A Assembleia de Freguesia de Covelas ficou marcada pela possibilidade de o concelho da Trofa ceder uma área de “oito hectares” localizado em Covelas ao município da Maia.

“Nada está definido”. Foi desta forma que o presidente da Junta de Freguesia de Covelas, Feliciano Castro, se referiu acerca da possibilidade de o concelho da Trofa ceder uma parte de terreno localizado na freguesia covelense ao município da Maia. O assunto foi abordado publicamente, pela primeira vez, por Fernando Moreira, antigo autarca de Covelas, que se insurgiu contra essa possibilidade na Assembleia Municipal, a 30 de março.

Feliciano Castro tomou a iniciativa de levar o tema à Assembleia de Freguesia, realizada a 20 de abril, para referir que “não há nada de concreto” e que “se for para avançar, terá de passar pela Assembleia de Freguesia e a população será chamada para se pronunciar”. “Fui chamado à Câmara Municipal para tomar conhecimento das conversações que há entre a Trofa e a Maia e falaram dessa situação do terreno que já é propriedade da Câmara da Maia e está instalado na freguesia de Covelas”, informou.

O autarca revelou que “o interesse da Câmara da Maia para tomar posse do terreno”, com “oito hectares” junto ao aeródromo de Vilar de Luz, prende-se com a intenção “de se candidatar a projetos comunitários”. Feliciano Castro referiu ainda que “tem que se analisar se Covelas terá alguma recompensa, uma vez que se trata de uma área significativa”. “Tem também que ser levado em conta o que podemos perder em relação às verbas que vêm do FFF (Fundo de Financiamento das Freguesias)”, continuou.

No seio das conversações está também em causa a Bial, empresa farmacêutica, que a autarquia quer, exclusivamente, em território trofense. “Com o novo Plano Diretor Municipal, a Bial foi cortada a meio. Uma parte está no concelho da Trofa e a outra está na Maia”, assinalou Feliciano Castro, que considerou “uma mais-valia” se a farmacêutica ficar totalmente em território trofense.

No período de intervenção do público, Fernando Moreira voltou ao assunto, considerando “uma injustiça” a cedência do terreno. “Isto é uma manobra política para fazer um jeito ao presidente da Câmara da Maia”, considerou sem deixar de desafiar o município maiato “a fazer uma permuta do lado nascente”.

“Há dois anos, o presidente da Câmara da Maia assinou os limites com a freguesia de Covelas e agora vamos escangalhar tudo?”, continuou.

Fernando Moreira assinalou ainda o facto de, a acontecer a cedência do terreno, Covelas “ficará sem frente à estrada nacional”. “É preciso ter em conta que estamos a ficar mais pequenos que Bougado”, sublinhou, desvalorizando o argumento da autarquia quanto às potencialidades de ter a Bial em território trofense: “A Bial paga muito pouco de impostos à Trofa”.

A presidente da Assembleia de Freguesia, Laurinda Martins, sugeriu uma visita dos elementos daquele órgão ao local para tomarem melhor conhecimento do que está em causa nesta negociação.

Na sessão foi ainda aprovada por unanimidade a conta de gerência de 2014. A freguesia de Covelas contou com 143.841 euros de receitas (e com o saldo do ano anterior de 26.402 euros) e teve como despesas 94.910 euros, resultando um saldo de 75.172 euros, que transita para o orçamento deste ano. A poupança registada justifica-se com a obra que a Junta quer iniciar no cemitério. Este é um assunto que “não sai da cabeça” de Feliciano Castro, que gostaria que o projeto já estivesse no terreno.

O presidente da Junta aproveitou a Assembleia para assinalar a conquista da equipa sénior masculina de futsal do Grupo Desportivo de Covelas, que se sagrou campeã distrital da 2.ª Divisão. Feliciano Castro mostrou vontade de ver a coletividade crescer com outras modalidades, que dinamizem o parque de jogos.