas do Rio Ave num estudo realizado pelo  Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e pela Universidade de Friburgo (Suiça). O ministro do Ambiente afirmou, em declarações à comunicação social, que este assunto “está a ser acompanhado sem qualquer alarmismo, porque também não há razões para tal”, através da Administração da Região Hidrográfica do Norte (ARH-Norte).
O governante salientou que “as análises que são feitas à qualidade da água pelos organismos do Ministério do Ambiente estão dentro de um padrão definido pela Organização Mundial de Saúde” e reconheceu que “aquilo que é padrão comum analítico que é feito nas águas do rio tem de ser sistematicamente aperfeiçoado”. João Matos Fernandes considerou ainda “muito saudável que organizações universitárias sejam ainda mais exigentes nessas análises”.
Recorde-se que, em abril, a equipa de investigadores anunciou terem sido descobertas quatro estirpes de bactérias na água do Rio Ave, todas ‘Escherichia coli’, com grande capacidade de resistência aos antibióticos, incluindo aqueles que se usam exclusivamente nos hospitais para tratamento de infeções graves (carbapenemos).
A recolha de amostras de água foi feita em seis pontos do Rio Ave, desde a nascente até um troço abaixo de Santo Tirso, onde já em 2010 a mesma equipa tinha isolado uma outra estirpe (também resistente ao imipenem), portadora do mesmo gene identificado na bactéria responsável por um grave surto de infeção no Hospital de Vila Nova de Gaia em agosto 2015.
Os investigadores ficaram impressionados pelo “isolamento simultâneo de diversas estirpes multirresistentes num pequeno volume de água (200 mililitros), recolhido num açude em Azenha Velha (Riba d’Ave), sendo legítimo extrapolar que estas perigosas bactérias estivessem presentes em grande número no caudal do rio, devido às chuvas de inverno”.