O título escrito de forma inflamada, certamente, irá fazer com que o estimado leitor pense que se tratava de uma grande prova de ciclismo, daquelas que se vê na televisão com aquele aparato mediático tradicional.
A referida prova tratava-se de uma entre as dezenas que iam acontecendo, no início do século XX, no seu primeiro quartel, em que a bicicleta, depois de ser um meio de transporte caro apenas ao alcance de alguns, se tornava universal e eram cada vez mais os seus utilizadores.
Recordo que, possivelmente, estará lembrado de ouvir contar histórias sobre familiares, em tempos idos, que faziam as viagens para o trabalho naquele meio de transporte, algumas dessas viagens a ser na ordem das dezenas de quilómetros.
O ciclismo, no início exclusivo dos elementos das classes sociais mais elevadas, iria ser das modalidades que, rapidamente, iria obter grande popularidade entre a sociedade e para isso ter acontecido, as provas de ciclismo, seguramente, tiveram um papel fundamental.
Decorria o ano de 1913 e estava cada vez mais próximo do seu término e, no mês de novembro, iria realizar-se uma corrida de bicicletas com indivíduos do Coronado, e também de Covelas, desconhecendo o percurso. Todavia, o mesmo deveria ser nestas três freguesias, considerando que os corredores moravam naquele território.
As corridas de ciclismo eram eventos bastante festivos, com várias pessoas a aproximarem-se dos caminhos poeirentos para tentar ver e perceber quem liderava a corrida e os outros elementos da competição.
Numa tentativa de ser uma competição mais justa, existia, inclusivamente, a classe dos rápidos e dos lentos, desconhecendo como se organizava este formato de competição, seria pelos registos de provas anteriores? Pela qualidade da bicicleta? Pela estampa física dos atletas? Não sabemos.
Se existe uma prova, tem de existir vencedores e a vitória iria surgir ao Sr. Gaudêncio de Sousa Marques e o segundo lugar seria para Manoel Moreira Mendes, ambos de Covelas.
Os concorrentes do Coronado seriam suplantados pelos corredores de Covelas, não havendo informações relativamente aos prémios que estavam em disputa, mas, na maioria das vezes, esses prémios eram simbólicos e apenas tinham o valor de terem ganhado a competição.
Outras provas foram acontecendo, o número de participantes também ia aumentando, demonstrando que, de facto, o ciclismo era dos desportos mais acarinhados pelas massas populares e fazia parte da agenda recreativas das suas comunidades.