quant
Fique ligado

Edição 431

Mais de mil miniaturas compõem coleção

Publicado

em

Há cerca de seis anos que João Gomes, bombeiro voluntário, decidiu iniciar uma coleção de miniaturas de viaturas de socorro, bem como outros objetos ligados à prestação de socorro. O NT e Trofa Tv foram conhecer a sua coleção e a história das viaturas mais marcantes.

Como qualquer outra criança, foi desde “pequenino” que o gosto pelas miniaturas de carros foi surgindo. Mas havia um tipo que lhe chamava mais a atenção: as viaturas de socorro. Muito também por “culpa” do pai que, por “pertencer aos bombeiros”, o ia “incentivando”.

Apesar de ir “juntando e guardando” alguns, só “há cerca de seis anos” é que João Gomes, “bombeiro há 25 anos”, decidiu alimentar esta paixão, começando a colecionar “mais a sério” e a “pô-los e a expô-los”, tendo “mais atenção” na hora de os adquirir. Hoje já tem “mais de mil miniaturas de carros de todos os tamanhos, feitios, modelos e cores” e “cerca de seis mil peças” relacionadas com a prestação de socorro. “Há pessoas que fazem coleção dos que se referem à polícia ou assim, eu faço de tudo o que seja de socorro. Não é só de bombeiros, mas também tenho muitas peças da cruz vermelha, que, embora não esteja incorporada nos bombeiros, está relacionada com o socorro”, explicou.

A primeira miniatura que teve foi uma ambulância, que já tem “mais de 25 anos” nas mãos do João. A viatura já está “toda alterada”, tendo já sido pintada entre “quatro a cinco vezes”. “Quando éramos miúdos alterávamos tudo, não ia saber que passados 30 anos ia pegar no carro e pô-lo numa vitrina para fazer coleção”, declarou.

Já a primeira miniatura adquirida “especificamente para coleção” também foi uma ambulância, que é “um dos carros mais antigos” que já teve. O veículo mais caro que comprou custou “60 euros” e foi obtido pouco tempo depois de ter iniciado a coleção. Quando olhou para ele “nem lhe dava cinco euros”, mas como era “raro e antigo” foi “com gosto” que o comprou.

Quando questionado qual seria o “menino dos seus olhos” que gostaria de obter, João respondeu que não é “um, mas sim 86”, que corresponde ao número de veículos que lhe falta para completar uma coleção. Na semana passada, conseguiu “dois pela internet”, há duas “comprou um” e agora está “ansioso” pelo mês de julho, para ir a uma feira a Aveiro, onde espera encontrar “um ou dois” dos que lhe falta.

João é muito cuidadoso com as viaturas, tendo um registo do preço, a quem o comprou, a marca e o número do veículo”. Esse mesmo número é colocado no veículo. Assim, caso no futuro tenha “um azar”, quem ficar com a coleção “sabe que carros tem e como os identificar”. “Para mim é fácil identificá-los porque conheço-os um a um, mas outra pessoa não”, denotou.

Publicidade

Além de conhecer bem as suas miniaturas, o colecionador sabe como as tem colocadas e repara sempre quando alguém mexe nelas, nem que desvie apenas “meio milímetro”. A própria esposa fica admirada com a explicação que lhe é dada, quando ele conta como sabe que lhe tocaram.

João tem ainda à sua disposição uma divisão da casa que funciona como o seu “ateliê”, onde guarda os carros que ainda não tem vitrinas e arranja alguns veículos que estão danificados. É nesta sala que João guarda os “outros artigos” de coleção, dos quais fazem parte os seus primeiros capacetes, agora restaurados, bem como outros objetos oferecidos pelos familiares e amigos.

Na sua extensa coleção fazem parte duas viaturas de socorro insólitas: um trator e um veículo de limpeza de via.

 

Muitos quilómetros e horas perdidas”

Para alimentar a sua paixão, o colecionador “normalmente compra na internet”, “diretamente nos quiosques, grandes superfícies e supermercados” ou, ao que “corresponde ao maior lote de veículos, visitando feiras de antiguidade e de automobilia”, onde consegue arranjar “muitos carros antigos e estrangeiros”, vindos de “França, Espanha e Alemanha”. Além disso, conta ainda com a ajuda de amigos e familiares que lhe arranjam “peças de várias corporações ligadas à Cruz Vermelha”, “revistas dos bombeiros romenos”, “capacetes dados pelos bombeiros franceses”, “alguns cartazes de outros países”, “selos autocolantes, copos, canecas, garrafas de vinho, cinzeiros, pratos decorativos”, entre outros.

Para visitar as feiras, João faz “sempre muitos quilómetros e perde muitas horas”, pois “as melhores” são “em Caminha, Valença, Guimarães, Aveiro, Lisboa e Algarve”. Nas visitas pelas feiras, os vendedores ficam “admirados” como é que João sabe identificar as viaturas que tem ou não, bem como as pequenas diferenças. “Até a minha mulher se admira, mas quando chega a casa confirma que é verdade. Por exemplo, tenho aqui duas viaturas que são idênticas, mas tem algumas diferenças de fabrico do ano. O modelo mais antigo tem umas jantes normais e uns pneus mais lisos, já o mais moderno tem umas jantes embutidas e uns pneus mais trabalhados”, exemplificou.

Publicidade

Outro exemplo que deu, e que “ninguém, à primeira, viu as diferenças”, são quatro viaturas idênticas, que apenas divergem nas cores: “Uma coleção é em prateado e outra em dourado”.

 

Viaturas têm histórias a contar

Todos os carros que tem na sua coleção têm uma história para contar. João abordou dois exemplos que lhe estão na memória. Uma das miniaturas é-lhe “especial”, pois apesar de a ter perdido “por segundos” num leilão “cerca de cinco vezes”, acabou por consegui-la de uma forma “mais fácil”. “Dois meses depois” das perdas, João tentou a sua sorte noutro leilão, para obter um carro diferente, mas ao mesmo vendedor. Quando o ganhou, o proprietário questionou-o se ainda estava interessado na primeira viatura, pois tinha-a “em stock”. “Ficou na história” a sua conquista, depois de a ter perdido tantas vezes.

Outro veículo que também lhe é especial é um carro de bombeiros da marca Rolls Royce, que “pertencia a um senhor que colecionava” carros desta “marca específica”. “É um carro interessante que deixou saudades à pessoa que o tinha, porque chorou quando o vendeu. Era o único carro de bombeiros que ele tinha da marca e quando mo vendeu ficou a chorar. A partir daí sempre que o vejo lembro-me da cara do senhor e da situação que se passou”, referiu.

Continuar a ler...
Publicidade
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado.

Edição 431

ASAS desenvolve projeto de reintegração social de ex-dependentes

Publicado

em

Por

O Dia Internacional da Luta Contra o Abuso e Tráfico de Droga assinala-se a 26 de junho. O NT foi saber como está o único projeto concelhio que trabalha para reintegrar, socialmente, ex-dependentes.

O concelho da Trofa foi identificado como sendo um concelho lacunar ao nível da intervenção com doentes alcoólicos e toxicodependentes. Para a colmatar, a Associação de Solidariedade e Acção Social de Santo Tirso decidiu avançar com o projeto (Re)Inserir na Trofa, que permitiu criar “resposta social multidisciplinar” que, para além de uma “intervenção integrada” no público-alvo, serviu também para “sensibilizar a população para a problemática das dependências”. Este “conceito inovador” visava a aplicação de um conjunto de respostas variadas e integradas em parcerias intra-concelhias e teve a participação de “47 pessoas”. Segundo Natércia Rodrigues, coordenadora técnica do Centro Comunitário da Trofa da ASAS, “25” dos utilizadores conseguiram “a abstinência total”.

O aumento da autoestima e da autoconfiança, importantes para a reintegração do contexto social, foi um dos resultados apurados no último relatório efetuado pelos responsáveis do projeto. “Note-se ainda o papel fundamental que o projeto tem vindo a reforçar junto destes utilizadores no que concerne aos fatores de proteção que lhes permite criar e solidificar um conjunto de competências, aumentando a capacidade de resiliência face à recaída, diminuindo paralelamente os fatores de risco”, evidenciou. De acordo com o relatório, os utilizadores tiveram várias conquistas, entre elas, a “melhoria da qualidade dos laços familiares, que se encontravam fragilizados ou em situação de pré-rutura”, o “fomento de momentos de interação positiva e envolvimento intrafamiliar” e a alteração “da postura sobre a sua forma de estar na vida, nomeadamente na procura de respostas para o seu bem-estar físico”.

O projeto permitiu ainda que “os utilizadores construíssem redes de relações com figuras da comunidade diferentes das do mundo da dependência”, afastando-os dos ambientes de risco e contribuindo para a adoção de valores como “o respeito, a lealdade e entreajuda”.

As redes de amizade também saíram fortalecidas, “proporcionando que colegas que iriam passar as festas de Natal e Ano Novo sozinhos, o passassem em conjunto”, destacou Natércia Rodrigues.

“Ao longo do desenvolvimento do projeto, foi possível verificar uma evolução positiva face aos consumidores em processo de reinserção, principalmente ao nível da motivação para a manutenção da abstinência ou redução dos consumos. Estas mudanças verificam-se sobretudo num conjunto de atitudes e comportamentos diferentes que os utilizadores têm vindo a adotar e refletem-se numa escolha mais seletiva das amizades, privilegiando indivíduos que não consomem, ou que pelo menos se encontrem na mesma situação dos próprios relativamente aos consumos”, explicou.

Entre outros resultados, o (Re)Inserir Trofa ficou marcado pelo “envolvimento das entidades parceiras na procura do projeto como uma resposta efetiva e de referência para a problemática das dependências”.

Publicidade

 

Projeto continuou mesmo sem apoio estatal

 

“A manutenção de trabalho com este público-alvo é fundamental manter, pois trata-se de uma problemática que se encontra constantemente na iminência de recaída, e a existência de uma equipa, paralela às consultas e com quem cada um pode contar, é fundamental quer para a prevenção da recaída, quer para a motivação e envolvimento para o tratamento e recuperação”, sublinhou a coordenadora. Por isso, o projeto, cujo período de vigência terminava em janeiro de 2013, continuou a ser desenvolvido, sem apoios estatais, mas com o empenho dos utilizadores e a colaboração de entidades externas, como a Academia Municipal Aquaplace, que permite a utilização da piscina, uma vez por semana.

“Os próprios utilizadores mobilizaram-se entre si para que todas as ações fossem possíveis de executar, nomeadamente os almoços, onde cada um contribui com um valor simbólico que, no seu conjunto, permite que se continuem a realizar os almoços-convívio preparados e organizados por eles”, asseverou.

Atualmente, a ASAS conta com a participação regular de “22 utilizadores”, com idades compreendidas entre os 24 e os 58 anos, em atividades como o grupo de autoajuda, os almoços e as aulas de piscina. Também “participam e apoiam ativamente na dinâmica diária do Centro Comunitário, quer em festas e em convívios, quer mesmo no tratamento do jardim, por exemplo”. “O serviço de balneário e lavandaria social é outra resposta ainda solicitada por alguns dos elementos do grupo”, acrescentou.

Apesar de não abranger utilizadores à “escala industrial”, esta resposta social torna-se importante para a construção de uma sociedade melhor. “Não se pode considerar a recuperação do álcool ou da toxicodependência seja um ciclo, mas sim um processo contínuo no tempo e que dura para a vida toda. Contudo, daqueles que conseguem ter e manter este processo, o feedback que temos tido não passa muito pela integração profissional, pelas razões conhecidas por todos, mas mais pelas relações familiares restabelecidas e pelas amizades que percebem neste momento como sendo válidas e verdadeiras. Todos estes progressos são conseguidos pelo aumento da autoestima que foi a ‘alavanca’ para o sucesso pessoal de cada um”, concluiu.

Publicidade

 

Continuar a ler...

Edição 431

A água. O devir. Os vizinhos. *

Publicado

em

Por

A perceção de que os tempos mudam− e que com eles se mudam as vontades −, marcou mais uma atividade do jardim de infância. A saída planificada para visitarmos o(s) fontanário(s) que circunda(m) o nosso estabelecimento de ensino, tendo como guia interlocutor aqueloutro a quem o tempo aprimorou as vivências pelo percurso extenso já percorrido, revelou-se acertada. Assim, ouvir o senhor Alberto falar, narrar um dos capítulos da sua história, lembra o poeta Camões, “Do mal ficam as mágoas na lembrança, / E do bem (se algum houve) as saudades”.

— Foi a comissão de moradores, eleita nesta escola, numa assembleia realizada num sábado à noite. Juntávamo-nos − alguns desses amigos já faleceram − para falarmos dos problemas do lugar. Fixou-se construir fontanários, porque era o que as pessoas mais precisavam. Havia falta de água, as pessoas andavam com os cântaros a carregá-la lá de baixo. Falei então com o senhor engenheiro da Comissão Administrativa, filho da terra, casado na Trofa, também eleito pelo povo. Tinha os poderes. Falei com ele para ver se fazia um bocado de jeito para meter fontanários. Disse que não tinha dinheiro, mas que autorizava desde que “Vocês o façam com o vosso dinheiro”, adiantou. Falei, pois, falei com os restantes membros da comissão de moradores e combinou-se começar o trabalho ao domingo, no sítio onde estava o lavadouro e a serração, antes de construírem o prédio por cima. Olhe, havia por aí água, daqui e dali, escorria para um fundão. Havia muitas silvas e cada um arrogou-se de sachos e sacholas para, primeiro, limpar o terreno. Cavaram depois no interior da mina de água, enquanto outros, com as tábuas da serração, faziam taipais que sustentavam as paredes, para não caírem, senão ficávamos sem ar. Oh, depois de um grande marretão numa pedra, a água invadiu a mina. Tínhamos descoberto o veio de água! Tínhamos descido aí uns onze metros dentro do túnel.

A memória não se cansa de lembrar o que o animou no caminho. O longo percurso traz o cansaço à companhia, mas não desânimo à narração que prossegue.

— No outro fim de semana, parte deles já não vieram, fui eu e os meus filhos menores e uns poucos que iniciamos a construção dos fontanários. As pessoas dos lugares contribuíram com dinheiros e materiais − e algumas com trabalho. A construção dos fontanários aconteceu entre abril de 1975 e o dia 1 de maio de 1976. Nesse dia, abri a água para todos os fontanários. Havia um passador para controlar a distribuição. Entretanto, depois construíram outros, até que a água da companhia foi chegando. É obrigatório ter a baixada, mas continua a utilizar-se a água do fontanário.

O senhor Alberto caminha e para! Tira o lenço do bolso, limpa a testa, respira fundo, mais uma vez, procura as palavras e retoma…

— Um dia, a diretora da escola chamou-me para ver se eu ligava a água para lá. Eu disse-lhe que também tinha um pedido. Se ela fazia o favor de ceder o terreno da escola para alargar o caminho. A estrada andava um metro e noventa para dentro. Ficou assim combinada a troca de graças. Eram uns esteios e um arame a fazer de vedação. Passou-se um cano do fontanário rente ao muro até aquele casinhoto − ainda deve lá estar a tampa.

Entramos, procurou-se a tampa. Descobrimos que a nossa escola continua ainda agora, neste século XXI, em marcha, a ter água para rega proveniente de um fontanário construído em tempos revolucionários, em que movimentos comunitários de cidadãos empreenderam a seu favor.

Publicidade

Sente-se, por favor, fazemos gosto que entre para ver como estamos aqui instalados. Agradecemos a sua partilha, o tempo de dedicação, com uma canção:

“Quando eu era pequenina / Do tamanho do tostão / Ia ao poço tirar água / E ao fontanário de cântaro na mão / É que a água naquele tempo / Não chegava a casa pelo cano / Nem torneira em casa havia / Era mesmo muito estranho”. Esta é a canção da Tila, ela foi uma das crianças do tempo dos fontanários! Obrigado por este tempo; o momento lembra que “E, afora este mudar-se cada dia, Outra mudança faz de mor espanto, Que não se muda já como soía”.

 

* tertúlia com o senhor Alberto, no Jardim de Infância da Feira Nova, sobre o fontanário da Rua da Escola, em S. Mamede do Coronado, Trofa

matilde neto | APVC – Associação para a Protecção do Vale do Coronado.

http://facebook.com/valedocoronado
http://valedocoronado.blogspot.com

Publicidade
Continuar a ler...

Edição Papel

Comer sem sair de casa?

Facebook

Farmácia de serviço

 

arquivo

Neste dia foi notícia...

Ver mais...

Covid-19

Pode ler também

} a || (a = document.getElementsByTagName("head")[0] || document.getElementsByTagName("body")[0]); a.parentNode.insertBefore(c, a); })(document, window);