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Edição 726

Maria Júlia Padrão (1923-2020): A menina da Farmácia partiu

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Em poucos dias, a Trofa perdeu duas referências, que, à boleia de um sentido cívico e muita ousadia, ajudaram a escrever a história do concelho. Uma dessas referências foi Maria Júlia Padrão, figura incontornável da sociedade trofense, que partiu a 2 de outubro, aos 96 anos, deixando um legado quase impossível de replicar. Para os anais da história desta comunidade fica o espírito emancipado e muito à frente do seu tempo, a mostrar o caminho do progresso.

Mais velha de cinco irmãos, dois rapazes e três raparigas, Maria Júlia herdou a vocação artística da mãe, exímia tocadora de piano, tendo sido orfeonista no Orfeão Universitário, mas inclinou-se mais para a pintura. Ainda assim, foram as pegadas do pai, Avelino Moreira Padrão, conhecido como “médico dos pobres”, que sustentaram muito do que foi a vida desta jovem que se formou, em 1945, na Faculdade de Farmácia do Porto.

Prontificou-se a apoiar o progenitor no atendimento aos doentes, mais concretamente na administração de vacinas e injetáveis, mas Avelino Moreira Padrão era exigente e quis que Maria Júlia se especializasse também em enfermagem. E assim foi. No último ano de licenciatura, a jovem inscreveu-se na Faculdade de Medicina do Porto e tirou, simultaneamente, o curso de enfermeira visitadora.

O sonho de ser médica, anulado por quase não ouvir do lado esquerdo, foi substituído pelo projeto que criou com a irmã, Maria José, depois de cinco anos a ajudar Avelino nas consultas: a Farmácia Moreira Padrão abriu em 1951, um ano depois do falecimento do pai. Este tinha aprovado os intentos das filhas, com uma condição: não entrar em guerras comerciais com a farmácia já existente na Trofa.

E naquele tempo, corrido sem o percalço de uma pandemia, as Marias foram empreendedoras, ao prestar serviços de enfermagem e entrega de medicamentos ao domicílio. Faziam-no a pedalar. Maria Júlia e Maria José saíam pelas aldeias de bicicleta, muitas vezes revezavam-se nas corridas. “Nesse tempo, não havia horário de trabalho. Aplicávamos injeções de penicilina de quatro em quatro horas. Enquanto uma descansava, a outra ia”, contou, numa entrevista à Saúda.

Teve a felicidade de nunca ter tido “um mau encontro” e de ser “muito respeitada” pela comunidade. À imagem do que acontecia com o pai, também estas jovens não cobravam nada pelos serviços que prestavam e quem podia oferecia géneros, como batatas, pão e hortaliças.

Maria Júlia não se destacou apenas nos cuidados médicos. Na política, também deixou marca, e bem vincada tendo em conta o tempo em que viveu. Tinha o “bichinho da política”, porque não conseguia “ficar alheada dos problemas do país”. Também neste capítulo, seguiu inspirada pelo pai, alistando-se no Partido Popular Monárquico. Mas apesar de preferir “um Rei, educado para isso”, em Portugal, não se furtava ao dever cívico do voto, mesmo nas presidenciais.

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Era amiga próxima de D. Duarte Pio, que a ajudou, aliás, a criar a Caixa de Crédito Agrícola na Trofa, e seguiu os preceitos do catolicismo, tendo apoiado vários projetos comunitários.

Viveu intensamente, trabalhou até ao fim, disponibilizando sempre um sorriso, sem exagerar na dose. A doutora Maria Júlia partiu sem dever nada a ninguém. A Trofa deve-lhe muito.

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A Trofa na Rota do Linho? ( 1943-1979)

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“Triste linho. O que ele padeceu para chegar a ser branco e útil. Foi semeado, arrancado, ripado, moído, espadelado, sedado, fiado, ensarilhado, meado, cozido, corado, dobrado, novelado, urdido e tecido”. São estas as fases por que passa a transformação do linho, desde o seu cultivo até ao branqueamento final…

Mas, o que é o linho e qual a sua composição? É uma planta herbácea, que chega a atingir um metro de altura e pertence à família das lineáceas (com flor azulada). O linho compõe-se basicamente de uma substância fibrosa, da qual se extraem as fibras longas para a fabricação de tecidos e de substância lenhosa. Produz sementes oleaginosas e a sua farinha é utilizada para cata-plasmas de papas, usadas para fins medicinais. O linho é um dos tecidos mais antigos da humanidade; acredita-se que foi descoberto há mais de 36.000 anos. Para a antiga sociedade egípcia, era de uma importância fulcral, sendo igualmente reverenciada pelas tribos de Israel.

Esta crónica só pode ser lida integralmente na edição impressa do jornal ou através da edição disponível para assinaturas online. Mais informações aqui

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Padre Simão e o “desafio encorajador” da missão

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“Depois de 18 anos em preparação para ser missionário, para encontrar novas culturas e desafios, quando cheguei a Moçambique pensei: ninguém me disse que era assim. A realidade é tão diferente da nossa”. Foi desta forma que o padre Simão Pedro começou por descrever a sua experiência em Moçambique, onde esteve em missão durante oito anos.

Em entrevista à Agência Ecclesia, o sacerdote trofense, que é missionário da Consolata e que desde os 11 anos sonhava partir em missão, encarou-a como uma forma de “salvar a vida de pessoas que, de outro modo, teriam falecido”.

Depois de perceber que estava tentado a “querer ensinar, com 27 anos”, Simão Pedro confessou que, naquele país, a primeira coisa que lhe ensinaram foi “a humildade”. “Quando nos vamos inculturando, vamos percebendo a grande riqueza do povo”, defendeu, sem esconder o “desafio encorajador” que o ajudou a adaptar-se às muitas diferenças com que se deparou em Moçambique.

“As dificuldades na economia, saúde e educação são grandes, mas é uma grande oportunidade para pôr o Evangelho em prática. Nos países onde há falta de estruturas temos também esse papel de desenvolver escolas, hospitais, centros de apoio”, sublinhou.

Atual presidente dos Animadores Missionários dos Institutos Missionários Ad Gentes – ANIMAG, o padre Simão Pedro está envolvido na organização de um ciclo de conferências missionárias, dedicado ao tema “A falta que um rosto faz”. Outubro é o mês que, desde há 54 anos, a Igreja católica dedica às missões, com o objetivo de “lembrar” a “vocação inicial, de levar Jesus a todo o mundo”.

Este ano, as celebrações serão feitas com a pandemia de Covid-19 como pano de fundo. “Neste momento que vivemos, a tempestade que vivemos é inesperada e realmente estamos a sentir a falta e proximidade do rosto do outro. É uma oportunidade para repensar que sem o outro não fazemos sentido, deixamos de ter sentido. É em relação com o outro que ganhamos valor”, explicou o sacerdote.

O ciclo de conferências resulta de uma parceria dos Institutos Missionários Ad Gentes (IMAG) e dos ANIMAG, em colaboração com as Obras Missionárias Pontifícias (OMP).

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