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Edição 674

Memórias e Histórias da Trofa: O 1.º Treinador do Clube Desportivo Trofense

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Abordado por vários leitores na tentativa de perceberem quem foi Júlio Cardoso, nesta última crónica antes das férias resolvi escrever umas linhas sobre essa figura da história do futebol que deu muito à prática da modalidade na Trofa.
Júlio Cardoso numa entrevista em junho de 1926, enquanto defendia as cores do Futebol Clube do Porto era apontado como um dos melhores defesas do clube e do futebol português abordava um pouco da sua história de vida.
Nascido em Lisboa a 15 de julho de 1896, começando a sua carreira no grupo infantil do Luso Sporting Club, pouco tempo depois passou para a Escola Marquez de Pombal, comum à época as escolas terem equipas formadas pelos seus alunos a jogarem contra várias instituições de ensino em torneios e campeonatos.
Jogaria em vários torneios pelo Cruz da Pedra e Palmeirense. Numa fase posterior entrou no Lisboa F. Club, indo em pouco tempo jogar para o Sport Lisboa e Benfica, mudando-se por motivos pessoais para a cidade do Porto, jogando no F.C. Porto e tornando-se inclusive capitão da equipa.
No seu percurso a defender as cores do clube da invicta acabaria por ser campeão de Portugal por duas vezes (épocas de 1921/22 e 1924/25). Momentos históricos da sua carreira que representou dois dos maiores clubes nacionais.
Chefe de família, pai de uma menina e como o futebol era apoiado num profissionalismo encapotado tinha paralelamente à profissão de futebolista o trabalho de recetor de notícias do Comércio do Porto, sendo o responsável por receber no telégrafo sem fios as informações noticiosas vindas de várias cidades do país.1
Sendo treinador, acabaria por atuar em vários jogos também como jogador e nas crónicas da época demonstravam que era um jogador de uma garra incrível, o dito “raçudo” que jogava duro, mas leal, colocando um enorme respeito no jogo com os seus adversários a ficarem em sentido nos desafios contra o grémio da Trofa.
Um dos principais obreiros pelo início vitorioso do Trofense que repetidamente vencia o seu campeonato concelhio, não havendo adversários para acompanhar o seu ritmo.
Enorme atitude, desmedida entrega à causa desportiva do Trofense, recebendo um clube numa fase embrionária, mas colocando-o na rota dos títulos e acabaria por ser fundamental para a expansão desportiva dando também aulas de ginástica aos mais novos fundando uma academia de ginástica.
Urge recuperar esta figura da história da Trofa, da história do Clube Desportivo Trofense que muito deu ao clube, saindo posteriormente para o Gil Vicente.
1 Sporting, Os azes revelados por si mesmos…, pag.11 16.07.1926

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João Seabra e Joel Ricardo Santos no Coronado ConVida

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O Coronado ConVida está de volta. Este ano, de 30 de agosto a 2 de setembro, a gastronomia e o artesanato da região, bem como a animação, vão estar presentes no Largo do Divino Espírito Santo, em S. Mamede do Coronado.

O certame começa com uma noite dedicada à moda. A 30 de agosto, quinta-feira, pela passerela vai desfilar o melhor das lojas da freguesia. No dia seguinte, a noite é dedicada à comédia, com João Seabra e Joel Ricardo Santos a protagonizarem um dos momentos mais esperados. O primeiro dia de setembro é dedicado ao folclore. No domingo, 2 de setembro, decorre a Festa dos Êxitos Portugueses. A partir das 10 horas há zumba e às 14 horas atuam o grupo de dança As Rebeldes, Pedro Cruz, Sylvia, Rafaela Santos, Ricardo Mateus, Rui Fontelas, Manu, Marta Miranda, Daniel Miranda, Vítor Faria, Deniz Pereira, Porfírio Manuel, Pedro Vieira, Ben, Sérgio Santos e Bruno Fernandes.
A 8.ª edição apresenta algumas novidades nomeadamente o número de dias de certame. De oito passaram a quatro, “atendendo ao feedback ao longo das edições anteriores”, explicou José Ferreira, presidente da Junta de Freguesia do Coronado. Outra das novidades está relacionada com a organização do espaço. “Este ano, vamos usar umas bancas diferentes, abertas, o espaço para o público será mais fluído e os expositores podem mostrar melhor os seus produtos. A praça da alimentação e do espetáculo serão deslocalizadas”, adiantou o autarca. O objetivo é tornar “o Coronado ConVida uma iniciativa mais intensa, atrair mais gente e dar a conhecer a vila do Coronado”. “Queremos que este Coronado ConVida, que é uma referência já na nossa comunidade, cresça de forma sustentada”, finalizou José Ferreira.

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Crónica de José Moreira da Silva

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Eles comem tudo e não deixam nada”

O argumento utilizado pela governação, para não construir obras importantes e estruturantes nalgumas localidades é que o país está em crise. Tem sido este o argumento esfarrapado do poder central, mas a verdade é que não há vontade política para serem efetuadas essas obras há muito prometidas, só porque não se localizam na capital. Apenas isso!
Em Coimbra foi retirado, há duas dezenas de anos, o comboio urbano e suburbano, para ser construído no mesmo ramal, o metro de superfície. Nos anos posteriores foi anunciado o começo das obras, só que o poder central nunca adjudicou qualquer obra nesse sentido, e as pessoas de Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã ficaram sem o seu meio de transporte. Hoje, depois de muitos anos passados e muitas promessas, nem comboio nem metro de superfície!
O mesmo aconteceu na Trofa, em que uma parte significativa dos trofenses ficou sem o seu meio de transporte tradicional, o comboio que tinham desde 1932 e foi desativado em 2002, com a promessa de ser construído em quatro anos o metro de superfície, aproveitando o canal existente. Só que o metro foi contruído até à Maia, ficando por construir pouco mais de meia dúzia de quilómetros. Muitos anos passados e muitas promessas, e uma parte significativa de trofenses nem comboio nem metro têm para se deslocar para os seus locais de trabalho!
A Estrada Nacional 14 é uma via de acesso a vários núcleos habitacionais e a várias zonas industriais importantes, onde existem empresas com forte vocação exportadora. Por isso é que foi anunciado há muitos anos a construção de uma variante, desde a Maia até Famalicão, embora nada tenha sido feito nesse sentido, mantendo-se a mesma situação caótica em termos de trânsito, pois são precisas horas para percorrer apenas uma dúzia de quilómetros.
Estes são apenas três exemplos de um poder centralista e macrocéfalo, que alega a crise financeira para não serem feitas estas obras importantes e estruturantes, numa zona do país que também é Portugal. Ao contrário do que acontece na capital, em que estão projetadas grandiosas obras, quer em termos de engenharia quer em termos financeiros.
A rede do Metropolitano de Lisboa vai ser prolongada em mais quatro quilómetros e serão construídas quatro novas estações (Estrela, Santos, Campolide e Amoreiras), para além de uma ligação pedonal subterrânea, entre a futura estação das Amoreiras e o bairro de Campo de Ourique. Neste prolongamento da rede do metro da capital, a governação vai investir quase mil milhões de euros, em apenas quatro quilómetros e seis novas estações, em zonas onde existem transportes alternativos (elétricos e autocarros).
Também em Lisboa está a nascer uma obra megalómana, um novo corredor verde, que vai ligar Campolide a Alcântara, o parque de Monsanto ao rio Tejo, através de caminhos pedonais, ciclovias, túnel, junção de bairros, um parque urbano e mais tarde a ampliação do terminal de contentores e a construção de um troço da linha férrea subterrânea. São muitos milhões de euros, para uma obra que só será feita porque está localizada na capital.
A dívida dos hospitais Santa Maria e Pulido Valente (ambos de Lisboa) cresceu sete milhões de euros por mês em 2017. Se o Centro Hospitalar Lisboa Norte alcançasse custos por doente padrão iguais aos do Centro Hospitalar de São João (Porto), teria obtido (em 2014-2016) uma poupança de 211 milhões de euros. Este valor seria suficiente para o Estado financiar, por exemplo, a realização de três milhões de consultas externas ou o tratamento de 30 mil doentes com hepatite C, para falar só em termos de saúde.
Estes são outros três exemplos de um poder centralista e macrocéfalo, para quem já não há crise financeira. Por tudo isto é que é muito apropriado dizer, como na canção: eles comem tudo e não deixam nada! É uma vergonha nacional, pois para Lisboa tudo, ou quase tudo, enquanto para o “resto do país” nada, ou quase nada.

moreira.da.silva@sapo.pt
www.moreiradasilva.pt

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