Murenses reúnem-se para decidir se viajam a Lisboa para assistir à discussão da petição do metro até à Trofa, na Assembleia da República, a 20 de abril.

Dois minutos é o tempo que cabe a cada grupo parlamentar para discutir a petição do metro até à Trofa, na Assembleia da República (AR), no dia 20 de abril. A petição, que reuniu 8178 assinaturas, vai estar em cima da mesa do Parlamento na reunião nº 99 da XII Legislatura, com início marcado para as 10 horas. Depois de discutidos dois projetos de resolução e um projeto de lei, a AR vai abordar a questão do metro até à Trofa, numa discussão que pode ser assistida na televisão por cabo, através da AR Tv.

À hora de fecho desta edição (quarta-feira), no Muro, realizava-se uma reunião para decidir se haverá mobilização por parte da população da freguesia rumo a Lisboa para assistir à discussão do assunto. A presença dos trofenses no Parlamento é, na opinião do primeiro subscritor da petição, Henrique Cayolla, primordial para fazer valer a vontade da população do concelho, que se viu privada do comboio, há mais de uma década, com a promessa da chegada breve do metro.

Na resposta ao pedido de informação feito pelo presidente da Comissão de Economia e Obras Públicas, Luís Campos Ferreira, o gabinete do Ministro da Economia e do Emprego fez saber que “a expansão da linha verde do Metro do Porto poderá ser equacionada no âmbito do financiamento comunitário – cenário que está, no entanto, dependente da demonstração de que o projeto apresenta um rácio custo-benefício positivo”. Como “os estudos conhecidos, relativos à expansão da linha verde do Metro do Porto no troço ISMAI-Trofa, em linha com as metodologias internacionalmente aceites e concretizadas (…), não permitem concluir que o mesmo apresente um rácio custo-benefício positivo”, o Ministério da Economia “pretende reavaliar o projeto em questão, com vista a aferir se é possível elevar os rácios daquele investimento, para o que o mesmo venha a ser elegível no âmbito de uma candidatura a fundos comunitários”.

No entanto, mesmo que o rácio custo-benefício se confirme positivo, o Governo só tomará diligências para recuperar este investimento “depois de reiniciado o ciclo de crescimento da nossa economia”. Se assim for, os trofenses estão reféns de uma incógnita: para quando o crescimento da economia nacional? Na sua última entrevista a 28 de março, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou que “a partir do último trimestre deste ano a economia vai crescer”, acrescentando que “no próximo ano haverá uma ligeira retoma da economia”.

No entanto, de acordo com o jornal i, os técnicos do FMI (Fundo Monetário Internacional) estão céticos quanto à retoma da economia. O diário citou o terceiro relatório de avaliação do programa da troika, onde o FMI admite que a previsão de estagnação de 0,3 por cento para o próximo ano e de recuperação de dois por cento em 2014 estejam sujeitas a “incerteza”.

Câmara relembra palavras de ex-secretária de Estado

Também confrontada com um pedido de informação por parte da Comissão de Economia e Obras Públicas, a autarquia da Trofa aproveitou para relembrar as palavras de Ana Paula Vitorino que, quando era secretária de Estado dos Transportes, afirmou, que era o momento de “repor a justiça” e construir a linha que ligaria o ISMAI a Paradela. No documento, a presidente do município, Joana Lima, adianta que “a vontade política demonstrada de repor a justiça não encontra correspondência com a realidade fáctica e histórica”, acrescentando que “não existe um tratamento mais iníquo e injusto, como aquele a que se encontram sujeitas as populações deste concelho, porque contrariamente à maioria dos outros concelhos, o nível de mobilidade preexistente era muito mais eficaz e qualitativamente mais eficiente que aquele que existe atualmente, assegurado através dos transportes por via rodoviária”.

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