Devido às chuvas, o nível da água do Rio Ave subiu, galgando as margens e inundando tudo à sua volta. O percurso do Parque das Azenhas ficou completamente inundado e, devido à força das águas, destruiu algumas zonas. O estaleiro da obra do Parque das Azenhas não escapou à fúria das águas, com as máquinas, camiões e contentores a ficarem dentro de água.

De acordo com o relato feito à agência Lusa pelo responsável da Polícia Municipal (PM) da Trofa, Vítor Pinto, a subida do caudal do Rio Ave causou “grandes estragos” no concelho, desde estradas fechadas à circulação a zonas submersas e intransitáveis, tendo sido de “maior preocupação” a situação da zona do Parque das Azenhas.

Sérgio Humberto, presidente da Câmara da Trofa, adiantou que o Parque das Azenhas está quase totalmente executado, mas a cheia provocou estragos avultados. “Podemos estar a falar de mais de meio milhão de euros de prejuízos e a Câmara não tem possibilidades, todos os anos, perante as cheias, de gastar esse dinheiro. Numa instalação daquelas, estamos a falar de postes de iluminação e redes de vedação danificados, piso que foi levantado e vegetação que desapareceu.
Quem conhece a Trofa sabe que, em situações de cheia, o rio sobe duas a três vezes por ano. Temos que ter a consciência que este projeto, que já vem desde 2007 a ser projetado, tem deficiências profundas e que deviam ter sido alteradas há dois ou três anos antes de iniciar a obra. Temos que encontrar soluções para reformular”, adiantou.

O presidente adiantou ainda que “as cheias na EN14 junto à Câmara são recorrentes e o edifício municipal teve a sua cave inundada, o rés do chão com 20 centímetros de água e os processos ficaram ensopados”. “As inundações já vêm do tempo de Santo Tirso, que se taparam madrias de água, bueiros e deixou-se construir de forma desenfreada e hoje causa-nos um problema enorme”.

Apesar de haver um projeto para resolver o problema, o mesmo “é incomportável” garante Sérgio Humberto adiantando que são necessários “dois milhões de euros”. “A Câmara gostava de gastar dois milhões de euros e resolver o problema de forma definitiva, mas é completamente dispendioso e impossível gastarmos esse valor. Temos de arranjar outras soluções financeiras mais viáveis para o concelho”, adiantou o autarca.

Estradas nacionais cortadas devido às cheias

Vítor Pinto explicou que o primeiro alerta de emergência, devido à subida das águas do rio e à forte precipitação, foi dado às 20 horas do dia 2 de janeiro, tendo, “de imediato” sido encerradas duas estradas nacionais: a EN14, que só foi reaberta às 12 horas do dia 3 de janeiro, e a EN104, que reabriu às 8 horas. “Estas estradas estão a ser vigiadas e alvo de muita preocupação por parte dos serviços de emergência da Trofa. Devido à muita chuva, o piso está saturado e não consegue absorver as águas”, asseverou.

Durante a noite, a PM da Trofa registou cerca de 50 ocorrências, desde pedidos de socorro devido à entrada de água em casas particulares e unidades fabris, ao registo de muitas viaturas submersas.

O responsável da PM da Trofa alertou, ainda, para alguma “falta de cuidado” por parte dos munícipes, aconselhando que “cortem imediatamente a corrente de luz se a água começar a entrar em casa”. “Mas nem todos o fazem, assim como nem todos seguem as ordens de desvios de trânsito ao ponto de ficarem bloqueados na estrada devido à muita água”, frisou.

No terreno estiveram várias patrulhas da PM, Bombeiros Voluntários, Comando de Proteção Civil e GNR. Vítor Pinto adiantou que só da PM tem “todo o efetivo, mais de dez agentes, no terreno”.