O discurso de Cavaco Silva, nas comemorações dos 35 anos do 25 de Abril, suscitava grande expectativa.

Quem esperava que Presidente da Republica e Primeiro-ministro prolongassem mais a teresa-fernandes“novela” de supostas criticas, troca de palavras e recados, enganou-se e desiludiu-se.

Mas quem esperava que Cavaco Silva apresentasse um discurso comemorativo da celebração da liberdade conquistada há 35 anos não se desiludiu.

E assim foi.

O Presidente da Republica preferiu um discurso neutro e abrangente, desempenhando o seu papel de equilíbrio e de equidistância dentro do Estado democrático, focando-se nos portugueses e na crise.

A data assim o exigia, e no discurso de comemoração dos 35 anos do 25 de Abril, nada mais adequado do que reforçar o poder conquistado com a Revolução: o direito do voto!

No discurso, Cavaco Silva fez um apelo forte à participação dos portugueses nos três actos eleitorais que se avizinham: Europeias, Autárquicas e Legislativas e para tal incumbiu os partidos da tarefa de dinamizar e tudo fazer para que os portugueses queiram exercer o seu direito de votar e escolher democraticamente.

Não será certamente uma tarefa fácil, já que um estudo recente apontou que só cerca de 24 % dos portugueses pretendiam votar nas próximas eleições europeias de 7 de Junho!

Naturalmente que as eleições autárquicas e legislativas suscitarão mais interesse e participação por parte dos portugueses, mas estes dados sobre a abstenção são extremamente preocupantes.

Para que tal cenário não se confirme Cavaco Silva, apela a que os partidos políticos apresentem propostas realistas e adaptadas a situação actual do país, discutindo de forma séria os problemas nas áreas da saúde, educação, segurança, justiça, protecção social, combate à pobreza e ao desemprego.

Sobre as campanhas eleitorais, e tendo em conta o momento difícil que muitos portugueses atravessam Cavaco, pediu contenção nos gastos.

Nada mais coerente!

Gostei do discurso, achei-o sóbrio, simples e oportuno e espero que dê os seus frutos.

Não tenho dúvida de que muitos portugueses estão desiludidos com a política e atravessam uma crise séria de desencanto e desmotivação.

A crise económica, financeira e social que Portugal e o mundo atravessam, as constantes querelas entre partidos e políticos que mais parecem preocupados com pormenores fúteis e não com os reais problemas, as suspeitas constantes de corrupção sobre políticos e instituições só contribuem para o descrédito da classe politica e para o distanciamento dos portugueses na hora de votar.

Mas não nos podemos esquecer dos que muito lutaram para que hoje todos, sem excepção possamos exercer o nosso direito de votar.

Não esqueçamos que votar é um direito, mas também um dever no exercício da plena cidadania.

É uma arma poderosa que podemos e devemos usar.

Porque a liberdade conquistada no dia 25 de Abril de 1974 é preciosa, não esqueçamos que também nos imputou grandes responsabilidades.

A de votar é uma delas! 
 
 
 

Teresa Fernandes