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Desenvolver a formação e criar novos talentos musicais é um dos objectivos do novo presidente da Banda de Música da Trofa. Em entrevista exclusiva ao NT, Luís Lima revela os projectos até 2011, entre eles a construção da sede da associação.
Sócio da Associação Musical e Cultural da Trofa – Banda de Música da Trofa desde os 13 anos, Luís Lima é o novo rosto da liderança da Banda de Música, eleito presidente da direcção no passado dia 24 de Abril. Em entrevista exclusiva ao NT, Luís Lima mostrou-se “orgulhoso” por ter sido empossado o novo líder da Banda de Música, depois de ter sido 1º secretário da direcção nos últimos dois anos.

Consciente das “responsabilidades acrescidas” inerentes ao cargo, Luís Lima propõe-se a dar um novo rumo à Banda, que actualmente enfrenta “muitas carências a nível económico e a nível de instalações”. “A nível musical a Banda mantêm-se muito forte e está muito bem de saúde”, garantiu o presidente, afirmando que um dos objectivos é “manter o nível superior” da mesma. Uma vontade que Luís Lima em muito deve à tradição familiar característica da Banda, fundada, entre outras pessoas, pelo pai do presidente. “A Banda de Música foi fundada dentro da casa dos meus avós, é uma das razões de eu gostar muito da Banda”, revelou.

Do plano de projectos do novo presidente para o seu mandato, que se estende até 2011, fazem parte a fundação da Academia da Banda de Música da Trofa. O objectivo é “desenvolver a formação e criar novos talentos no seio da Banda”. De acordo com Luís Lima, a futura Academia irá funcionar em todas as freguesias do concelho, estando previsto abranger cerca de 50 a 70 alunos já em Setembro deste ano. À frente da formação estarão “pessoas qualificadas, com formação superior na área da música”. “São essas pessoas que irão liderar o projecto e já convidei a pessoa ideal”, adiantou Luís Lima, acrescentando que se coloca ainda a hipótese de se criar uma mini-orquestra, formada pelos alunos da futura Academia.

A construção da nova sede da Banda para dotar a mesma de “novas estruturas físicas e musicais” é outra das metas traçadas por Luís Lima, algo que o presidente considera ser “um projecto aliciante e o virar de página na vida da Banda”.

A obra é, segundo Luís Lima, “prioritária” na medida em que as actuais instalações não possuem as condições necessárias. Actualmente, os músicos são acolhidos nas instalações junto à estação do caminho-de-ferro, um espaço da propriedade do Comendador J. Serra.

“Estamos lá gratuitamente, o Comendador J. Serra é um homem que andou 30 e tal anos com a Banda às costas, a suportar as despesas e se a Banda existe hoje é graças a ele”, sublinhou o presidente.

Segundo Luís Lima, o actual espaço é “pequeno” e “sem condições”, pelo que são necessárias “salas próprias” para os músicos. “Todos os instrumentos têm de ter a sua sala própria para ensaiar, precisamos de cerca de 8 ou 9 salas com 10 metros quadrados cada uma”, afirmou, acrescentando que “uma sala com acústica própria, uma secretaria a funcionar em pleno e um auditório com capacidade para cerca de 600 pessoas” são outras das necessidades da associação.

“Precisamos de um conjunto de coisas que são importantes para o futuro da Banda e a sede vai-se fazer, porque há apoios para o fazer, a começar pelo senhor presidente da Câmara”, avançou Luís Lima, frisando que a autarquia tem sido o “pulmão” da Banda.   “Estamos em conversações com a Câmara acerca do terreno e dentro de 2 ou 3 meses espero tê-lo”, afirmou, acrescentando que o projecto da sede já está a ser construído,  gratuitamente, por um arquitecto. “Informatizar os serviços da Banda” é outro objectivo, que já foi viabilizado com a cedência de um computador à Banda por parte da autarquia.

Para além destes projectos, Luís Lima compromete-se a “projectar e a divulgar mais a Banda”, com actualmente cerca de 400 sócios. Nesse sentido estão já programados vários concertos e uma campanha para chegar aos 1000 sócios, um objectivo que, segundo o presidente, é “muito benéfico para a Banda, porque para além de trazer mais sócios, traz mais amigos”.

Luis Lima considera fulcral revitalizar a Banda de Música da Trofa, que há cerca de cinco anos “sofreu um terramoto”. “Esse terramoto deixou fissuras muito profundas na Banda e nós conseguimos sarar essas fissuras, porque houve responsáveis que estiveram a liderar a banda e foram essas pessoas que provocaram essas fissuras, fugiram e montaram outra banda de música”, lembrou. “Enganaram-se porque houve um conjunto de trofenses que souberam da situação e foram prestar solidariedade ao presidente cessante, Delbarque Dias, que andava à deriva”, acrescentou, ressalvando que a Banda hoje está “bem viva” e é “reconhecida a nível nacional e internacional”.

Com actualmente cerca de 65 músicos, dos quais um terço são do sexo feminino, a Banda de Música da Trofa possui já um vasto repertório de títulos alcançados. Entre eles destaca-se o 1º prémio na final do 2º Concurso Nacional de Bandas Civis, em Lisboa, em 1971.

Mais tarde, em 1982, deslocou-se a França, à cidade de “Le Puy”, onde arrebatou o primeiro lugar no Concurso de Bandas Internacionais, vindas de Itália, Bélgica e França, num total de 12.