Um dos elementos da identidade da Trofa, importante marco da sua história, a sua igreja matriz localizada próximo a um importante ponto da nossa cidade, marcando claramente a paisagem urbana.

A data da sua construção é misteriosa, no século XI, ainda anterior à nacionalidade portuguesa, em muito devido à sua construção aos monges beneditinos de Santo Tirso, contudo, em fontes documentais apenas em 1258 iria surgir as primeiras referências com as inquirições gerais de D. Afonso III que referem que a igreja era pertença do Mosteiro de Santo Tirso, confirmando as informações anteriores, com o padre naquele momento a ser o Monge Pedro.

Deveria ser um templo com importância histórica, atendendo a ter de ser assinado entre o Mosteiro de Santo Tirso e o Bispo do Porto, com D. Vicente que cedia a paróquia a diocese.

No século XIV foi taxada em 65 libras para a luta contra os mouros, havendo registos de atividade paroquial, tais como batizados, casamentos e afins a serem expostos ainda nesse século.

No século XVII, existiu certamente uma tentativa de incutir um novo culto, concretamente a S. Sebastião com a colocação de uma imagem dessa evocação, Nesse mesmo século, iriam surgir obras e conservação e restauro, como a construção de uma nova sacristia, mais caixotões para o teto, demonstrando que o templo primitivo era de reduzidas dimensões e certamente já não satisfazia as necessidades da população.

Passado um século em 1733, iria ser um ano importante para a história religiosa da paróquia com a colocação de uma relíquia do orago num relicário de prata, vinda aquela relíquia de Roma por intermédio do abade Inácio de Morais Sarmento Pimental, que irá atribuir uma nova dinâmica religiosa a esta localidade, conseguindo fazer profundas remodelações.

Não deverá ser desprezado o papel deste abade para o desenvolvimento e introdução do culto de Nossa Senhora das Dores que iria ser um dos maiores marcos da cultura local.

O que era expectante, acabaria por se concluir em 1780 com a construção de um novo templo, apesar de todos os remendos e novas construção, já não haveria mais condições para manter o antigo templo e as profundas remodelações fizeram surgir um templo novo no lugar do anterior, contudo 100 anos depois aproximadamente em 1886 havia relatos que a residência paroquial e o templo apresentavam um avançado estado de degradação.

Não deverá ser ignorada que em 1916, ano de profunda crise económica para o país, não esquecendo que havia uma forte perseguição à Igreja Católica, irá ocorrer novamente obras profundas, com a reconstrução da fachada principal e ampliação do templo, com a construção de um novo coro, com o apoio do padre António Gonçalves de Azevedo Júnior.

Praticamente 900 anos de história, que marcaram a sociedade foi merecedora de uma profunda adaptação às necessidades de tempos cada vez mais exigentes atendendo ao elevado número de fiéis que aumentava de ano para ano.1

1 Texto construído com dados consultados no site monumentos.gov.pt