Há cerca de seis anos que João Gomes, bombeiro voluntário, decidiu iniciar uma coleção de miniaturas de viaturas de socorro, bem como outros objetos ligados à prestação de socorro. O NT e Trofa Tv foram conhecer a sua coleção e a história das viaturas mais marcantes.

Como qualquer outra criança, foi desde “pequenino” que o gosto pelas miniaturas de carros foi surgindo. Mas havia um tipo que lhe chamava mais a atenção: as viaturas de socorro. Muito também por “culpa” do pai que, por “pertencer aos bombeiros”, o ia “incentivando”.

Apesar de ir “juntando e guardando” alguns, só “há cerca de seis anos” é que João Gomes, “bombeiro há 25 anos”, decidiu alimentar esta paixão, começando a colecionar “mais a sério” e a “pô-los e a expô-los”, tendo “mais atenção” na hora de os adquirir. Hoje já tem “mais de mil miniaturas de carros de todos os tamanhos, feitios, modelos e cores” e “cerca de seis mil peças” relacionadas com a prestação de socorro. “Há pessoas que fazem coleção dos que se referem à polícia ou assim, eu faço de tudo o que seja de socorro. Não é só de bombeiros, mas também tenho muitas peças da cruz vermelha, que, embora não esteja incorporada nos bombeiros, está relacionada com o socorro”, explicou.

A primeira miniatura que teve foi uma ambulância, que já tem “mais de 25 anos” nas mãos do João. A viatura já está “toda alterada”, tendo já sido pintada entre “quatro a cinco vezes”. “Quando éramos miúdos alterávamos tudo, não ia saber que passados 30 anos ia pegar no carro e pô-lo numa vitrina para fazer coleção”, declarou.

Já a primeira miniatura adquirida “especificamente para coleção” também foi uma ambulância, que é “um dos carros mais antigos” que já teve. O veículo mais caro que comprou custou “60 euros” e foi obtido pouco tempo depois de ter iniciado a coleção. Quando olhou para ele “nem lhe dava cinco euros”, mas como era “raro e antigo” foi “com gosto” que o comprou.

Quando questionado qual seria o “menino dos seus olhos” que gostaria de obter, João respondeu que não é “um, mas sim 86”, que corresponde ao número de veículos que lhe falta para completar uma coleção. Na semana passada, conseguiu “dois pela internet”, há duas “comprou um” e agora está “ansioso” pelo mês de julho, para ir a uma feira a Aveiro, onde espera encontrar “um ou dois” dos que lhe falta.

João é muito cuidadoso com as viaturas, tendo um registo do preço, a quem o comprou, a marca e o número do veículo”. Esse mesmo número é colocado no veículo. Assim, caso no futuro tenha “um azar”, quem ficar com a coleção “sabe que carros tem e como os identificar”. “Para mim é fácil identificá-los porque conheço-os um a um, mas outra pessoa não”, denotou.

Além de conhecer bem as suas miniaturas, o colecionador sabe como as tem colocadas e repara sempre quando alguém mexe nelas, nem que desvie apenas “meio milímetro”. A própria esposa fica admirada com a explicação que lhe é dada, quando ele conta como sabe que lhe tocaram.

João tem ainda à sua disposição uma divisão da casa que funciona como o seu “ateliê”, onde guarda os carros que ainda não tem vitrinas e arranja alguns veículos que estão danificados. É nesta sala que João guarda os “outros artigos” de coleção, dos quais fazem parte os seus primeiros capacetes, agora restaurados, bem como outros objetos oferecidos pelos familiares e amigos.

Na sua extensa coleção fazem parte duas viaturas de socorro insólitas: um trator e um veículo de limpeza de via.

 

Muitos quilómetros e horas perdidas”

Para alimentar a sua paixão, o colecionador “normalmente compra na internet”, “diretamente nos quiosques, grandes superfícies e supermercados” ou, ao que “corresponde ao maior lote de veículos, visitando feiras de antiguidade e de automobilia”, onde consegue arranjar “muitos carros antigos e estrangeiros”, vindos de “França, Espanha e Alemanha”. Além disso, conta ainda com a ajuda de amigos e familiares que lhe arranjam “peças de várias corporações ligadas à Cruz Vermelha”, “revistas dos bombeiros romenos”, “capacetes dados pelos bombeiros franceses”, “alguns cartazes de outros países”, “selos autocolantes, copos, canecas, garrafas de vinho, cinzeiros, pratos decorativos”, entre outros.

Para visitar as feiras, João faz “sempre muitos quilómetros e perde muitas horas”, pois “as melhores” são “em Caminha, Valença, Guimarães, Aveiro, Lisboa e Algarve”. Nas visitas pelas feiras, os vendedores ficam “admirados” como é que João sabe identificar as viaturas que tem ou não, bem como as pequenas diferenças. “Até a minha mulher se admira, mas quando chega a casa confirma que é verdade. Por exemplo, tenho aqui duas viaturas que são idênticas, mas tem algumas diferenças de fabrico do ano. O modelo mais antigo tem umas jantes normais e uns pneus mais lisos, já o mais moderno tem umas jantes embutidas e uns pneus mais trabalhados”, exemplificou.

Outro exemplo que deu, e que “ninguém, à primeira, viu as diferenças”, são quatro viaturas idênticas, que apenas divergem nas cores: “Uma coleção é em prateado e outra em dourado”.

 

Viaturas têm histórias a contar

Todos os carros que tem na sua coleção têm uma história para contar. João abordou dois exemplos que lhe estão na memória. Uma das miniaturas é-lhe “especial”, pois apesar de a ter perdido “por segundos” num leilão “cerca de cinco vezes”, acabou por consegui-la de uma forma “mais fácil”. “Dois meses depois” das perdas, João tentou a sua sorte noutro leilão, para obter um carro diferente, mas ao mesmo vendedor. Quando o ganhou, o proprietário questionou-o se ainda estava interessado na primeira viatura, pois tinha-a “em stock”. “Ficou na história” a sua conquista, depois de a ter perdido tantas vezes.

Outro veículo que também lhe é especial é um carro de bombeiros da marca Rolls Royce, que “pertencia a um senhor que colecionava” carros desta “marca específica”. “É um carro interessante que deixou saudades à pessoa que o tinha, porque chorou quando o vendeu. Era o único carro de bombeiros que ele tinha da marca e quando mo vendeu ficou a chorar. A partir daí sempre que o vejo lembro-me da cara do senhor e da situação que se passou”, referiu.