Já se vê “uma luz ao fundo do túnel” na freguesia do Muro. Na estação já emparedaram as janelas e portas para a protecção do espaço e na linha já começam a ser retiradas as ervas daninhas que cresceram durante sete anos, sem o movimento do comboio. Se uns acreditam que o metro ainda vai demorar, outros só pensam na sua chegada, daqui a uns meses. O NT foi perceber que mudanças trará o meio de transporte para o Muro.

Os habitantes da freguesia do Muro nem acreditaram quando foi anunciado o arranque das obras da linha do Metro na Trofa. Privados há sete anos do transporte público que consideram “mais rápido”, estão agora mais satisfeitos com a promessa de que em Março começará a empreitada.

“Eu não acredito que seja em Março. Já no ano passado diziam que era em Março, e no anterior também e nada aconteceu”, frisou Manuel Santos, um habitante da freguesia.

“Agora temos de andar a pé durante muito tempo para apanhar as camionetas, apanhamos chuva e frio. E depois apanhamos a camioneta para a ir daqui para a Maia, e só aí entramos no metro para ir para onde quisermos. Mas isto é agora que há metro na Maia, porque antes a camioneta levava-nos até ao Viso e só aí tínhamos metro”, lamentou.

Outros dos grandes problemas dos autocarros é o tempo de espera: “o comboio era às 7 horas, estávamos a horas no trabalho do Porto. Agora para ir na camioneta temos de sair daqui às 6 horas e esperar que eles venham para nos levar”.

Para Manuel Santos, a falta de interesse do autarca trofense, Bernardino Vasconcelos, é a origem destes sete anos sem um meio de transporte ferroviário a passar pela freguesia: “quanto a mim e a muita gente, o culpado maior do metro não estar cá é o presidente da Câmara”.

A falta de uma alternativa de transporte não é o único problema, porque o movimento na freguesia e os lucros no comércio da zona da estação também diminuíram.

Segundo Maria Ribeiro, proprietária de um café junto à estação, o facto de terem retirado o comboio afectou o comércio “em 90 por cento”. “Porque as pessoas vinham tomar café, ler o jornal, tomar o pequeno-almoço, tínhamos muitos clientes que iam para o comboio e que agora têm de ir para as camionetas, esperar lá uma hora”, afirmou.

Com o anúncio da vinda do metro, em via dupla, Maria Ribeiro vê uma luz ao fundo do túnel e uma esperança para o negócio no café e pensa já fazer obras de remodelação. “Foi a melhor coisa que nos podia ter acontecido, o metro já devia ter entrado na primeira fase e foi agora aprovado e isso é óptimo para nós”, acrescentou.

“O Muro vai voltar a ser um sítio bonito para se viver, com a Nacional 14, com o metro, o saneamento e a água, vamos viver aqui num paraíso”. Esta é a convicção de Carlos Martins, presidente da Junta de Freguesia do Muro, que acredita que a vinda do metro trará desenvolvimento para a freguesia.

“Vamos ter um boa rede ferroviária, inclusivamente vamos poder ligar aqui o Muro a Guimarães, a Lisboa, à Póvoa de Varzim. De facto é uma grande fonte de desenvolvimento aqui para a freguesia, foram sete anos à espera, mas não foram em vão, depois de muita persistência das pessoas aqui da freguesia que choravam pelo metro, porque tinham saudades de ver aqui o comboio passar. Mesmo para o comércio local que morreu bastante, penso que vai ser uma obra muito importante”, afirmou o autarca murense.

Orçada em cerca de 140 milhões de euros, a obra de execução do metro irá a concurso público no próximo mês, e os habitantes esperam a partir daí ver as máquinas a funcionar para o arranque da tão desejada empreitada.

 

Estação encerrada para início das obras do Metro

 

O anúncio feito pela Secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, na semana passada de que as obras da linha do metro da Trofa vão começar em Março já causaram mudanças na Estação do Muro.

Abandonado há cerca de sete anos, o edifício da estação tem servido de tecto a Almiro Azevedo. Não tem portas, nem janelas, mas o tecto abrigava o homem que ali vivia. Isto porque esta terça-feira Almiro teve de abandonar o local, já que as portas da estação estão a ser emparedadas para o início das obras da linha do metro.

“Eu não tinha abrigo e deram-me a oportunidade de vir para ali, e agora levaram-me tudo o que eu tinha. Mas podiam pôr aquilo de maneira provisória e depois quando tivesse de sair, saía. Agora não tenho para onde ir”, adiantou Almiro Azevedo.

Carlos Martins, presidente da Junta de Freguesia do Muro, tem conhecimento do caso, mas considera-o “dramático”, visto que o homem não tem onde ficar.

“Ele antes de estar aqui, estava num barraquinho junto à passagem de nível, mas como as condições ali eram muito más, passou para aqui (estação). Agora, os engenheiros tiveram de fechar isto e entretanto o engenheiro da Metro do Porto informou a Junta de Freguesia e nós comunicámos com o Gabinete de Acção Social da Câmara Municipal da Trofa e, de imediato, meteram-no numa instituição, mas ele esteve lá meia dúzia de dias e voltou novamente”, explicou o autarca.

O homem recusa-se a estar privado da liberdade, por isso não quer ficar em nenhuma instituição. “Temos de arranjar um local para onde ele possa ir, mas não vai ser fácil, porque para uma instituição ele não quer ir e por lei não podemos obrigar uma pessoa a ir para lá, tem de ser de livre vontade. Tentámos também arranjar uma residencial, mas também recusaram recebê-lo, porque é uma pessoa que não sabe inserir-se nos modos certos dentro de uma pensão, agora estou à espera que as técnicas da Acção Social da Câmara digam alguma coisa”, acrescentou Carlos Martins.

Manuel Santos, habituado com a presença do sem-abrigo, não acredita que ele queira abandonar o local. “Tirá-lo dali para fora é que vai ser difícil. O problema não é ele querer sair, é para onde ele vai. O problema agora é arranjar alguém que lhe dê casa. A família leva-o e ele está lá dois dias ou três e faz porcarias dentro do quarto de propósito para eles o porem fora. Aqui com as raparigas da Segurança Social, que lhe vêm limpar o canto onde ele está, é igual”, contou.

Já Maria Ribeiro lamenta que só agora esteja a ser preservado o espaço da estação, que depois de vários anos ao abandono foi perdendo a beleza. “Decidiram tapar a estação para não vandalizar o património, nem levantar os azulejos, porque há pessoas que vêm para aí dormir, partem portas e esta é uma estação bonita e é pena não terem feito isto antes”, lamentou.

A estação do Muro encerra agora, de vez, quem sabe para voltar a abrir em 2011, quando o metro passar em via dupla até à Trofa.

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