Via-sacra ao vivo em Alvarelhos foi protagonizada por mais de cem figurantes. Grupo de Jovens considera que esta encenação “correu muito melhor do que nos anos anteriores”.

O trabalho de um mês do Grupo de Jovens de Alvarelhos parece ter dado frutos. No final da viasacra, no dia 6 de abril, a presidente, Tânia Silva, acreditava que a encenação deste ano “correu muito melhor do que em qualquer ano que já se tenha feito”. Para o sucesso contribuiu o esforço de todos os participantes, mais de cem, que “foram incansáveis” nos ensaios. “Começamos com muita antecedência. Iniciamos as gravações, desta vez fizemos de forma diferente, com micros interligados entre todos e as gravações foram feitas em palco, com os participantes a contracenar. Retiramos a última ceia, porque não faz parte da Paixão de Cristo, fazendo apenas alguns vídeos das partes principais. Tivemos vários ensaios no local, mesmo com os soldados e Jesus”, explicou.

O objetivo desta encenação estava bem delineado: “Transmitir o sofrimento que ele teve por nós”. Por isso, durante a via-sacra, a personagem de Cristo foi sujeita a maltratos constantes por parte dos soldados. “De ano para ano tentamos melhorar a nossa postura durante a via-sacra. Tentamos melhorar as nossas falas para que as pessoas percebam o sofrimento que foi vivido naquele dia. É muito importante que as pessoas não se esqueçam do que Ele fez por nós e de mostrarmos de uma maneira um pouco exagerada, em que nós próprios maltratamos um colega nosso, mas para as pessoas perceberem o que realmente Ele sofreu”, sustentou. 

Ricardo Silva teve a “grande responsabilidade” de encarnar Jesus Cristo e confessou que a experiência foi “fantástica”. “Foi um momento único. Ao longo do percurso, temos uma pequena noção do que foi a vida de Cristo”, frisou. Enquanto fazia a encenação e era “maltratado” pelos soldados, Ricardo Silva afirma que pensou “na vida de Cristo e na própria vida”, como se fosse “uma conciliação das duas”. “Quando foi açoitado, Cristo devia ter sofrido muito e o açoite em si faz-nos lembrar tudo aquilo que durante o nosso percurso de vida nos vai afetando e derrubando”, completou. 

Márcio Santos foi o centurião, o chefe dos soldados, que “mandou” castigar muito Cristo. Já é um habitué nestas andanças e no ano passado foi Jesus, ou seja, experimentou “o lado bom” e, agora, “o lado mau”. Relativamente à via-sacra, considera que “este foi um dos melhores anos de representação”, já que os figurantes “estiveram sempre em sintonia”. “Havia diálogo, falas ao vivo e muita interação”, sublinhou. Para além do envolvimento dos jovens, também o público viveu intensamente os 14 passos da Paixão de Cristo. Esta era a convicção de José Ramos, pároco de Alvarelhos, que considerou “magnífica” a interpretação dos figurantes. “Foi muito bem preparada e muito bem vivida por quem esteve presente. Todos os anos, os jovens esmeram-se e preparam a Paixão de Cristo o melhor que podem e sabem”, afiançou. 

O sacerdote afirmou que este ano, a encenação melhorou com “a diminuição dos textos e do percurso”, que ajudaram a que “as pessoas não se dispersassem”. A via-sacra ao vivo é já uma tradição em Alvarelhos e realiza-se há mais de uma década, atraindo “pessoas de outras paróquias e freguesias”, salientou José Ramos. 

O Grupo de Jovens vai trabalhar agora para o mês de Maria, no qual vai realizar uma serenata, na tarde do dia 13, com a participação dos três coros de Alvarelhos. Também está a ser preparado um espetáculo de stand up comedy com Quim Roscas e Zeca Estacionâncio “para divertir a população” e “angariar fundos para a construção da sede” do Grupo de Jovens. 

Cáta Veloso

A. Costa

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