Na passada semana, fomos confrontados com uma notícia que nos deverá deixar muito preocupados. Em resposta a um requerimento do Deputado do PCP, Honório Novo, o Ministério das Obras Públicas e Transportes refere e passo a citar, “ em Julho/2005 foi proposta pela Metro do Porto, no âmbito do 6º aditamento do contrato da Normetro, a supressão do troço ISMAI/TROFA”.

Analisemos com frieza e sem derivas populistas ou demagógicas esta questão. O que o Ministério das Obras Públicas diz na resposta ao requerimento e que a empresa Metro do Porto confirmou uns dias depois, é que a linha ISMAI/TROFA está fora da primeira fase da empreitada, isto é, do contrato com a Normetro e que um novo concurso está dependente de aprovação governamental.

 

joao sa.jpgIsto implica, na prática, que nos próximos anos o Metro não chegará à Trofa com todos os inconvenientes que daí advirão para o nosso Concelho!!

 

A Trofa adquiriu a autonomia política e administrativa há sete anos e meio. Ao nível das Acessibilidades e Transportes, a então Comissão Instaladora definiu 3 grandes objectivos a serem cumpridos pela administração central: as Variantes rodoviárias à EN14 e 104, a Variante ferroviária à Cidade e a ligação do Metro à Trofa.

 

Quanto ás variantes rodoviárias, o processo parece ainda no início sem qualquer calendarização ou compromissos financeiros assumidos por parte do Governo; a variante ferroviária, depois de um protocolo assumido entre a Câmara da Trofa e a Refer em 2003, não houve ainda capacidade das partes para o concretizar; quanto à obra do Metro fomos agora confrontados com estas notícias de abandono/adiamento – 3 grandes objectivos não cumpridos. Não são, decididamente, boas novas para a Trofa!!

 

Exige-se pois, dos nossos responsáveis autárquicos, uma atitude de grande firmeza junto do Governo e da Metro do Porto, na defesa dos superiores interesses do nosso concelho. Uma liderança política eficaz que nos conduza aos resultados almejados. Está na altura de dizermos o que queremos e o que não queremos e de mostrarmos que não andamos de chapéu na mão buscando as migalhas que sobram dos outros. Acabemos de vez com uma atitude de aparente subserviência e de não defesa dos projectos verdadeiramente estruturantes para a nossa terra.

 

E este projecto do Metro pode bem servir de exemplo duma Trofa reivindicativa, moderna, que não desperdiça oportunidades, que sabe o caminho a seguir. A mim, pessoalmente, custa-me muito constatar que o primeiro responsável político a pronunciar-se sobre o abandono ou adiamento da linha ISMAI/TROFA foi o Sr. Presidente da Câmara da Maia.

 

Às vezes parece que ainda não nos consciencializámos que já somos concelho há quase 8 anos e parecemos sofrer de um complexo de inferioridade inaceitável.

 

A Trofa que os trofenses desejam construir não se compadece com atitudes minimalistas, de perder por poucos, não ambiciosas, imediatistas ou de curto prazo.

 

Por mim, só considero que cumprimos o concelho quando elevarmos o nosso índice de desenvolvimento ao nível dos melhores da Área Metropolitana do Porto. É por este desiderato que vale sempre a pena lutar.

 

 

João Moura de Sá