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As matas de Covelas continuam a servir de depósito ilegal de todo o tipo de resíduos. Apesar dos esforços da Junta de Freguesia e da empresa municipal Trofáguas, as pessoas continuam a deixar o lixo do lado de fora do Ecocentro da AMAVE.

Quem passa pela estrada que liga a freguesia de Covelas, concelho da Trofa, à freguesia de Santa Cristina do Couto, em Santo Tirso, por entre a verdura das matas encontra verdadeiros depósitos de lixo. Tudo isto mesmo ao lado do Ecocentro da AMAVE – Associação de Municípios do Vale do Ave – que recolhe todo o tipo de resíduos gratuitamente.

O cenário já foi pior, garante Fernando Moreira. “A Junta já limpou estes depósitos de lixo”, mas todo o esforço parece em vão, porque o lixo continua a aparecer do lado de fora do Ecocentro da AMAVE”.

“Várias vezes mando os funcionários da Junta limpar, mas o cenário continua a repetir-se. Acho que não há necessidade de fazer depósitos de lixo quando no aterro sanitário recebem o lixo e a Trofáguas vem a casa recolher sem custos”, adiantou o autarca, que já surpreendeu várias pessoas a deixar lixo nas florestas de Covelas. “Já apanhei pessoas a deixar lixo, já obriguei a retirá-lo e já participei às autoridades algumas pessoas que depois foram autuadas”, afirmou.

A indignação do presidente da Junta chega mesmo ao ponto de “perseguir” as carrinhas que passam pela freguesia com resíduos industriais. “Quando vejo uma carrinha na estrada e vejo que vai com lixo, eu vou persegui-la para ver se o lixo fica em Covelas”, confessou.

Mas mesmo com o olhar atento do autarca covelense e dos funcionários da Junta de Freguesia, garrafas, tecidos, sofás, madeiras e todo o tipo de resíduos industriais e domésticos continuam a ser largados numa das maiores zonas florestais do concelho da Trofa.

O Ecocentro da AMAVE recebe todo o tipo de resíduos de forma gratuita. E quando não há disponibilidade de deslocação ao Ecocentro, basta requisitar esse serviço à empresa municipal Trofáguas, que procede à recolha dos monstros domésticos, como móveis, ou electrodomésticos e o serviço ao domicílio é gratuito. A recolha é realizada depois de contacto (via telefone, e-mail, fax, ou ao balcão) efectuado directamente aos serviços, identificando o lugar e o tipo de monstros a recolher. Este serviço é realizado às quintas-feiras, durante a tarde.

Dos vários Ecocentros existentes no território da Associação de Municípios do Vale do Ave, os mais próximos do concelho da Trofa estão instalados em Vila Nova de Famalicão ou no ecocentro Santo Tirso/Trofa, na fronteira entre Covelas e Santa Cristina do Couto, em funcionamento de segunda a sábado entre as 8 e as 19 horas.

Todos os munícipes poderão ter acesso a estes Ecocentros, mas no caso das empresas, que podem depositar até 10 metros cúbicos de resíduos por semana, terão que preencher inicialmente um pedido de autorização de deposição, realizada através do site da associação – www.amave.pt ou na Trofáguas.

Nos Ecocentros poderão ser depositados resíduos verdes, plásticos/esferovite, plásticos duros (bidões, baldes, mobiliário, tubos, grades de bebidas, etc), papel/cartão, metais (ferrosos e não ferrosos, embalagens de metal), vidro, madeira (mobiliário, paletes, pranchas, soalho não contaminado), pilhas e acumuladores, monstros domésticos (colchões, sofás, alcatifas), óleos usados (óleo de motor de automóvel), embalagens de óleo (embalagens contaminadas com óleo), filtros de óleo do motor, roupas, óleos alimentares, resíduos de construção e demolição resultantes de pequenas obras domésticas, lâmpadas fluorescentes, resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos (frigoríficos, fogões, computadores, etc).

Covelas ajuda a “Limpar Portugal”

Apesar de ser “uma das freguesias mais perseguidas” no que toca à deposição ilegal de lixos, Covelas está a postos para no dia 20 de Março ajudar a “Limpar Portugal”. “Eu vou participar, fui à reunião e estou a fazer convites para as pessoas de Covelas participarem e acho muito bem essa limpeza do concelho”, comentou Fernando Moreira.

O autarca já iniciou a sua campanha de recolha de voluntários pela freguesia e até tractores e camiões já conseguiu para ajudar a limpar uma das freguesias que faz parte das zonas já identificadas pelo movimento “Limpar Portugal”.

O alerta das consciências dos trofenses e mesmo de munícipes de outros concelhos será a 20 de Março, mas Fernando Moreira espera que a mensagem passe e que as lixeiras deixem de ser uma preocupação. “Devemos procurar ter um concelho limpo e bonito”, alertou.

No âmbito do Projecto Limpar, o grupo de voluntários da Trofa está desde o início do ano a efectuar semanalmente, levantamentos de lixeiras ilegais na Trofa. Identificaram que cerca de 51 por cento do território abrangido pelas freguesias de Santiago e S. Martinho de Bougado, Covelas, S. Romão e S. Mamede do Coronado e Muro é área florestal (segundo a Câmara Municipal da Trofa, em 2008).

“Acreditamos que o grande problema das lixeiras ilegais prende-se, sobretudo, com o desconhecimento ou falta de informação por parte dos cidadãos. Pois, existem entidades que realizam a recolha gratuita destes resíduos. A recolha de ‘monstros’ domésticos é um dos serviços prestados, pela Trofáguas”, adiantou em comunicado a responsável pelo movimento na Trofa, Susana Pereira.