A procissão em honra de Nossa Senhora das Dores cumpriu,uma vez mais, a tradição nas festas. Neste domingo, 17 de agosto, milhares de pessoas estavam espalhadas pelo centro da cidade para verem os andores, que são únicos no país.

Com o auxílio dos carrinhos, mais de uma dezena de homens transportou cada um dos dez imponentes andores com mais de dez metros de altura, sendo que um atingi os 15, que podem chegar aos 650 quilos, sustentados por quilos de alfinetes e centenas de metros de tecido. Entre cada andor, que represente os lugares da Paróquia da S. Martinho de Bougado, seguiam centenas de figurantes, que ilustravam momentos bíblicos.

Apesar de estarem a decorrer as obras de requalificação no Parque Nossa Senhora das Dores, a procissão manteve parte do percurso, saindo da Igreja Matriz, passando pela Rua Conde S. Bento em direção a Santo Tirso, entrando na alameda dos Parques e e circundando a Capela para voltar ao ponto de partida, novamente pela Rua Conde S. Bento.

Este ano, o andor da aldeia de Finzes, que tem como padroeira S. José, foi carregado por “16 homens”, sem usar o carrinho. Segundo Vítor Correia, responsável pelo andor, a razão de “utilizar este método antigo” surgiu durante “os peditórios” quando “as pessoas se queixavam que as tradições estão a acabar”. Na procissão da Nossa Senhora da Aparecida, este andor, que pesa “cerca de 600 quilos”, foi levantado por “35 homens”, contrastando com os “16” que iam na Trofa. “Correu tudo uma maravilha e ao terminar as pessoas bateram palmas, o que é bom sinal. Foi um bocado cansativo, mas chegamos ao fim”, denotou, mencionando que esta tradição “é para continuar”.

Já João Silva, da Agência Funerária Trofense, é responsável pelas da Senhora das Dores (Paranho), Santa Margarida (Valdeirigo) e Senhora de Assunção (Esprela). Para o responsável “correu tudo muito bem”, mas com “uns pequenos atrasos” que “é normalíssimo”.

Não obstante os constrangimentos por causa das obras nos parques, que obrigou a comissão de festas a deslocar a vertente profana das festas para a zona envolvente da nova estação de comboios, o presidente Alfredo Gomes, afirmou que “correu tudo muito bem” e que foi “excelente” depois do “muito trabalho” que teve “durante estes meses”. “Este era o momento que me preocupava muito, porque é sempre complicado ter este aparato todo bem montado, estes andores excelentes, com coisas bonitas. Chegamos ao fim desta etapa, agora é tentar descomprimir um bocado”, declarou, acrescentando que a comissão tem ainda “algum trabalho pela frente para que as coisas fiquem pagas”, uma vez que “não” conseguiram angariar as verbas suficientes.

Também a vertente religiosa sofreu alterações, com as cerimónias a decorrerem na Igreja Nova, à exceção das Eucaristias deste domingo (8.30 e 12 horas) e das procissões, na Capela de Nossa Senhora das Dores. Para o pároco de S. Martinho de Bougado, Luciano Lagoa,  “apesar dos condicionalismos” o balanço foi “bastante positivo” e as “coisas correram dentro da normalidade”.

O dia dedicado à Nossa Senhora das Dores começou bem cedo com uma missa por todos os benfeitores do concelho, seguida da atuação das banda de música da Trofa e Melres. Houve ainda a missa solene em honra da Santa na Capela, terminando o dia com um espetáculo piromusical-tradicional e show aquático.