Maria Elisa Domingues foi a oradora convidada do Rotary Club da Trofa para a segunda sessão do 1.º Ciclo de Palestras de Saúde e Educação.

O auditório do Fórum Trofa XXI encheu-se para ouvir a jornalista, escritora e antiga deputada sobre o papel do cuidador informal e a sua importância na qualidade de vida dos doentes, em particular dos oncológicos, em Portugal

No papel de moderador, Luís Filipe Moreira, presidente do Rotary Club da Trofa, lançou para discussão algumas das dificuldades como “o esforço físico e emocional, a saúde na generalidade, a restrição na vida pessoal, social, familiar e no trabalho e o insuficiente apoio formal”, mas também “necessidades, como o suporte formal, o apoio financeiro, a formação/conhecimento e o reconhecimento do papel de cuidador informal através de políticas sociais”.

O presidente do clube rotário aponta para os dados da Pordata, gerida pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, que dá conta de que Portugal tem 10,2 milhões de habitantes, mais velhos que novos. O país é o terceiro da União Europeia com maior rácio de seniores por jovens, 157 idosos para cada 100 jovens, só superado por Itália e Alemanha.

“A taxa de mortalidade, que em 1960 se aproximava dos 90 por mil habitantes, está hoje em 2,7 por mil, abaixo da média europeia de 3,6 por cento”, revelou Luís Filipe Moreira, que deu ainda outro número que sustenta o “inverno demográfico”: “Em 2018, houve mais 25.980 mortes do que nascimentos em Portugal, traduzindo uma variação negativa de 1,6 por cento, por oposição aos 2,1 por cento positivos da média europeia. Portugal continua a envelhecer”.

Contudo, continuou, “apesar de se tentar garantir uma velhice mais ativa e saudável, viver mais poderá conduzir a períodos de maior fragilidade e incapacidade levando assim à necessidade de apoio”.

A esta realidade, soma-se, por consequência, a dos cuidadores informais que, estima-se, serão “800 mil” em Portugal, sendo responsáveis por prestar cuidados a familiares ou gente próxima sem receber nada em troca. “Uma parte significativa dos cuidadores vive para o outro e muitos negligenciam o seu autocuidado. Deixam de cuidar de si e esquecem-se que este não é nem pode ser o caminho de só existir para o outro”, sublinhou Luís Filipe Moreira, que recordou a aprovação recente do Estatuto do Cuidador Informal.

Na sessão, interveio ainda Cristiana Fonseca, coordenadora do Departamento de Educação para a Saúde da Liga Portuguesa Contra o Cancro, que apresentou o trabalho desenvolvido pelo Núcleo regional do Norte nos domínios da educação para a saúde e campanhas para a prevenção do cancro.

Luís Filipe Moreira referiu ainda que o 1.º Ciclo de Palestras estará de regresso ao Fórum Trofa XXI no dia 16 de março, com Fernando Carvalho Rodrigues, o pai do 1.º satélite português no Espaço, que falará de Educação, Conhecimento e Inovação no século XXI.