Poderão vir a ser serralheiros mecânicos, desenhadores de construções mecânicas, técnicos de mecatrónica ou especialistas em algo mais difícil de designar. Mas, uma coisa é certa todos terão emprego assegurado. Garante-o o director do Centro de Formação Profissional da Indústria Metalúrgica e Metalomecânica (Cenfim) da Trofa, que refere um nível de empregabilidade na ordem dos "200%". "O número de jovens formados que colocamos no mercado – entre 60 a 80 por ano – não é suficiente para satisfazer as necessidades", aponta, orgulhoso, Fernando Rodrigues. Além disso, já decorrem obras de ampliação das instalações e, para o fim deste ano, está prevista a abertura da cantina.

A constante procura por parte do tecido empresarial terá sido, de resto, um dos motivos que levaram Foto de fernando Timoteoos cerca de 200 alunos, com idades entre os 16 e os 24 anos, que todos os dias assinam as folhas de presença a ingressarem no Cenfim. Não será, porém, a única razão.

Um percurso escolar a afigurar-se demasiado "longo" aliado a alguma aversão a matérias teóricas e ao espaço fechado da sala de aula empurraram João Correia para as oficinas desta escola profissional.

Uns 16 anos ainda imberbes dificilmente fariam adivinhar que poderia frequentar o 10º. ou o 11º. ano do ensino secundário. Concluiu apenas o sexto. De sorriso largo, algures entre a malandrice e a timidez, explica como descobriu esta alternativa.

"Deram-me uma dica para vir para aqui, até gostei da cena e fiquei". A sugestão viria acompanhada de algo mais consistente – o rapaz teria "emprego garantido e equivalência ao nono ano".

Só mesmo quem não quer

"Só mesmo aqueles que não querem trabalhar é que não conseguem", interrompe o monitor que acompanha a turma de João. Para Abílio Araújo, o facto de os alunos "não estarem tão fechados" como numa escola convencional deixa-os "mais motivados".

Porque, avança, "eles não querem estudar". "Grande parte deles sai da [escola] preparatória para se ver livre dos livros".

"Aqui, tenho mais liberdade", corrobora João Correia, admitindo que prefere estar na oficina do que a assistir às aulas teóricas.

Rui Moreira tem, pelo menos, duas coisas em comum com João Correia – a idade e o gosto de trabalhar nas máquinas. Arredado, por minutos, do exercício de fresagem, assume que não concluiu o oitavo ano. Chegou ao Cenfim há quase 12 meses e já estagiou numa empresa.

Foi a primeira experiência profissional, mas "correu bem". De qualquer modo, ressalva que sentiu o peso da responsabilidade. "Não temos tanto tempo para fazer as coisas e tem de sair tudo direito".

Com candidaturas a chegarem todos os anos de Vila Nova de Famalicão, Vila do Conde, Santo Tirso e Maia, além da Trofa, o Cenfim quer agora duplicar o número de formandos.

As obras de ampliação que decorrem vão permitir receber 400 alunos e sanar uma carência antiga. No final do ano, o centro vai, finalmente, dispor de uma cantina.

Ana Correia Costa – JN