Casa da Cultura inaugurou, no dia 4 de janeiro, uma nova exposição, desta vez dedicada ao projeto de Manuel Horta, sob o epíteto “Projecto sem Título”.

“Um martelo de ferro foi apropriado durante um processo de ‘arqueologia doméstica’. Um martelo de ferro, de fabrico rudimentar, livre das suas memórias (história), foi submetido a diferentes processos e diferentes meios tecnológicos que lhe criam uma história recente, resultando uma intervenção que se pode relacionar temporariamente com um espaço arquitetónico”. Esta é a sinopse das “Ações com martelo de ferro ou uma história recente de um martelo de ferro” que fazem parte da exposição “Projecto sem título! – Escultura e portabilidade na instalação/intervenção: Objetos antes das imagens e imagens depois dos objetos”, inaugurada neste sábado, na sala de exposições temporárias da Casa da Cultura, onde estará patente até ao dia 25 de janeiro.

A obra de Manuel Horta foi objeto de investigação no âmbito do 2º ciclo de Estudos do Mestrado em Escultura, na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, que se prende com “a questão da portabilidade, isto é, objetos portáteis que, pelas suas características, facilmente se transportam e instalam”. “Os objetos portáteis foram a razão para uma coleção de imagens relativas a objetos de produção artística dos séculos XX e XXI (a História da Arte como uma base de pesquisa). Do estudo e dos métodos de pesquisa adotados resultam, por sua vez, elementos portáteis (relacionados com um martelo e com jogos semânticos), elementos esses que, em sequência, se disponibilizam a organizar e estruturar num lugar de garagem. Desta ação resulta matéria audiovisual possível de ser trabalhada e projetada como o barro. Matéria que gera matéria. Um projeto que leva a outro”, pode ler-se no texto da apresentação do trabalho.

Manuel Horta, que nasceu em Almada em 1970 e estudou Artes Plásticas – Escultura na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, mencionou que quem visitar a sua obra pode encontrar “um projeto que se desenvolveu a partir do conceito da portabilidade” e que “não se vincula a um meio tecnológico, mas que explora meios tradicionais da escultura, como a fundição em bronze, o trabalho em pedra, em relação com outras tecnologias e outros materiais não tão característicos do universo da escultura ou até das artes plásticas em particular, como por exemplo o silicone termofusível, que é uma matéria ligada a outros contextos”. Este trabalho propõe “uma relação mental” e uma “associação de ideias, não só a partir das pistas/indicações que estão presentes no próprio espaço e que fazem parte do próprio trabalho, mas através das suas próprias associações do seu próprio pensamento”. “Este projeto acaba por propor ao observador que se desloque deste espaço e perceba que há aqui alguma coisa que não é assim tão imediata quanto isso e que o obriga intelectualmente e nalguns casos fisicamente a agir, a ver o trabalho não só pelo que é dado mas também pelo que ele próprio consegue ver ou se dispõe a ver”, explicou.

O martelo é a figura de destaque neste projeto, por ser “transversal a todas as estruturas e estar ligado aos primórdios da humanidade” e por ser “extremamente portátil”, sendo “um dos objetos mais antigos e que até hoje nada fazemos sem” ele.

Foi com esta nova exposição que marca pela diferença, que a Câmara Municipal da Trofa começou o ano com “atividades dedicadas à cultura e à promoção da arte”. O vice-presidente, António Azevedo, referiu que esta exposição tem “trabalhos magníficos”, esperando que tenha “muitos visitantes”. “Fazia um apelo para que venham ver esta exposição que está muito bonita e explicativa. Gostei dos vários trabalhos e da ligação do martelo à sonorização, a tudo. Está uma exposição magnífica, que nos obriga a imaginar e a pensar”, frisou, mencionando que a Casa da Cultura vai “continuar a ter mensalmente exposições distintas”.