População do Muro não deixa morrer a tradição e desfolhou o milho no Largo da Serra. Gigantones e “tramborileiros” foram surpresa da noite.

Melodias de tempos idos ajudaram a colorir uma noite de tradições. Longe vão os tempos em que o Largo da Serra, no Muro, ainda em terra batida, era ponto de encontro para aqueles que necessitavam de um lugar para desfolhar o milho cultivado. Este ritual continua a ser lembrado pela população da freguesia que não esquece os antepassados.

No sábado, 24 de setembro, os murenses cantaram e animaram uma noite que foi escolhida para não deixar morrer a tradição.

Milho para aqui, milho para acolá, a diversão esteve bem patente nas vozes sonantes, que também não esconderam um tudo ou nada de nostalgia. Mas a desfolhada não é só para relembrar… serve também para unir gerações.

“Todos sabemos que, hoje em dia, com a regressão da agricultura, fez com que muitos miúdos atualmente não saibam de onde vêm as pipocas, pelo que esta iniciativa também tem um caráter educativo. Mas também serve para promover o convívio entre a população do Muro”, explicou o presidente da Junta de Freguesia, Carlos Martins.

E festa não é festa se não houver barulho…e surpresas. Este ano, o executivo murense trouxe gigantones e tambores, da Associação Desportiva e Recreativa Águias de S. Mamede de Infesta, para animar uma noite que ainda foi acompanhada com tremoços, chouriço, pão e, é claro, o vinho.

A Junta de Freguesia luta para que todos os anos a animação “seja diferente” para que “a festa não se torne monótona”. E como antigamente, depois da desfolhada, era servido o merecido lanche, o executivo murense quis que “não faltasse nada” até para marcar o “simbolismo” da iniciativa.

O Rancho Típico do Centro Social Recreativo e Cultural de S. Pedro de Avioso teve honras de encerramento de uma noite em que o milho foi rei.

Concerto de Bandas de Garagem

Este ano, o executivo do Muro preferiu alargar o programa das festas, com um concerto de bandas de garagem. Carlos Martins estava satisfeito com a adesão e sucesso deste evento, que “proporcionou uma boa noite de rock”.

O fim de semana ficou ainda marcado pela receção ao novo vigário paroquial da freguesia, Rui Alves.

O autarca considera que estas atividades devem ser “cultivadas” pelas juntas de freguesia para “animar o povo”. “Culturalmente, somos muito fortes e o povo não se pode deixar ir abaixo. São necessários estes eventos, porque as pessoas falam e esquecem as coisas menos boas que se vê e ouve nas televisões”, concluiu.

 

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