quant
Fique ligado

Edição 708

Memórias e Histórias da Trofa: S. Pantaleão – devoção dos murenses

Publicado

em

Quem deseja fugir ao trânsito da Carriça e vai em direção a S. Romão e S. Mamede do Coronado, tem sempre a alternativa de fazer o desvio na Nacional 14 e em poucos segundos está a passar próximo à capela de S. Pantaleão.

Reconheço que, com pena minha, a freguesia do Muro é das menos abordadas nestas crónicas, contudo, tal razão pode ser justificada com as suas reduzidas dimensões e por respeitar imenso o trabalho de outros historiadores desta praça, que têm feito um trabalho brilhante do conhecimento de todos sobre este território.

Pretendendo abordar na presente história uma breve súmula de mais uma das muitas edificações religiosas, referência para a Capela de S. Pantaleão, tratando-se de uma capela de traça simples, sem grandes pormenores arquitetónicos que terá sido construída anteriormente ao século XVII, tendo sofrido várias obras de ampliação com o passar dos séculos.

A ampliação de uma capela é algo perfeitamente normal, atendendo que havia um aumento crescente de população, como também não deve ser ignorado o aumento de rendimentos da população local, que permitia, obviamente, fazer uma melhor construção no futuro.

Sendo importante acrescentar um parêntesis neste ponto, a capela, nas memórias paroquiais de 1758, é referida como sendo propriedade do seu povo, pelo que se este tivesse poucos rendimentos, os seus templos, por certo, seriam mais modestos, como também é importante aludir à questão das suas romarias, caso tivessem um impacto mediático grande, as suas oferendas iriam ser maiores e obviamente a construção e qualidade da ermida iam ser de maiores dimensões.

Falamos então de um pequeno templo que sofreu bastantes obras no século XX, permitindo ter o seu atual aspeto, localizado num local aprazível que tem sofrido várias obras para se tornar atrativo para a vida da sua comunidade. Que belo que era ter uma abertura maior para aquele espaço na captação de investimentos, permitindo construir um parque de lazer e recreio de maiores dimensões para a comunidade que o visita, como também deveria ser dotado aquele espaço de mais e melhores condições para as festividades em honra de S. Pantaleão, como permitir uma maior segurança rodoviária para quem cruza a estrada que está colocada no seu topo.

A caminhar para os mais de 300 anos de história, o que provavelmente já aconteceu, a capela de S. Pantaleão vai reforçando o seu papel na história dos murenses e do concelho da Trofa.

Publicidade
Continuar a ler...
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado.

Edição 708

Entre os muros do envelhecimento populacional

Publicado

em

Por

Portugal, assim como outros países da Europa, tem vindo a registar nas últimas décadas profundas transformações demográficas, bastante marcadas pelo aumento da longevidade e redução da natalidade e da população jovem.

Em 2000, a esperança de vida à nascença era de 76,4 anos, tendo progredido em 2017 para 80,8 anos (77,8 anos para os homens e 83,4 anos para as mulheres) (PORDATA).

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define Envelhecimento Ativo como o processo de otimização das oportunidades para a saúde, participação e segurança, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida das pessoas que estão no processo natural de envelhecimento. O envelhecimento ativo e saudável resulta de um conjunto de oportunidades de intervenção no âmbito da saúde, participação cívica, segurança e outras, promovendo um envelhecimento acompanhado da manutenção da capacidade funcional, tal como a mobilidade e as atividades intelectuais.

Em Portugal, o Índice de Envelhecimento* passou de 101,6% em 2001 para 157,4% em 2018 (PORDATA), tendo um impacto significativo na sociedade, exigindo novas respostas do ponto de vista social, no que concerne à segurança social, sistemas de saúde, justiça e transportes. No que diz respeito ao Município da Trofa, este indicador também sofreu alterações com um forte impacto na caracterização da população trofense. Em 2001, este índice era de 52%, evoluindo para 134,4% em 2018. Se compararmos o Índice de Envelhecimento do Município da Trofa em 2018 com os municípios vizinhos de Vila Nova de Famalicão e Santo Tirso (padronizado para a população residente), verificam-se valores de 132,5% e 198,7%, respetivamente. Por outro lado, face à média nacional (157,4%), o Índice de Envelhecimento na Trofa é significativamente menor. Apesar do envelhecimento ter vindo a aumentar, também o Índice de Longevidade** tem acompanhado esta tendência. Em 2001, este índice era de 39,2% no Município da Trofa, evoluindo para 40,7%, embora menos acentuado que a nível nacional (41,9% versus 48,4%) (PORDATA).

Se por um lado a expressão “envelhecimento saudável” é de fácil compreensão para a maioria das pessoas, por outro, “envelhecimento ativo” pode levar a definições simplistas assentes somente na capacidade e condição física (mobilidade, motricidade fina, entre outros). Contudo, “ativo” remete para uma participação cívica contínua, fortemente marcada pela vida social, cultural, religiosa, espiritual e económica. O que tem sido feito pelas autarquias locais para a promoção da verdadeira cultura de envelhecimento ativo e saudável no idoso? Tenho ideia, e corrijam-me se estiver enganado, mas muitos municípios ainda acreditam que estão a dar um forte contributo social neste âmbito, através da organização do “passeio anual” ou do “lanche convívio mensal”. É uma inércia total face ao que podemos fazer. Vivemos aliados das novas soluções disponíveis para o acompanhamento social, tais como recentes soluções tecnológicas para parametrização permanente da saúde do idoso. Se os passeios anuais e o lanche-convívio são importantes? Certamente que sim. Contudo, resumem-se a atividades de baixo impacto face às inúmeras intervenções que podemos realizar.

Paralelamente a todos estes esforços, alguns dos indicadores do índice de envelhecimento ainda ficam muito longe daquilo que esperamos para um país envelhecido e, simultaneamente, desenvolvido como Portugal. Segundo o Report de 2018 da United Nations Economic Commission for Europe, Portugal, entre os 28 países da União Europeia, encontra-se em 10º lugar na lista (score de 33,5) dos 28 países da União Europeia (EU) sujeitos à classificação do Active Ageing Index (AAI). Este índice é uma ferramenta baseada em 4 domínios (emprego; participação social; vida independente, saudável e segura; e capacidade e ambiente propício para o envelhecimento ativo) e 22 indicadores, medindo o nível em que os idosos vivem vidas que os permitam caracterizar como “ativos e saudáveis”. Ora, a posição de 10º lugar, marcadamente abaixo da média da EU (score de 35,7), não nos pode orgulhar. Contrariar esta tendência levará anos de intenso esforço e intervenção social. Inverter esta tendência é combater a ideia de que Portugal será o país mais envelhecido da União Europeia em 2050 (Ageing Europe 2019, Eurostat).

Despido dos dados que expus e que me assolam permanentemente o pensamento, folgo em ler que “Seniores felizes, saudáveis e ocupados é uma das grandes apostas da Câmara da Trofa para 2020” (Trofa News, 2 de janeiro de 2019). O conjunto de iniciativas prometidas pela autarquia são, ao meu entender, abrangentes e promissoras: cartão “Trofa Sénior+”, teleassistência domiciliária, desporto sénior, segurança sénior, entre outras. Estaremos cá, enquanto munícipes, para acompanhar as intervenções disruptivas na fuga a esta tendência crescente e ao idadismo social.

Publicidade

2020 será com certeza um ano de grandes e variados desafios para o Concelho da Trofa.

*Número de pessoas com 65 e mais anos por cada 100 pessoas menores de 15 anos. Um valor inferior a 100, significa que há menos idosos do que jovens (INE, PORDATA).
**Número de pessoas com 75 e mais anos por cada 100 pessoas com 65 e mais anos. Quanto mais alto é o índice, mais envelhecida é a população idosa (INE, PORDATA).

RENATO FERREIRA DA SILVA
FARMACÊUTICO | INVESTIGADOR
NA UNIVERSIDADE DO PORTO

Continuar a ler...

Edição 708

Livros da Biblioteca podem ser requisitados na antiga estação

Publicado

em

Por

Desde segunda-feira, 6 de janeiro, que é possível requisitar, renovar ou devolver os livros da Biblioteca Municipal da Trofa na antiga estação de comboios, na Alameda, ou na Loja Interativa de Turismo, no Parque Nossa Senhora das Dores e Dr. Lima Carneiro.

Com esta medida, a autarquia da Trofa facilita o acesso ao acervo existente na Casa da Cultura, descentralizando o serviço que, na Loja de Turismo está disponível das 10 às 13 horas e das 14 às 18 horas, e na Antiga Estação funciona das 9 às 13 horas e das 14 às 17 horas.

“Consciente do importante papel que a Biblioteca Municipal desempenha no desenvolvimento cultural dos seus utilizadores, a Câmara Municipal da Trofa tem apostado na diversidade e excelência dos serviços prestados por aquela valência e no enriquecimento das suas coleções, promovendo o livre acesso à cultura e democratizando o espaço da Biblioteca enquanto porta de acesso local à Cultura”, referiu o município, em comunicado.

Biblioteca com horário alargado

Até 7 de fevereiro, a Biblioteca Municipal, situada na Casa da Cultura, está a funcionar com horário alargado, até às 20 horas, para satisfazer as necessidades dos estudantes universitários, que se encontram em período de exames.

Continuar a ler...

Edição Papel

Comer sem sair de casa?

Facebook

Farmácia de serviço

 

arquivo

Neste dia foi notícia...

Ver mais...

Covid-19

Pode ler também

} a || (a = document.getElementsByTagName("head")[0] || document.getElementsByTagName("body")[0]); a.parentNode.insertBefore(c, a); })(document, window);