apeadeiro 

Utilizadores do apeadeiro da Senhora das Dores não se conformam com a desactivação daquela estrutura e entregaram um abaixo-assinado na autarquia exigindo “uma nova estação ou apeadeiro”. Refer, responsável pela obra, confirma desactivação do apeadeiro “prevista para o 3º trimestre de 2010” e aponta o metro como solução.

Joaquim Bessa já trabalhou nos caminhos-de-ferro. José Ferreira, vai contando os 75 anos da sua vida em que sempre viu o comboio parar no Apeadeiro da Senhora das Dores. Agora, passados estes anos ficaram indignados depois de descobrirem que este local de paragem das carruagens que existe “há cem anos” já não faz parte do novo projecto da Variante ferroviária à Linha do Minho.

São ambos moradores no lugar de Mosteirô, na freguesia de S. Martinho de Bougado e com a conclusão da obra a aproximar-se decidiram encabeçar um abaixo-assinado exigindo “uma nova estação ou apeadeiro” que possa continuar a servir as pessoas da aldeia e dos lugares vizinhos que todos os dias utilizam o meio de transporte ferroviário.

“Há coisa de um ano acho que li que o apeadeiro ficava lá e agora chegou-me aos ouvidos que ele ia ser retirado”, lamentou José Ferreira.

Mais de 400 pessoas do lugar de Mosteirô e de outros locais na freguesia de S. Martinho de Bougado, concordaram e assinaram o documento por  não se conformarem com a desativação do apeadeiro da Senhora das Dores. Entre as 416 assinaturas válidas, outras estavam, mas que não foram aceites porque as pessoas se “esqueceram de colocar o número do Bilhete de Identidade”. “Senão seriam muito mais”, frisou José Ferreira. Isto porque, depois do dia 26 de Fevereiro, data em que o documento foi entregue na autarquia, José Ferreira, recebeu já pedidos de outros utilizadores deste apeadeiro que não assinaram e pretendia também ajudar nesta “luta”.

“Só estou a pedir que nos deixem ficar o apeadeiro que é uma mais valia para a nossa aldeia que está a crescer”, frisou José Ferreira que pretende uma solução para este “problema”.

“Tive uma mãe que me disse que tem uma filha que ia para a Faculdade para o Porto e agora terá de apanhar o comboio junto à Igreja Nova”, recordou, frisando que para além dos estudantes outras pessoas “usam o comboio e param no apeadeiro para ir trabalhar” em empresas das redondezas.

“Isto agora tudo depende da nossa presidente, ela é uma pessoa muito dinâmica e com muito talento e espero que ela dê sequência a este trabalho”, continuou José Ferreira.

A obra sendo responsabilidade da Refer, o NT contactou a entidade que confirmou a recepção do abaixo-assinado dos moradores

“Importa destacar que a Variante da Trofa – integrada na remodelação da Linha do Minho, entre S. Romão e Lousado – visa colmatar uma lacuna na modernização daquela linha na zona da Trofa, tendo como objectivo pôr fim ao estrangulamento ferroviário na rede principal actualmente existente no atravessamento em via única da zona da Trofa, permitindo melhorar a regularidade dos serviços das linhas do Minho e de Guimarães e do Ramal de Braga, reduzir os tempos de percurso e aumentar a oferta de comboios”, adiantaram.

Confirmando “a desactivação do apeadeiro da Senhora das Dores”, “prevista para o 3º trimestre de 2010”, a Refer frisa que “não se mostra viável” a construção de um apeadeiro no novo traçado, “dado que, na zona do apeadeiro da Sra. das Dores, a Variante se desenvolve em túnel”.

Como alternativa a Refer apresenta o metro “que irá utilizar parte do canal ferroviário a desactivar”. “O prolongamento prevê duas paragens localizadas junto ao actual apeadeiro, Pateiras e Sra. das Dores, e ainda uma paragem na Trofa onde será desenvolvida uma interface com a nova Estação Ferroviária da Trofa (integrada no projecto da Variante) e com outros modos de transporte (autocarros e táxis)”, acrescentou.