Nada fazia prever que um dia depois da visita dos membros da Assembleia de Freguesia de S. Romão do Coronado à empresa Savinor e de todos partilharem a ideia de que a nova administração da empresa estava “decidida” a resolver a questão dos maus cheiros, estes regressassem em força. O presidente da Junta de Freguesia e o líder do PS de S. Romão dizem-se “enganados pela administração da Savinor” e prometem “não baixar os braços”. A empresa garantiu ao NT que os maus cheiros foram originados por “uma avaria na torre de lavagem de Gases”.

A trégua nos maus cheiros durante o dia de segunda-feira marcava as conversas dos romanenses. Coincidência ou não era o dia marcado para a visita dos membros da Assembleia de Freguesia de S. Romão do Coronado às instalações da Savinor onde haveria de ter lugar uma reunião de trabalho com a administração da empresa liderada pelo presidente João Pedro Azevedo.

A visita teve início com uma apresentação da empresa e do grupo Soja Portugal, ao qual pertence a Savinor, com os responsáveis a mostrarem as melhorias físicas e tecnológicas que foram introduzidas na unidade industrial que se dedica à recolha, abate, desmanche e comercialização de aves , assim como à recolha e transformação de subprodutos de carne e peixe em farinhas.

Durante a reunião de trabalho entre os membros da Assembleia de Freguesia de S. Romão e da Administração da Savinor, que foi acompanhada pela comunicação social, os responsáveis da empresa foram respondendo às dúvidas e questões levantadas pelos autarcas.

No final de mais de quatro horas de reunião o sentimento que transparecia era o de que a empresa estava a tentar solucionar o problema dos odores “investindo milhares de euros” para “minimizar os impactes negativos no ambiente”.

João Pedro Azevedo, presidente do conselho de administração da Savinor, afirmou estar “razoavelmente satisfeito (com a visita) porque houve um reconhecimento inequívoco dos passos positivos que a empresa tem dado, no sentido de resolver problemas com décadas. Eu nunca estou satisfeito por natureza, portanto acho que há muito trabalho a fazer e há muitas medidas que nós vamos tomar para além daquelas que já foram tomadas, mas eu acho que nestes últimos dois anos era praticamente impossível pedir mais”.

O responsável adiantou, no entanto, que os maus cheiros sentidos no domingo em S. Romão do Coronado “não poderiam ser da Savinor, já que a empresa está encerrada a partir das 12 horas de sábado”, descartando, assim, qualquer responsabilidade e sugerindo que os cheiros pudessem advir “de outra unidade industrial instalada nas proximidades, ou das lagoas das etar’s onde se procede ao tratamento das águas residuais” que são depois lançadas no ribeiro de Covelas. João Pedro Azevedo garantiu ainda “total transparência da empresa” e abriu as portas “para que todos possam ver as condições da fábrica”, lembrando que “nos últimos dois anos temos tentado minimizar ao máximo os impactos negativos na vida da população”.

 

Membros da Assembleia sentem-se “usados”

 

“Fomos usados”. Esta era a expressão que uniu a uma só voz Guilherme Ramos, presidente da Junta de Freguesia de S. Romão do Coronado e Joaquim Dias Pereira, Secretário Coordenador do Partido Socialista de S. Romão de Coronado, que tal como outros colegas participaram na visita às instalações da Savinor.

Se no final da tarde de trabalho com a empresa o sentimento generalizado era de que “a empresa está a trabalhar para melhorar as condições”, agora “isso não chega”. Segundo Dias Pereira, “a administração da empresa levou-nos a ver aquilo que lhes interessava. Naturalmente que as instalações não são nada do que eram aqui há uns anos atrás, já tínhamos visitado há uns 10/15 anos atrás”. O autarca foi mais longe, acusando a Savinor: “ Fizeram encenação, convidaram-nos para visitar a fábrica a uma segunda-feira, não estavam a laborar, não cheirava. Na terça e quarta-feira não se conseguia abrir uma janela. Saí de casa e fui a correr para o emprego, que é na Escola EB2/3 de S. Romão mas nem lá se podia estar” afirmou revoltado.

Já Guilherme Ramos, presidente da Junta de Freguesia, frisou que “numa primeira abordagem tivemos a sensação que muita coisa tinha mudado, que há melhorias, mas o que é certo, reflectindo melhor, passando algumas horas, concluímos que fomos usados pela administração da empresa para tentar fazer uma operação de charme, quando na realidade se conclui que há algumas melhorias naquilo que interessa que é rentável, mas tudo o resto está na mesma. É uma falta de respeito, credibilidade de toda a ordem e estou desiludido e insatisfeito com o que se passou”.

O edil foi mais longe e apela às autoridades (GNR e Polícia Municipal) para fazer mais fiscalização de trânsito, “já que nos últimos dois dias (Terça e quarta-feira ) fomos confrontados com transportes de qualidade degradada e eu tenho que fazer uma referência às autoridades responsáveis pela fiscalização dos transportes, nomeadamente a GNR e a Polícia Municipal que têm obrigação de se deslocar à vila do Coronado e Covelas para acompanhar e fiscalizar. Ainda ontem (terça-feira) fiquei muito zangado quando seguia atrás de um camião de onde escorriam líquidos pestilentos, e tudo isso é muito desagradável e aí as autoridades têm a obrigação de intervir a fazer cumprir a lei”.

Guilherme Ramos garantiu que vai ter o cuidado de denunciar às diferentes autoridades, Ministério da Agricultura, do Ambiente, à Câmara Municipal da Trofa e à CCDRN – Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Norte – o que se passou “para que de uma vez por todas se possa pôr cobro a esta situação lamentável”.

 

Avaria na torre de lavagem de gases na origem dos maus cheiros

 

Contactado pelo NT o presidente da Savinor garante que os maus cheiros se devem “a uma avaria na torre de lavagem de gases”.

João Pedro Azevedo admitiu o problema, mas adiantou que durante a tarde de quarta-feira estava já a ser colocada uma nova bomba na torre” e que o problema ficaria solucionado “até ao final do mesmo dia”.

De acordo com informação da empresa “a bomba de dosagem de ácido sulfúrico que efectua a lavagem primária dos gases na torre, estava com dosagens abaixo do normal, pelo que foi encomendada uma bomba de substituição que foi montada depois de almoço”.

O responsável pediu “desculpa” à população pelos incómodos causados e garantiu que vai continuar a “tentar solucionar o problema dos odores para minimizar os impactos negativos que esta situação causa”.

Três unidades a laborar para tratar diferentes subprodutos

 

A Savinor tem a sua actividade de transformação de subprodutos dividida em três categorias. Na unidade de categoria um procede à destruição de resíduos e matérias em piores condições e que são por isso considerados “mais perigosos e sem qualidade para aproveitar, tendo por isso de ser destruídos”, afirmou o responsável.

A unidade de categoria dois recebe subprodutos de “menor qualidade”, sendo tratados na unidade antiga da fabrica e a unidade três recebe já produtos de melhor qualidade cuja farinha de carne ou peixe que daí resulta, serve depois para a produção de rações, o chamado Pet food para animais domésticos como cães e gatos, sendo a única empresa a nível nacional a dedicar-se a este tipo de produção.

A empresa recolhe e trata produtos de origem animal em mais de 50 matadouros e 200 outros pontos de revenda como salas de desmanche, talhos, hipermercados, assim como todos os subprodutos de peixe das indústrias conserveiras de Portugal e da Galiza (Espanha).

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