Renato Pontes em entrevista ao O Notícias da Trofa

Em entrevista ao NT, Renato Pontes revelou que começou a época com "uma perspectiva diferente da realidade desta competição" e que muitas vezes sente a equipa "desacompanhada", em jogos em que "se não fosse a dualidade de critérios podia estar com pontos no campeonato".

   Uma experiência que se tem revelado mais difícil do que esperava no início da temporada. Renato Pontes conseguiu colocar o Bougadense num lugar mais confortável na tabela classificativa numa altura em que o clube atravessa alguns problemas do foro directivo, desde a saída de José Olgário.

Em entrevista ao NT, o técnico revelou que começou a época com "uma perspectiva diferente da realidade desta competição" e que muitas vezes sente a equipa "desacompanhada", em jogos em que "se não fosse a dualidade de critérios podia estar com pontos no campeonato".

O técnico afirmou que os problemas directivos afectaram o rendimento da equipa que "entrava para dentro de campo sem a concentração necessária", acrescentando que o futuro do emblema "passa pela resolução rápida desta situação".

Também os jogos fora de casa se revelaram, ao contrário que Pontes esperava, num entrave à conquista da manutenção, em que "no início da época haviam alguns jogadores que revelavam um comportamento diferente a jogar fora". No entanto, a última vitória em Valongo "é um indicador que a atitude do conjunto está a mudar, que começou a perceber que não pode existir diferença entre casa e fora. Nesta altura estamos em condições para somar mais pontos, porque já denoto mais vontade dos atletas em enveredar pelo futebol ofensivo no reduto do adversário".

Em período de interregno do campeonato, o Bougadense já fez mexidas no plantel, dispensando Marino, Roberto e Ângelo e recrutando Ramalho e Miguel Ângelo. As novas aquisições, "feitas de acordo com a pouca disponibilidade financeira do clube", para Renato Pontes vêm dar resposta a uma das lacunas da equipa no sector mais adiantado do terreno.

Ramalho, que veio do Ermesinde, "lanterna vermelha" da Divisão de Honra, lesionou-se no primeiro treino e é um dos indisponíveis para o jogo do próximo domingo com o Ataense, juntamente com Luís Carlos, Hélder e João Paulo, castigados.

Com a chegada da segunda volta, adivinham-se jogos difíceis para o Bougadense, com equipas que ocupam os lugares cimeiros da tabela classificativa, facto que parece não preocupar o treinador: "se tiver a equipa toda disponível não tenho receio desses jogos, até porque considero que às vezes é mais fácil jogar com equipas que estão no topo da tabela, pois os atletas entram nesses encontros com grande motivação".

Finalização é um dos aspectos que, segundo Renato Pontes, a equipa precisa melhorar, mas mais importante que isso é "não permitir que o adversário crie tantos lances ofensivos".

Também não tem sido fácil a relação de Pontes com alguns adeptos do emblema de Santiago de Bougado, que no último jogo em casa, não pouparam críticas ao treinador. "Essas contestações estão concentradas em 2 ou 3 adeptos que estão mais preocupados em ofender do que em apoiar a equipa. O Bougadense precisa de ajuda e não de pessoas que destabilizem. É uma completa injustiça afrontar e pôr em causa todo o trabalho que está a ser desenvolvido quer por treinadores, quer por directores", referiu.

Com quinze jornadas efectuadas, o conjunto de Santiago de Bougado ocupa o décimo segundo lugar com 18 pontos, distribuídos por quatro vitórias, seis empates e cinco derrotas. O objectivo da manutenção "está perfeitamente ao alcance" da equipa bougadense "se não for prejudicada" pela arbitragem. "Também não quero que nos ajudem. Quero apenas que nos deixem fazer o nosso trabalho".